Vôlei precisa mais que dobrar verba extra UFJF para se manter na Superliga

“Hoje temos de 10 a 15% de verba de fora da UFJF. Teríamos que chegar em um patamar, para se manter na Superliga, de pelo menos 50%. É isso que estamos buscando para poder montar um projeto não só para esse ano, mas para os próximos quatro ou cinco”.

Vôlei UFJF revela  números significativos do projeto de extensão, que não envolve apenas o time dentro de quadra
Vôlei UFJF revela números significativos do projeto de extensão, que não envolve apenas o time dentro de quadra

Assim um dos “pais” do projeto e hoje Diretor Técnico do Vôlei UFJF, Maurício Bara Filho, avaliou, em entrevista ao Toque de Bola após reunião informal com patrocinadores, imprensa e convidados, na noite de terça-feira, 31, o momento e o futuro da equipe local, que encerrou recentemente sua quarta participação consecutiva na Superliga Masculina de Vôlei.

Um dos incentivadores da entrada da equipe na Superliga, na época Pró-Reitor de Gestão e Planejamento da UFJF, Alexandre Zanini, emocionado, admitiu que pode haver eventuais reestruturação e mudanças no curso do planejamento, mas assegurou que o trabalho, que envolve não só o time mas um projeto de extensão da instituição de ensino juizforana, terá vida longa.

Renato Miranda na homenagem a Basileu Tavares
Renato Miranda na homenagem a Basileu Tavares

  Maturidade

O tom do encontro foi de avaliação da temporada, classificada como temporada da “maturidade”, e projeção, embora também tenha deixado no ar uma sensação de “até breve”. Não só porque a Superliga tradicionalmente começa apenas em setembro ou outubro, mas pela eventual redução de verba na montagem da próxima equipe.

Maurício, ao lado de Renato Miranda, também responsável pelo projeto, fez questão de agradecer, inclusive com camisas personalizadas, pessoas fundamentais para que a entrada na Superliga se concretizasse, antes mesmo do previsto. O atual Reitor da instituição, Júlio Chebli, também foi convidado para o encontro, mas não pôde comparecer e justificou sua ausência.

Para quem não se lembra da história, a UFJF alcançou a divisão principal do vôlei nacional pelo menos um ano antes do que havia sido programado, e pelo menos três pessoas foram fundamentais no “sim” da Federal em seu primeiro ano de Superliga: o então Reitor, Henrique Duque, o então gestor Alexandre Zanini e o atual secretário da instituição (já estava na UFJF na administração de Duque),  Basileu Tavares. Dos três, somente Duque não pôde comparecer.

Renato e Maurício mostram a camisa personalizada do ex-Reitor da UFJF, Henrique Duque
Renato e Maurício mostram a camisa personalizada do ex-Reitor da UFJF, Henrique Duque

   História recuperada

Maurício voltou a recordar a reunião ocorrida há quatro anos com a direção da UFJF, quando ele foi comunicar à instituição formalmente que o time estava classificado de forma prematura à Superliga. Esperava – e até já entendia os motivos da possível decisão – que a UFJF dissesse que ainda não estava na hora de encarar tamanho desafio.

“O Reitor bateu na mesa e disse: nós vamos”, contou. Poucos dias depois, ainda em dúvida se havia sido um rompante ou se de fato a questão estava decidida, o Diretor Técnico recebeu telefonema de Zanini, quase na hora de uma partida começar, e este foi direto ao ponto: “Você não está pensando em desistir, está?”. Ali, Maurício concluiu que o tapa na mesa não era mesmo gesto passageiro. Começava a trajetória local na elite do vôlei brasileiro.

