Crônica: ´Empurrem para o gol a bola que aquele imbecil bloqueou´

“Sábado, fim de tarde, começo de noite, saio de casa com o meu kit de sobrevivência (duas blusas, meia de lã, rádio de pilha, papel higiênico) e com o olhar de reprovação de minha mulher vou para o Estádio assistir a mais um jogo do meu TUPI, desta vez um jogo decisivo de “mata-mata” contra o Aparecidense.

O frio era intenso, como intensa era a minha esperança de mais uma vitória.

Jogo difícil, como sempre. Times pequenos não têm craques e são todos iguais. Do lateral direito ao ponta esquerda não existe diferença. As vitórias são muito suadas e conquistadas com muita entrega e suor, mesmo naquele frio.

Neste sábado não estava nada diferente. Na verdade, até pior. Ficamos atrás do placar por duas vezes. Precisávamos de uma virada épica. A desclassificação era iminente.

Eu já em pé, acima dos degraus da arquibancada me preparando para ir embora e, ao mesmo tempo, sem vontade de ir. Sentia muito frio. Acho que é a idade.

De repente o ataque fatal e o chute do Ademilson. Vi a bola entrando e comemorei.

Penso que devo ter perdido o sentido por alguns segundos.

Vendo a cena dantesca, desabei sentado na arquibancada.

Custei a entender o que estava acontecendo.

Pensando bem, até agora não entendo.

O que leva um homem a cometer uma atitude daquelas? A resposta é simples: ser humano. Aquele que mata seu semelhante por nada. Aquele que rouba, estupra, agride, infringe,transgride… O mesmo que legisla, julga, penaliza, prende, discrimina, não reeduca.

O discurso de valores não praticados. Evoca Deus e Jesus Cristo da boca para fora. Age como demônio. O mal, o perverso, o errado, a falcatrua é tudo aquilo em que eu não estou no meio.

Fez o que fez em nome de alguma coisa, ou a mando de alguém ou por alguém. Tolo. Sua caminhada é solitária. Companheiros de agora o abandonarão mais adiante. O preço é alto.

Agora, fala-se em legislação, julgamento, Advogados, Tribunais.

Deixei o aconchego de minha casa, minha mulher, meu vinho para ver um jogo de futebol do time que amo e  fui roubado, ridicularizado, enganado.

Nada posso fazer. Não tenho ação nenhuma a fazer a não ser esperar o tal julgamento.

Espero que haja homens de bem a fazê-lo. Não deixem acontecer uma inversão de valores. Vilões se transformando em vítimas. Façam a justiça. E a justiça, neste caso é um gol. Procuradores, advogados e juízes: vistam acamisa 9 do Ademilson e empurrem para dentro do gol a bola que aquele imbecil bloqueou.

Crônica de Theophilo do Amaral Castellões Junior, especial para o Toque de Bola

 

Toque de Bola

Ivan Elias, associado do Panathlon Club de Juiz de Fora, é jornalista, formado em Comunicação Social pela UFJF. Trabalhou por mais de 11 anos no Sistema Solar de Comunicação (Rádio Solar e jornal Tribuna de Minas), em Juiz de Fora. Já foi freelancer da Folha de S. Paulo, atuou como produtor de matérias de TV e em 2007 e 2008 “defendeu” o Tupi, na Bancada Democrática do Alterosa Esporte, da TV Alterosa (SBT-Minas). É filiado à Associação Mineira de Cronistas Esportivos (AMCE) e Associação Brasileira de Cronistas Esportivos (Abrace).

Este post tem 4 comentários

  1. Fernando Rizzato

    Quero parabenizaar ao Theophilo pela excelente crônica.
    Eu comemorei o goal aqui na Armenia e não mais voltei a ouvir o jogo. No dia seguinte a manhchete no UOL e eu não acreditei. Toda a minha vibração teria sido em vão? Agora tenho certeza que não. E sem direito aos embargos infringentes.
    Vou comemorar de novo. Agora depende só dos nossos jogadores fazerem por merecer esta justiça que foi feita.
    Pra frente GALO CARIJÓÓÓÓÓO!!!!

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