Jeferson Vianna avalia os primeiros seis meses da ABT

O segundo semestre de 2012 marcou o início das atividades da Academia Brasileira de Treinadores (ABT), esforço do Comitê Olímpico Brasileiro (COB) para capacitar técnicos dos principais atletas do país por intermédio de pesquisadores das universidades brasileiras a fim de melhorar o desempenho brasileiro em Jogos Olímpicos. Entre professores doutores escolhidos está o chefe do Departamento de Desportos da Faculdade de Educação Física da UFJF, Jeferson Vianna, responsável por ministrar o módulo “Princípios Científicos Aplicados ao Treinamento” para instrutores das modalidades Atletismo, Natação e Ginástica Artística, as primeiras contempladas pela iniciativa. Na avaliação de Vianna, o esforço foi considerado válido e serviu para quebrar uma barreira que separa o universo acadêmico do treinamento prático.

“A avaliação é positiva sim, mas o esforço veio com certo atraso. Poderíamos estar trabalhando em parceria há alguns anos. Colocamos também para o COB a importância da nossa presença junto aos treinadores durante as atividades com os atletas para ver justamente como estão lidando com a questão da carga de treino e do entendimento da resposta do atleta ao treinamento. Entendo que aconteceu com demora, mas veio para ficar. A previsão do COB é formar, até 2018, 600 treinadores. Acredito que esta meta será batida. A lista de pessoas interessadas em fazer o curso é enorme”, relata o professor. Atualmente, 102 instrutores passam pela capacitação.

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Inicialmente, o grupo foi dividido em dois: um voltado para a iniciação esportiva e outro ao alto rendimento. Os treinadores tiveram 15 dias de aulas, de manhã e à tarde, no Parque Aquático Maria Lenk, no Rio de Janeiro, com acesso a conteúdos como Metodologia do Treinamento Esportivo, Princípio do Treinamento, Psicologia do Esporte, Descoberta e Seleção de Talentos, entre outros.

Na sequência, os instrutores foram submetidos a provas sobre os conteúdos abordados em sala de aula. Atualmente, ocorre a parte do curso não-presencial, em que eles têm contato com conteúdos teóricos em artigos que discutem pesquisas relacionadas à área do treinamento.

“A partir do início de 2013, os treinadores vão entrar no segundo ciclo, onde terão acesso a disciplinas mais específicas e de campo mais prático dentro da vivência de cada modalidade esportiva. O Atletismo vai para a pista, o pessoal da Natação vai ficar no Maria Lenk e o pessoal da Ginástica vai para o ginásio”, explica, acrescentando que nesta etapa terão contato com treinadores que vão aumentar o nível de formação e conhecimento.

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O segundo semestre de 2013 está reservado para os estágios. Os participantes terão a possibilidade de escolher, com a aprovação do COB, um treinador, independente da nacionalidade, com o qual passarão 177 horas de estágio presencial com objetivo de obter o máximo de informações. “Dessa maneira, vão completar três ciclos bastante puxados, de grande exigência, mas que, a nosso ver, vão ser de grande contribuição para a formação profissional deles”, avalia.

Segundo Vianna, em 2013 o COB estuda a inclusão de quatro ou cinco modalidades como foco da ABT. Outra novidade é que a viagem, estadia e alimentação necessárias para a parte presencial do curso serão custeadas pelo comitê.

Barreira quebrada

Vianna não esconde que havia uma preocupação relativa à forma como os pesquisadores seriam recebidos pelos treinadores. O medo que uma barreira atrapalhasse o trabalho acabou logo nas primeiras aulas. “Estive ministrando aula para 56 treinadores consagrados e foi grande a troca de situações de dia a dia. Com isso, uma possível visão mais deturpada por parte de algum treinador foi modificada. Quebrou-se uma barreira. Acredito que a tendência é melhorar, até porque agora vão ser mais aplicações práticas. Eles adoraram. As manifestações foram muito positivas. Daqui para frente, as coisas vão ficar melhores”, afirma.

Em seu módulo, Jeferson Vianna abordou temas como o princípio da continuidade do treinamento, princípio da reversibilidade, ou seja, o que acontece com o atleta quando ele para de treinar, a parte fisiológica dos atletas em determinadas situações, métodos para selecionar os atletas, entre outros pontos. “Colocamos de forma clara e objetiva as etapas de uma formação desportiva e o que deve ser colocado em prática dentro de um planejamento a médio e longo prazo, algo que, às vezes o treinador imagina, mas não sabe como aplicar”.

Texto: Thiago Stephan

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