  “Projeto não morre nunca”

Depois da homenagem, Zanini pediu a palavra para reforçar que, muito mais que um time, há um projeto de extensão pioneiro que enche de orgulho a UFJF e a cidade: “Como eu disse aos órgãos de controle, vamos até à Justiça Comum para provar que isso aqui é um projeto de uma das melhores universidades brasileiras. Vocês não sabem o orgulho que eu tenho da nossa Universidade. A gente é muito mais que um time. E olha como esse projeto conseguiu agregar tanta gente boa, da cidade, e com o mesmo objetivo. Esse projeto não morre nunca. Pode ser reestruturado, passar por uma fase, mas enquanto tiver gente com desejo de fazer, ele vai acontecer”, avaliou Zanini, “devolvendo” a Maurício os méritos pela concretização do projeto.

  Mais que um time

Pouco antes, no balanço apresentado pelo Diretor Técnico, a temporada foi classificada como sendo de “maturidade”, e foi demonstrado com números como é importante o projeto de extensão em que a equipe participante da Superliga é apenas uma parte da engrenagem.

Segundo Maurício, o Vôlei UFJF gerou, no item “Resultados Acadêmicos”: quatro teses de doutorado, oito dissertações de mestrado, 12 trabalhos de conclusão de diferentes cursos de graduação, 20 artigos publicados e em desenvolvimento, 25 cursos de capacitação e mais de 40 escolas visitadas.

Já quanto ao efeito provocado pela aparição da marca UFJF na mídia, considerando basicamente o veículo televisão, o retorno espontâneo, como é chamado, atingiu, no mínimo, R$ 60 milhões, levantamento que, segundo a direção da equipe, envolve as quatro participações na Superliga – mesmo registrando que a rede detentora dos direitos de transmissão não trate o time como “UFJF” e sim como “O Juiz de Fora”, por questões comerciais.

 

Renato, Basileu, Maurício, Ivan e Zanini: homenagem ao Toque de Bola, que acompanhou todos os jogos da UFJF em casa desde 2011, com transmissão pela web rádio do Portal
Renato, Basileu, Maurício, Ivan e Zanini: homenagem ao Toque de Bola, que acompanhou todos os jogos da UFJF em casa desde 2011, com transmissão pela web rádio do Portal

   Menção especial ao Toque

O Toque de Bola recebeu homenagens, pelo fato de ter transmitido todas as partidas em casa do Vôlei UFJF desde a primeira edição da competição nacional, temporada 2011/12. O Portal foi representado por Ivan Elias e Mônica Valentim, diretores da Misto Quente Comunicação e do Toque de Bola. Outros veículos locais também foram contemplados.

  Parceiros

A direção do Vôlei UFJF fez questão, ainda, de agradecer um a um, com camisas, os parceiros da equipe. Foram representados, no encontro, a Picorelli, Victory Suítes, Cedimagem, In Natura, GSport e Ortra.

 

Oséas Oliveira (Clínica Ortra) foi homemageado
Oséas Oliveira (Clínica Ortra) foi homemageado

   Acompanhe a entrevista do Toque de Bola com Maurício Bara Filho

O Toque de Bola conversou com Maurício para detalhar o que está sendo elaborado e avaliar tecnicamente a campanha – o time ficou em nono lugar, uma posição abaixo dos classificados aos playoffs, e melhorou de rendimento depois da saída do treinador Chiquita. O time local venceu, na primeira fase, duas equipes que seriam semifinalistas – Sesi e Taubaté – além de ter feito jogos equilibrados diante do atual campeão e finalista Sada Cruzeiro, este também na Copa Brasil – derrota por 3 sets a 2, de virada, com 15 a 13 no quinto set.

 Toque de Bola: Na última partida da Superliga, você disse, em nossa transmissão, que iria conversar com a direção da Universidade e não descartou a possibilidade de o time disputar a Superliga B. Agora com a cabeça mais fresca, como é que estão as projeções do vôlei da Federal?

