Vitória de Djokovic no Australian Open é avaliada por quem entende do assunto

Juiz de Fora (MG), 30 de janeiro de 2012

O duelo entre o sérvio Novak Djokovic e o espanhol Rafael Nadal, na final do Australian Open, realizada no domingo, 29, entrou para a história do Tênis mundial como a mais longa final de Grand Slam. A vitória flertou com os dois tenistas, mas acabou ficando com Djokovic, por 3 sets a 2, parciais de 5-7, 6-4, 6-2, 6-7 (5-7) e 7-5, em 5h53m de partida. Foi o terceiro título do atual Número 1 da modalidade na Austrália: em 2008 e 2011 ele também saiu vencedor.

A decisão história repercutiu em Juiz de Fora. Felipe Miana, tenista há 28 anos, acompanhou a decisão e torceu para o espanhol. “A partida foi decidida nos detalhes. Acho que o Djokovic tem entrado mentalmente à frente do Nadal por ter vencido as últimas partidas [foi a sétima vitória consecutiva no confronto]. Apesar do Nadal ainda levar vantagem no confronto, ele tem entrado receoso. Os dois têm diferentes tipos de jogo. Acredito que o Federer teria mais chances de vencer o Djokovic se chegasse à final. Por outro lado, ele não encaixa o jogo contra o Nadal. O Djokovic está muito bem fisicamente”, avaliou Miana.

A parte física

O alto nível físico atingido pelo sérvio começou a ser visto, principalmente, a partir de 2010, quando seu nutricionista descobriu que o jogador tinha reação alérgica ao glúten. Com isso, ele passou a realizar uma dieta sem trigo, cevada e centeio, além de sal, açúcar e gordura. O resultado: perda de peso e melhora no rendimento.

Recentemente, foi divulgado outro “segredinho” da preparação física do atual líder do ranking da ATP (Associação de Tenistas Profissionais). Ele tem feito uso de uma câmera hiperbárica, que ajuda, principalmente, na recuperação do atleta após as disputas. De acordo com matéria publicada no site www.uol.com.br em agosto de 2011, “a máquina trabalha com uma válvula computadorizada e uma bomba de vácuo que simula a altitude e serve para comprimir músculos em intervalos rítmicos”. O aparelho simula condições de altitude, gera maior número de glóbulos vermelhos no sangue, regenera o ácido lático e melhora a circulação sanguínea, além de melhorar o preparo físico.

Maurício Bara, professor da Faculdade de Educação Física da UFJF e que pesquisa controle de carga de treinamento, destaca três aspectos que podem fazer a diferença no resultado de uma partida como a final do Australian Open: “São situações extremas que o Tênis tem proporcionado a esses atletas. Eles vêm se condicionando para essas disputas. Três pontos que devem ser observados: a resistência física e mental; os jogos anteriores; e a reposição energética”, diz o técnico de vôlei da UFJF, avaliando que a utilização da câmera hiperbárica pode ser uma ferramenta importante na preparação do atleta. Entretanto, Bara não acredita que ela tenha sido decisiva no resultado da partida, fazendo questão de destacar a qualidade técnica do sérvio.

Texto: Thiago Stephan

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