50 anos dedicados ao futebol amador

Everest: o ponto mais alto do planeta. Vencer a subida deste pico é um desafio que poucos conseguem… Julho de 2012 está sendo especial para jogadores e ex-jogadores da Associação Atlética Everest, time de futebol amador que está completando 50 anos ininterruptos de atividades. Marcando a data, uma festa no sábado, 28, no Ritz Plaza Hotel, animada pela Banda Scala, promete reunir atletas de diferentes gerações e seus familiares. Neste dia, haverá desfile com os uniformes do Everest neste meio século e lançamento da nova camisa. A confraternização está trazendo a Juiz de Fora pessoas que moram em diversas cidades do Brasil.

Atualmente, o time disputa uma competição no Dom Orione. Segundo o presidente, diretor, ex-jogador e técnico do Everest, Dário Botti, é difícil encontrar um campo na cidade onde seu esquadrão não tenha atuado. Também esteve presente em outras cidades: Mariana, Lagoa Dourada, Piau, Senador Firmino, Sapucaia, Três Rios, Lima Duarte, Bicas, Belmiro Braga, entre outras.

Cores do Everest teria "inspirado" o Barcelona

Sobre o acúmulo de funções, é motivo de brincadeira para Dário. “Independente do resultado, o técnico não cai. Os jogadores falam que sou incaível”, revela, aos risos, para depois comentar suas atribuições: “Eu marco jogo, aviso jogador, busco roupa, cobro a taxa, escalo time. Tudo isso por gostar de viver neste ambiente do futebol amador”. E, apesar de ser amigo de todos, sabe ser linha dura: “Até para brincar tem que ter ordem”.

O início

Em 1962, seis jovens moradores das ruas Batista de Oliveira, Antônio Carlos e do Sampaio decidiram fazer um bolão no jogo entre Brasil e Espanha pela Copa do Mundo com o objetivo de comprar um uniforme de futebol de salão. Nascia ali o Vermelho e Azul por iniciativa de Zezão, Bolão, Carmini, Aldebaram, Vanderlei e Joãozinho. Rubens Rodrigues Pinto, o Rubinho, não tem medo de afirmar: “O Barcelona copiou as cores do Everest”, comenta, com o sorriso no rosto.

O ano de 1966 também foi marcante, quando o time de futebol de salão virou de futebol de campo. “Começamos no futebol contra um time chamado Margarida. Foi 2 a 2. O dono da equipe adversária, chamado Cici, era muito conhecido em Juiz de Fora e proprietário de uma casa de molduras. A partida foi no campo do Princesa Isabel, no bairro Granbery”, relembra Dário. Oportunista, Rubinho acrescentaria: “Os dois gols fui eu que fiz”, novamente em tom de brincadeira.

Questionado sobre os principais jogos do Everest neste meio século, Dário conta alguns casos, temendo esquecer outros de relevância. “Em 1968, ocorreu uma ida histórica a Monte Verde. Uma semana antes tínhamos jogado com o time do DER [Departamento de Estradas de Rodagem], formado em sua maioria por profissionais. Eles foram a Monte Verde e perderam. No domingo seguinte foi a nossa vez. Fomos pensando que levaríamos um sacode. Ganhamos de 2 a 1”, disse Dário. Claro que Rubinho não perdeu tempo: “Um dos gols foi meu”.

Uma das formações do Everest nestes 50 anos

Outro momento inesquecível ocorreu em 2008. Num jogo realizado em Belmiro Braga, foi feita uma homenagem ao colocar no troféu o nome do pai de Dário, Pedro Botti. “Estava empatado em 1 a 1. No final, pênalti para eles, mas o cobrador bateu para fora. Com o empate, ficamos com o troféu”, relembra Dário.

Dos jogadores da primeira geração do Everest, o último a pendurar as chuteiras foi Ademir. Mas isso não quer disser que o ex-atletas da equipe viraram as costas para o ex-time. Pelo contrário: Dário revela que todos mantêm contato constante.

Principais rivais

A história de um time de futebol também é a história de seus rivais. Com o Everest não é diferente. Alguns adversários marcaram esses 50 anos. O principal, segundo Dário e Rubinho, foi o Brotinho, do Ratinho, ex-jogador do Tupynambás. “Os jogos eram muito disputados por causa da qualidade dos dois times. Era muito igual. Quase sempre terminava empatado, ou perdíamos”, afirma Rubinho. Dário faz coro. “O time deles era muito organizado. A rivalidade era muito grande”. Outro rival histórico era o Loyola, formado por jogadores do Colégio dos Jesuítas. Atualmente, os duelos contra o Batata Good Frit é certeza de bons jogos, garantem os dois veteranos.

“Eles não permitiram que o time parasse”

A história do Everest não teve apenas Dário como dirigente. Entre os anos de 1975 e 1991 ele esteve fora de Juiz de Fora. “Neste período, Renato Costa e Marco Polo, que é conhecido como Coréia, não permitiram que o time parasse. Quando voltei, em 1991, assumi novamente”.