Maurício: Talvez as pessoas tenham se assustado um pouco, mas é uma coisa que vejo com muita naturalidade. Não queremos parar. Imaginemos uma situação de caos, se a gente tivesse uma verba muito pequena para jogar, e não desse para jogar a Superliga A, não vejo como demérito, em um determinado ano, jogar a Superliga B. Nunca demos um passo maior que a perna. As conversas começaram e estamos aguardando um posicionamento da Universidade, o Reitor até viria hoje (ao encontro) mas teve um imprevisto e não pôde vir. Ele vê com bons olhos o projeto. Estamos aguardando o que a UFJF pode propiciar. Eles apoiam e entendem a importância do projeto, mas temos que buscar outros caminhos. Eu sempre desejei que esse projeto fosse cada vez mais mais independente para poder planejar, e isso passa por muitas coisas, aumento do investimento privado, leis de incentivo, estamos repaginando isso para pode ganhar essa independência. O apoio da Universidade, com a estrutura, já é muito grande. O RJX, por exemplo, era um time sem casa. Vamos buscar isso pouco a pouco, é o grande objetivo nosso, mas não é fácil. Hoje temos de 10 a 15% de verba de fora da UFJF, extra projeto acadêmico, e teríamos que chegar em um patamar, para se manter na Superliga, de pelo menos 50% e é isso que estamos buscando. Algumas parcerias estratégicas, coisas que podem acontecer, é o que esperamos daqui para a frente para poder ganhar o fôlego não só para esse ano, mas para os próximos quatro ou cinco anos. Isso que a gente quer muito.

Toque de Bola: Tem algum prazo para se alcançar este recurso?

Maurício: Temos que ter um pouco de paciência com o próprio mercado. Acho que os dois próximos meses são muito importantes, para não começarmos do zero.  As coisas podem até acontecer mais para frente,  em agosto, mas não é o ideal. Então vamos arredondar as coisas em abril e maio, para irmos entrando no mercado. Vamos perder alguns atletas provavelmente, mas não vamos perder tanta gente porque o mercado vai ser lento este ano. As equipes não estão com tanto dinheiro, a crise é geral, está aí, vai ser um mercado bem mais cauteloso, aliás já foi nessa temporada que está terminando, Temos que entender isso e deixar a coisa fluir para começarmos com os dois pés fincados no chão.

Toque de Bola: A temporada foi complicada para a Confederação Brasileira de Voleibol – CBV, o que esperar deles na Superliga? (O Toque de Bola lembrou ao dirigente que esteve presente em todas as cerimônias de apresentação da Superliga e antes do início desta temporada, 2014/15, a entidade prometeu visitar todas as sedes e criar campanhas que estimulassem maior comparecimento e envolvimento do torcedor. Ocorre que a CBV, pelo menos em Juiz de Fora, não cumpriu a promessa)

Maurício: A temporada foi tumultuada e estamos esperando para ver as mudanças na Confederação Brasileira de Vôlei, mudou muita gente na entidade (mudanças feitas antes do início da temporada 2014/15), a entrada do Radamés (Radamés Lattari coordena a Superliga), do Renan (o ex-jogador assumiu o Marketing), esperamos qual posicionamento, e o que eles poderão de alguma forma ajudar, seja com alimentação e hospedagem, já seria um gasto a menos. Não poderemos participar da primeira reunião deles (seria na quarta-feira, dia 1º de abril) com os clubes, por motivo de trabalho. É um momento conturbado para a CBV, mas eles precisam começar a entender a Superliga como um produto, e não tem sido explorado dessa forma. Há conversas que têm pelo menos duas emissoras abertas querendo comprar o produto. Há uma expectativa sobre a questão e os clubes precisam disso. É preciso chegar a um patamar em que você saiba que vai ter um time. Pode ser o mais simples possível, mas vai ter aquele time. A partir daí, o que se conseguir além é algo a mais. Esperamos isso para os próximos anos. Caso contrário, vejo o voleibol brasileiro num momento difícil. Considere 12 equipes na Superliga mais seis na Superliga B, não contando aqui Sesi-SP e Cruzeiro, que estão com juvenis. É muito pouco para um país de primeira linha no voleibol. Precisamos de mais times. Técnicos, preparadores físicos e jogadores hoje não têm mercado. Precisa crescer. E cresce como? Com auxílio.

