João Pires: de craque a presidente, em 55 anos de Tupi

O Tupi Foot Ball Club está de luto. Faleceu na tarde desta segunda-feira, 17, aos 72 anos, um dos principais nomes da história do clube centenário: João Pires. Ex-jogador do Carijó, foi presidente do clube no biênio 1991/1992 e ocupava atualmente o cargo de vice-presidente. Também desempenhou o papel de técnico da equipe. A morte ocorreu em razão de um acidente automobilístico no estado do Rio de Janeiro. Ele deixa esposa, três filhos e três netos. A diretoria alvinegra decretou luto oficial de sete dias.

Acesse aqui para ler a crônica do Toque de Bola em homenagem a João Pires.

Segundo a empresa que administra a BR-040, o acidente foi registrado às 13h15, no km 73 da rodovia, em Petrópolis. Ainda de acordo com a concessionária, ele chegou com vida ao Hospital Santa Tereza, também em Petrópolis, mas não resistiu. O velório será realizado no Cemitério Parque da Saudade na noite desta terça-feira – houve atraso na liberação do corpo em Petrópolis. O sepultamento está marcado para às 9h desta quarta-feira.

O craque carijó

João Pires é considerado um dos maiores jogadores da história do Galo Carijó. Ponta-direita, começou a jogar na equipe profissional com apenas 16 anos. Orgulhava-se ao dizer que tinha 55 anos de Tupi, “passando por tudo” no clube. Um dos momentos mais marcantes foi sua participação na equipe que ficou conhecida como “Fantasma do Mineirão”. A fim de fazer a entrega das faixas do título regional de 1965, o Cruzeiro – de Tostão, Dirceu Lopes, Piazza e outros craques – foi convidado para vir a Juiz de Fora enfrentar o Carijó. A partida, em Santa Terezinha, disputada em março de 1966, terminou em 3 a 2 para o Alvinegro.

O resultado repercutiu na capital do estado. Veio o convite para o Tupi enfrentar o Atlético, treinado por Paulo Amaral, no Mineirão. No duelo dos Galos, vitória do Carijó por 2 a 1, com dois gols de João Pires. Após o resultado, foi a vez do América, então treinado por Yustrick, tentar a sorte diante do Tupi. O Coelho também não resistiu, saindo de campo derrotado por 2 a 1. Novamente João Pires balançou as redes duas vezes. Veio então a revanche com o Cruzeiro. Nova vitória da equipe juiz-forana, dessa vez por 2 a 1.

Naquele mesmo ano, a Seleção Brasileira realizava a preparação para a disputa da Copa do Mundo da Inglaterra. O técnico Vicente Feola chamou o Tupi para disputar jogo-treino em Caxambu. A Seleção só conseguiu o empate em 1 a 1 porque o tempo de jogo combinado sofreu extensão. Novo convite para enfrentar o escrete nacional. Desta vez, derrota do Tupi por 3 a 2, com o time de Juiz de Fora desperdiçando pênalti no final da partida. João Pires foi um dos melhores em campo nos dois jogos.

 

Homenagem aos "fantasmas do Mineirão" prestada no intervalo de Tupi x Cruzeiro, no Campeonato Mineiro
Homenagem aos “fantasmas do Mineirão” prestada no intervalo de Tupi x Cruzeiro, no Campeonato Mineiro

No último dia 21 de abril, no intervalo da partida entre Tupi e Cruzeiro, disputada no Estádio Municipal Radialista Mário Helênio, a diretoria alvinegra prestou homenagem a pessoas que fizeram parte daquela equipe.  Foi um João Pires visivelmente emocionado (o segundo da esquerda para a direita na imagem) que recebeu do presidente Áureo Fortuna a camisa carijó com o número 66 às costas, em alusão ao ano das vitórias daquela equipe.

Um episódio especial tinha lugar de destaque em sua memória. Quando era presidente do clube, demitiu o técnico da equipe em uma quinta-feira. No domingo, o Tupi enfrentaria o Atlético, no Estádio Salles Oliveira. Ele assumiu o comando e venceu a partida por 1 a 0. João Pires não escondia de ninguém que era apaixonado pelo Tupi Foot Ball Club.

Texto: Thiago Stephan – Assessoria Tupi

Foto Fantasma do Mineirão: Assessoria do Tupi

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