Alan Fonteles faz história ao conquistar medalha de ouro batendo Oscar Pistorius

O brasileiro Alan Fonteles fez história neste domingo, 2, em Londres ao vencer o favorito Oscar Pistorius nos 200m T44. Alan correu a prova em 21s45, ultrapassando Pistorius nos últimos metros. O sul-africano terminou em 21s52. Blake Leeper completou o pódio. “Eu estou muito feliz. Com certeza não vou dormir tão cedo. Quero agradecer a todo o povo brasileiro pela torcida”, disse Alan.

Muito questionado sobre as declarações de Pistorius após a prova, reclamando de sua mudança de próteses, Alan destacou que a vitória era algo que ele esperava e preferiu não entrar no embate com seu ídolo. “Estou dentro das regras. Isso é resultado de treino. Não existe colocar duas próteses e sair correndo. Eu não sou azarão, treinei para esse tempo”, argumentou o brasileiro, que no início do ano mudou-se de Belém do Pará, onde cresceu e sempre treinou, para São Paulo, onde conta com infraestrutura e apoio técnico especializado do Time São Paulo.

“Desde 2008 ele está abaixo da altura que ele poderia ter”, explicou o coordenador técnico da Seleção Brasileira de Atletismo, Ciro Winckler. “A regra permite uma altura máxima para cada atleta. O Pistorius já tem anos de Jogos Paralímpicos, o Leeper e o Alan estão terminando agora a fase de crescimento. O Alan usava a mesma prótese desde que tinha 16 anos. Ou seja, cresceu neste ciclo. Hoje tem 20 anos. No último ano, reajustamos a prótese ao tamanho dele. Não é um tamanho que nós criamos, é proporcional aos segmentos do corpo. É medido braço, antebraço, fêmur, e é estabelecido dentro de uma lógica, como pede a regra. Ele estava competindo em desvantagem de condições. O colocamos em igualdade.”

Ainda emocionado com o ouro, Alan prometeu mais conquistas. “Eu vim para correr e fazer o meu melhor. Quero fazer história aqui em Londres. Ainda tem os 400m, 100m e o revezamento 4x100m.” Mesmo assim, ele sabe que o desafio não será fácil. “Para os 100m eu estou confiante de conseguir pódio, quem sabe o ouro. Mas é uma prova que está muito forte.” Alan volta às pistas do Estádio Olímpico na quarta-feira, 5, para o revezamento e as eliminatórias dos 100m T44.

Romantismo entra em cena

Pouco antes da vitória de Alan, o Hino do Brasil ecoou no Estádio Olímpico pela primeira vez nos Jogos de Londres. Além de vencer os 200m T46, Yohansson Nascimento quebrou o recorde mundial da prova com o tempo de 22s05 e comemorou a vitória tirando um papel do uniforme pedindo a noiva Thalita Lima em casamento.

“Já tinha sido bronze e prata nessa prova. Faltava o ouro e ele veio abençoado aqui em Londres. A prova foi como uma luta entre Davi e Golias. Eu sempre sou o mais baixinho, mas estava muito focado, bem preparado e venci. Quis aproveitar esse momento para pedir minha noiva em casamento”, contou o velocista, que deixou a namorada em Maceió (AL), para treinar pelo Time São Paulo na capital paulista. Pelo telefone, Thalita aceitou o pedido.

Mais cedo, o Brasil fez dobradinha nos 200m T11, com ouro para Terezinha Guilhermina (24s82 – superando o recorde paralímpico de 24s89 batido por ela no sábado) e Jerusa Santos (26s32). Jhulia Karol conquistou o quarto lugar, com 26s65, em sua primeira Paralimpíada. O bronze ficou para a chinesa Juntingxian Jia (26s33), que chegou a ser desclassificada por conta do guia Donglin Xu ter se separado da atleta na linha de chegada. No entanto, a decisão foi revertida e ela completa o pódio, que foi adiado para esta segunda-feira.

No começo da noite, o acreano Thierb Siqueira conquistou vaga na semifinal dos 400m T12 com o tempo de 50s88 e volta ao Estádio Olímpico para brigar por seu lugar na final no dia 4 (terça-feira). Outros dois brasileiros competiram nesta noite: Sheila Finder ficou em quarto no Salto em Distância T46 com 5.07m e Luciano Pereira ficou em sétimo no Arremesso de Disco F11, com 29,31m.

Texto: Comitê Paralímpico Brasileiro

 

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