Crônica de campeão, por Theo Castellões: “A Paixão Correspondida”

A Paixão Correspondida

 Crônica de Theophilo Castellões

Como é bom viver.

Como é bom ter saúde.

Como é bom poder viver uma paixão correspondida.

Nos últimos anos tenho vivido experiências e momentos sublimes.

Tudo começou no dia 3 de novembro de 2006, quando descobri ser vítima de um câncer de intestino. Travei uma luta contra a doença e tenho sido vencedor. Tive apoio dos meus familiares, em especial de minha mulher Zélia e de meu filho Arthur, e dos meus amigos. Tive à minha disposição os recursos que a maioria dos brasileiros não possui, que foi o acesso, à tempo, a todos os tratamentos conhecidos para o combate da enfermidade. Isto sem sair de minha cidade natal, a minha querida Juiz de Fora. Contei com a competência e dedicação dos médicos, principalmente do Dr. Raimundo Bechara, que me operou, e do Dr. Milton Prudente que ministrou todo o meu tratamento quimioterápico. Grandes figuras e verdadeiros sacerdotes da medicina. E tive, principalmente, a benção de Deus, a mão de Jesus Cristo e a intervenção de Nossa Senhora Aparecida que me ampararam espiritualmente para que eu vencesse esta batalha.

Desde então minha vida mudou. Não melhorei como homem, marido, pai, amigo ou qualquer outra coisa. Apenas, mudei.

Curto cada momento que vivo como se fosse o último. A última viagem. A última taça de vinho. A última partida de tênis. O último ato. Meus valores mudaram.

Minhas paixões aumentaram em intensidade e número. Pela minha família, pelos meus amigos (velhos e novos), pelo Flamengo, pelo vinho, pelo tênis, pelo meu cachorrinho, pela minha nora Paula. Uma, que era platônica, enfim foi correspondida. A minha paixão pelo TUPI.

O que vivi nestes últimos meses é indescritível. Desde aquele jogo do Gama com aquela vitória vindo no final. Ali, naquele exato momento, senti que coisas melhores viriam. A virada contra o Volta Redonda, as vitórias contra o Anapolina e Oeste. O time passeando em campo.

No jogo contra o Santa Cruz, em Juiz de Fora, fui acompanhado de meu filho Arthur, de seu amigo Marcelo e de meu cunhado Celso, que veio de Belo Horizonte especialmente para assistir ao jogo. No estádio, além dos meus acompanhantes, outras 16.000 pessoas. Ninguém percebeu, ninguém viu, ninguém sentiu a emoção que vivi. Meus óculos escuros disfarçaram e esconderam minha emoção. O resultado era o que menos me interessava. O importante era eu estar presente naquele momento. Silenciosamente agradeci. Fui recompensado pela vitória. Voltei para casa molhado pela chuva, envolvido em uma bandeira do Tupi que comprei na entrada.

Domingo, 20 de novembro de 2011. Acordei cedo, procurei a bandeira pela casa. Encontrei-a no cesto de roupa suja, onde ficou a semana inteira. Sacrilégio. Mais que depressa arrumei um barbante e a desfraldei na janela de meu apartamento. Queria que todos soubessem que ali morava um carijó, resistente, perseverante e apaixonado. Fui para a rua e tirei a foto, como as que tiramos para registrar grandes momentos de nossas vidas. Afinal aquele dia era o dia mais importante de nossas vidas até então. Vidas de torcedores carijós.

As horas custaram a passar até o início do jogo.

Sentados na sala de minha casa, eu e meu filho, devidamente aparamentados, vestidos com a camisa do galo, ficamos ali hipnotizados, incrédulos, felizes, em êxtase total. Não dá para descrever a emoção que sentimos.

Finalmente, depois de tantos anos, vi minha paixão ser correspondida. Não era mais uma paixão platônica. A resposta veio. O amor é recíproco. O Tupi me retribuiu com uma emoção jamais vivida.

Cheguei à conclusão que no fundo é o Tupi que nos ama, sem nada pedir em troca, afinal são 100 anos de luta, sobrevivendo a tudo e a todos. A cidade de Juiz de Fora precisa retribuir a este amor. Já passou da hora de abraçar a este clube e torná-lo forte e perene. Não dá para perder esta oportunidade.

Felizes somos nós que já o descobrimos há muito tempo e fomos testemunhas de parte desta história de 100 anos.

Saudações carijós.

Feliz como um pinto carijó no paraíso.

 Theophilo do Amaral Castellões Junior

(A foto é da bandeira na janela do meu apartamento).

 Leia também: Paixão do torcedor: o dia em que o Galo cozinhou o Bangu

 

 

 

 

 

Este post tem 2 comentários

  1. Jo

    Somente quem viveu de perto sabe realmente o sentimento de cada palavra na crônica do meu querido irmão Theophilo (A paixão correspondida). Que o Tupi e o Flamengo tragam muitas alegrias a ele, afinal ele merece.

  2. Ricardo Moura BRaga

    Parabens pela iniciativa, que outros abracem a causa Tupi, bom para Minas, bom para o Esporte, Melhor ainda para Juiz de Fora. ABS.

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