Jogadores de diferentes faixas etárias: o segredo da longevidade da equipe

Atualmente, o Everest conta com jogadores de diferentes faixas etárias. “Por isso que a gente sobrevive”, comenda Dário, dando a receita da longevidade da equipe. “Da turma que joga hoje, a maioria já tem mais de dez anos no time. Nossos jogadores acabam se identificando e não querem sair mais. Até quem machuca vai aos jogos para assistir”.

Rogério Salgueiro, zagueiro e namorado da filha do presidente/técnico, está no time há cinco anos. Começou no banco de reservas, mas, pouco a pouco, foi conquistando a confiança do treinador/sogro. “O que mais temos no time é amizade. Tanto que eu Larissa ficamos três anos separados, mesmo assim continuei jogando”, revela.

Dário faz questão de citar os atletas que vestem atualmente a camisa do Everest e que estão há mais tempo na equipe: Samuel; Josafá; Jailton; Chiquinho, José Roberto Botti e Claudinho (homem-gol e churrasqueiro da equipe). Os mais novos são: Frederico; Diego; Tiago Louro; Juliandro; Fernando, Aroldo, Edmar. O preparador físico é Vitor Botti. Ao fazer a lista, vai pedindo desculpas no caso de esquecer algum nome.

Larissa e Dário: amor pelo Everest passou do pai para a filha

Apoio familiar

Larissa Botti é a filha do presidente e namorada de Rogério. Segundo seu pai, é a “diretora social” e responsável pelo acervo fotográfico da equipe. Além disso, toma conta dos materiais dos atletas enquanto eles estão em campo.

“Acompanho desde pequena. Meu pai é fanático por futebol. Minha mãe, Cecília, já lavou muita roupa. A cada domingo a gente sempre perguntava como tinha sido. Minha casa é cheia de troféus. Agora, tenho acompanhado ainda mais. Todo domingo eu vou. Falo fotos dos jogos, do churrasco, tomo conta das mochilas. Fico vendo o desespero do meu pai na beira do campo. Ele leva muito a sério e o pessoal acaba rindo”, revela.

Confira algumas fotos da “Família Everest”.

Este post tem 4 comentários

  1. Célia Botti

    Deixo aqui registrado, também, meus parabéns pela matéria publicada. A história da AA Everest, longa e bonita, foi aqui suscintamente, muito bem explanada. Parabéns a todos os jogadores da antiga e da nova geração. Parabéns ao presidente, diretor, técnico, ex-jogador do Everest, o Dário Botti. Quanto a festa do cinquentenário do time, só tenho elogios. Foi muito boa. Confraternização perfeita, organizada, com muito carinho, por Dario Botti, Larissa Botti ,contando ainda com a colaboração de Rubens Pinto Rodrigues e outros fiéis jogadores e seguidores do time.
    Célia Falci Botti

  2. Caro articulista Ivan Elias ;tambem gostei muito de ler seu artigo sobre o Everest (que começou com o nome de Everest Futebol de Salão,como se ve nas letras do 1o. escudo).Mas justiça deve ser feita lembrando-se dos nomes de Waldir- hábil atacante,Sr Evilásio,nosso ”técnico”,e por último Jurandyr Silvestre,esse que vos escreve e que jogava na defesa ,nunca com o brilho dos demais…
    Junto dos amigos Aldebaran,Vanderlei e Carmine formamos o primeiro quinteto que depois recebeu tantos outros garotos daquelas ruas vizinhas (alguns citados no artigo) e assim a equipe cresceu e se firmou.
    Entre tantos amigos quero citar dois que se foram ‘a eternidade e que com eles tive o prazer de conviver : José de Arimatéia,o Zezão e Joãozinho.Duas figuras singelas,divertidas e que nos deixaram saudosos.
    Escrevo após a festa dos 50 anos.Festa sem igual ! Um reencontro feliz e muito divertido.Um congraçamento de geraçoes de atletas e suas famílias.
    Deixo na pessoa do Dario Botti,o grande líder do Everest,o meu abraço a todos que comigo conviveram e tambem aos que depois de nós vieram mantendo a chama acesa.

  3. Renato

    Caro Ivan Elias,
    Parabéns pela matéria. Seria interessante o esporte profissional de nossa cidade se mirar em exemplos como este do esporte amador. Esses heróis Everestianos fazem o esporte por amor à camisa. Para eles é um verdadeiro “manto sagrado”. Todos os domingos estão lá, reunidos, sempre se divertindo e cultivando o companheirismo e a amizade. O resultado das partidas talvez seja o que menos interessa. Parabéns ao Dário, Marco Polo (Coréia), Renato Costa e a todos os outros que participaram e participam dessa grande equipe, seja dentro ou fora do campo de futebol. Estaremos todos lá no Ritz Plaza, amanhã dia 28/07/12, para prestigiar este grande evento, que, com certeza, será do tamanho da história vencedora e da grandeza time.
    Abraço a todos,
    Renato Falci Botti

  4. Larissa Botti

    Parabéns Thiago pela matéria, ficou ótima!!!!
    Você colocou a essência da familia Everest nesta breve história…
    Minha admiração pelo site, que valoriza o futebol amador de Juiz de Fora e Região!!!
    E Viva os 50 anos do Everest

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