Toque de Bola: A cobrança foi grande por vaga nos playoffs por esta ter sido a quarta temporada, mas fica aquele gostinho por ter vencido alguns grandes e não conseguido vaga para a fase decisiva? (Quando o Toque de Bola fazia a pergunta, estava em andamento o jogo entre Sesi e Taubaté pela semifinal.O Sesi acabaria derrotando o Taubaté por 3 sets a 1 e vai decidir a competição diante do Sada Cruzeiro, em Minas, no dia 12 de abril. A UFJF venceu Sesi e Taubaté na fase de classificação)

Maurício: Pela primeira vez vamos fazer uma temporada vencendo um finalista, vencemos o segundo e o terceiro lugares e vencemos bem. Diante do Taubaté, lá, poderíamos também ter vencido, faltou pouquinho, um encaixe. Isso prova no que acreditamos, ou seja, com bom elenco e com bom trabalho, dá para chegar longe. Ficou o gostinho amargo de não conseguirmos a classificação, mas ficam essas amostras de que evoluímos, um gosto bom. Vencemos também dois times argentinos de primeira linha. Isso dá confiança. A maturidade está aí, assim temos um bom trabalho, conseguimos fazer um bom trabalho, mas precisamos encaixar as vitórias desde o início. Tivemos uma sequência nesta Superliga de cinco jogos, em que, se tivéssemos vencido três dos cinco, estaríamos em melhores condições. A maturidade está aí também. Já sabemos onde temos que ganhar para poder alcançar os objetivos. Mas temos que chegar lá na quadra e fazer.

Toque de Bola: Em relação à troca de técnico (saiu Chiquita e entrou Alessandro Fadul), vocês avaliam agora que demorou muito a mudança, em função de o time ter subido de rendimento?

Maurício: Vejo isso com muita tranquilidade. A troca foi feita no momento certo. Seria muito injusto se fizesse no Campeonato Mineiro, a nossa campanha não foi boa, mas Sérgio, Manius e Fábio Paes machucaram. Foram lesões muito importantes, que dificultaram uma avaliação. E na Argentina (excursão em que o time local participou com sucesso), o time se comportou muito bem, com grandes partidas! Isso nos deixou confusos. No primeiro turno, mal ou bem nós terminamos em oitavo. Poderíamos ter terminado em sexto, obviamente. Mas a coisa não é muito matemática. Poderia ter tomado a decisão antes? Sim. De repente, se perdesse para Maringá…  E fizemos uma grande partida e vencemos Maringá. E ganhamos o jogo seguinte. Isso confundiu muito. Mas com o avançar do turno, nós vimos que a oscilação estava sendo grande e esperamos até onde deu. A matemática não é fácil de fazer. No returno, com boa campanha, 14 pontos, vencendo equipes grandes, perdemos para equipes que tínhamos vencido no turno – Canoas, Maringá e Montes Claros. A grande lição é a maturidade. Cada partida deve ser jogada com a emergência da vitória. Os jogadores talvez demorem a entender isso. O ponto que conquistamos no primeiro jogo da competição é o mesmo ponto do último jogo. Não há valor maior. Essa é a grande dificuldade. fazer o jogador entender que cada vitória, no nosso caso, é urgente. Essa é a grande maturidade que temos que levar para os atletas que vierem jogar aqui agora. E no nosso caso este ano, se em três derrotas conseguíssemos pontuar, perder por 3 a 2, estaríamos classificados porque tivemos o mesmo número de vitórias do oitavo lugar, o Montes Claros.

 

Gerson (GSport), entre Renato e Maurício: fornecedor do uniforme
Gerson Araújo (GSport), entre Renato e Maurício: fornecedor do uniforme

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