Juiz-foranos encaram desafio na Cordilheira dos Andes

Os triatletas juiz-foranos Hugo Amaral e Lucas Leite, ambos da equipe VidAtiva, vão enfrentar, a partir de sexta-feira, 8, um dos principais desafios de suas carreiras. Os dois embarcaram nesta quarta-feira, 6, rumo ao Chile, ponto de partida para a corrida “El Cruce Columbia”, reconhecida como a prova de montanha mais dura e famosa das Américas. Eles terão que percorrer 96 km pela Cordilheira dos Andes em três dias, percurso marcado por grandes variações altimétricas.

Pelo caminho, terão como cenário três vulcões, lagos e rios com água gelada, pontes de madeira e muita neve. Os pernoites vão ser em barracas, o que deixa a prova ainda mais difícil. A largada será em uma pista de esqui a mil metros de altitude, em Pucón, no Chile. Junin de Los Andes, na Argentina, é o ponto final do percurso. Confirmaram presença cerca de 700 duplas e outros 900 atletas que se inscreveram para a categoria solo, entre eles Amaral e Leite.

Apesar das dificuldades, Lucas Leite espera curtir a prova. Belas paisagens não faltarão (Foto: divulgação)

Antes mesmo de início da prova, os dois atletas já enfrentam uma maratona. Saem de Juiz de Fora às 2h de quarta-feira com destino ao Rio de Janeiro, de onde embarcam em voo para Santiago, capital chilena. De lá, seguem até Pucón, viagem de, aproximadamente, 700 km. No dia da prova, a organização disponibiliza um ônibus para levar os competidores até o ponto de partida. São 40 minutos de expectativas. O destino: o Vulcão Villarrica, cartão postal da região.

Hugo Amaral: treino em trilhas do Morro do Cristo e na subida de Conceição de Ibitipoca (Foto: Danylo Goto)

Essa será a décima segunda edição da “El Cruce Columbia”. Serão 96 km no total, divididos em três dias. No primeiro, são 30 km. Depois, 40 km. E, no último dia, 26 km. O ponto mais alto da prova tem dois mil metros de altitude. Para chegar até ele, os atletas subirão cerca de mil metros em relação ao nível do mar em trecho de 11 km com inclinação semelhante ao da Avenida Itamar Franco próximo ao Bairro Cascatinha.

“A altimetria é bem acentuada, com muita subida e muita descida, levando ainda os equipamentos obrigatórios. Além disso, ficaremos duas noites acampados”, comenta Amaral, acrescentado que as barracas para os pernoites são de responsabilidade da organização da prova. É justamente a hora de dormir um dos pontos que mais preocupa Lucas Leite, estreante em provas com essas características.

Lucas Leite: preocupação por dormir em barraca (Foto: Danylo Goto)

“Estou um pouco apreensivo. Nunca fiz um prova de três dias e nunca tive a experiência de competir, acampar, competir, acampar… O que me preocupa é como eu vou me recuperar de um dia para o outro, já que vou correr longa distância e acampar. É diferente de estar em um hotel ou em casa. Não tem chuveiro, não tem cama… Isso deixa a prova ainda mais difícil”, afirma.

A preparação

Hugo Amaral e Lucas Leite planejam participar de “El Cruce Columbia” desde 2009, mas só agora eles tiveram a possibilidade de realizar este sonho. Para enfrentar os desafios, os dois realizaram treinamentos específicos desde o segundo semestre de 2012. Na programação, a subida de trilha no Morro do Cristo e do trecho conhecido como “Cruz das Almas”, entre Lima Duarte e o distrito de Conceição de Ibitipoca.

“Tudo que tinha que ser feito, foi feito. Agora é chegar lá e tentar curtir ao máximo a prova e trazer algo para agregar ao nosso trabalho. Que a gente seja um espelho para nossos alunos”, comenta Lucas Leite. Hugo Amaral acrescentou também que os treinamentos em JF e região foram com mochila nas costas, já simulando a situação em que eles vão competir nas montanhas entre o Chile e a Argentina.

Texto: Thiago Stephan

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