Ave, Zico!

Ronaldo Dutra Pereira

A primeira vez que ouvi alguém falar do Zico foi nos idos de 1973, entre uma taça de vinho e outra, na “Cantina do seu Geraldo”, na Galeria João Beraldo, também conhecida como a galeria do edifício Juiz de Fora. Flamenguista doente, como eu, ele queixou-se da falta de critério do técnico Zagalo, da seleção brasileira, que não dava uma chance ao “menino”, já então batendo um bolão em suas incursões no time titular do rubro-negro da Gávea.

Lembro-me que concordei com ele, apenas para não discordar do amigo, que estava sempre disposto a “pendurar” minhas despesas, só quitadas ao fim da cada mês quando recebia o meu salário. A partir daí passei a prestar atenção no Galinho de Quintino e, já na Copa de 1974, estava convencido de que sua presença na seleção, ao lado de outros craques como Rivelino, Paulo César Caju e outros tantos equivalentes, o ponta-de-lança do Flamengo acrescentaria muito à qualidade do futebol da seleção, que acabou bisonhamente eliminada nas quartas-final por um time que jogava um negócio parecido com peladas do Aterro, e apelidadas por “entendidos” como “Carrossel Holandês”.

Mas isso durou pouco, já que, acabada a Copa, retomamos nossa realidade do dia-a-dia nos campeonatos estaduais e nacionais. Aí sim, a galera rubronegra pôde se fartar de ver as exibições do atacante e vê-lo sem entediar-se resolver partidas difíceis, quase impossíveis, de vencer com seus gols maravilhosos, dignos de “reis” como Pelé, Zizinho, Di Stefano e o seu contemporâneo mais famoso, Maradona, a quem nunca deu o prazer de derrota em campo.

Hoje, dia 3 de março, seu 58º aniversário, lembrei-me dele em função de uma discussão estúpida entre eu e um anti-Zico, no domingo, quando ele me “garantiu” que o Galinho era jogador de clube, não de seleção. Vou omitir sua preferência clubística em respeito a alguns amigos que tenho e que compartilham dessa sua simpatia. O “inteligente” torcedor não está só. Existem outros despeitados que teimam em negar ao rubro-negro um mínimo de qualidade, já que ele não conseguiu, com a seleção, chegar ao título máximo de uma Copa do Mundo. Pouco importa para esses idiotas da objetividade (plagiando Nélson Rodrigues) que Zico não tenha disputado três dessas competições em condições especiais, uma delas semi-aleijado por um criminoso travestido de zagueiro chamado Márcio Nunes, que implodiu um de seus joelhos.

Agora, que o Galinho caminha para a idade do saber -60 anos – resta-lhe o reconhecimento do mundo que continua a sonhar com sua colaboração para maiores conquistas, como é o caso do Sporting de Lisboa, que o incluiu como meta para técnico, numa das promessas de campanha de um de seus candidato a presidente. Ainda lhe sobra, com grande margem, a gratidão de uma nação de quase 40 milhões de torcedores, espalhados por todo o Brasil e por boa parte do planeta. Resta-me, como torcedor, proclamar alto e bom som: “Ave Zico”

Texto do jornalista Ronaldo Dutra Pereira

Arte: Rogério Caetano

Toque de Bola

Ivan Elias, associado do Panathlon Club de Juiz de Fora, é jornalista, formado em Comunicação Social pela UFJF. Trabalhou por mais de 11 anos no Sistema Solar de Comunicação (Rádio Solar e jornal Tribuna de Minas), em Juiz de Fora. Já foi freelancer da Folha de S. Paulo, atuou como produtor de matérias de TV e em 2007 e 2008 “defendeu” o Tupi, na Bancada Democrática do Alterosa Esporte, da TV Alterosa (SBT-Minas). É filiado à Associação Mineira de Cronistas Esportivos (AMCE) e Associação Brasileira de Cronistas Esportivos (Abrace).

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