13 abr 2014

Com polêmica, Cruzeiro é campeão invicto ao empatar de novo com o Atlético



O Cruzeiro não jogou um futebol brilhante, mas fez por merecer ser campeão mineiro pela 37ª vez em sua história. Neste domingo, diante de sua torcida, o clube celeste dominou todas as ações do clássico contra o Atlético, chutou mais vezes ao gol e ofereceu constante perigo durante grande parte dos 90 minutos. Só que o excesso de finalizações erradas e o preciosismo em lances próximos ao gol impediram a Raposa de comemorar o título com vitória. Por ter feito melhor campanha na primeira fase, terminando na liderança, com 29 pontos em 33 disputados, a equipe comandada por Marcelo Oliveira garantiu o troféu do centésimo Estadual com empate por 0 a 0, no Mineirão. Resultado idêntico ao do confronto de ida, na semana passada, no Horto. Quase 49 mil pagantes na Pampulha proporcionaram uma renda de R$ 2.322.088,00.

O caminho cruzeirense até o título registrou 15 partidas, com 11 vitórias e quatro empates. Foram 27 gols marcados e apenas cinco sofridos. Melhor ataque, defesa menos vazada e aproveitamento de 82,2%. Números extremamente positivos. Marcelo Moreno, com quatro tentos, terminou como artilheiro celeste. O Atlético, por sua vez, triunfou oito vezes, empatou cinco e perdeu duas, conquistando 64,4% dos pontos. A equipe treinada por Paulo Autuori não esteve inspirada na tarde deste domingo e sentiu dificuldades tanto para anular os rivais quanto na parte ofensiva. O quarteto formado por Ronaldinho Gaúcho, Tardelli, Jô e Guilherme (substituído por Fernandinho no intervalo) foi presa fácil para Bruno Rodrigo, Dedé, Henrique e Lucas Silva.

Embalado pela conquista estadual sobre o maior rival, o Cruzeiro volta as suas atenções para a Copa Libertadores da América. Também no Mineirão, estádio no qual conta com excelente aproveitamento, o time vai enfrentar o Cerro Porteño pelo jogo de ida das oitavas de final, na quarta-feira, 16, às 22h. O Atlético, por sua vez, entra em campo no domingo, contra o Corinthians, na primeira rodada do Campeonato Brasileiro. A partida acontecerá no Parque do Sabiá, em Uberlândia, às 16h.

Cruzeiro faz a festa pela conquista invicta do Campeonato Mineiro 2014, no Mineirão

Cruzeiro faz a festa pela conquista invicta do Campeonato Mineiro 2014, no Mineirão

Bola na trave e supremacia celeste

Antes do início do clássico, os jogadores da equipe de vôlei do Cruzeiro deram volta olímpica no Mineirão comemorando o título da Superliga conquistado mais cedo, em vitória por 3 sets a 0 sobre o Sesi. Isso serviu de inspiração nos gramados. Logo no primeiro minuto, a Raposa trocou passes no campo de ataque. Pela direita, Dagoberto escorou em direção à meia-lua e Lucas Silva carimbou o travessão ao desferir potente chute de fora da área. O grito de gol ficou engasgado na garganta de todos os cruzeirenses. Dono do terreno, o clube celeste se mostrava mais calmo e colocando a bola no chão. O Galo, por sua vez, tentava ligações diretas ao ataque através de lançamentos longos, mas sem muito sucesso.

Na primeira oportunidade em que procurou passar a bola de pé em pé, o Atlético assustou a torcida adversária. Aos 11, Alex Silva e Ronaldinho Gaúcho tabelaram e o lateral alvinegro bateu rasteiro para a grande área. Esperto, Samudio deve ter pensado no clichê: “bola pro mato que o jogo é de campeonato”. O corte do paraguaio foi providencial e impediu que a redonda chegasse macia nos pés de Diego Tardelli. Talvez tenha sido a única chance perigosa do Galo no primeiro tempo.

Depois de alguns minutos sem emoções, o Cruzeiro, que tinha mais volume de jogo, esteve muito próximo de inaugurar o marcador em duas oportunidades. Na primeira, aos 26, Everton Ribeiro recebeu a bola em rápido contra-ataque e perdeu gol incrível, cara a cara com Victor. O toque por cobertura passou à direita da baliza. Depois, Júlio Baptista ganhou no corpo a corpo de Alex Silva e, de dentro da área, exigiu ótima defesa de Victor. O Galo respondeu aos 29: Jô recebeu passe pela direita e tocou por cima de Fábio. Contudo, a bandeira do auxiliar Alessandro Rocha de Matos já estava corretamente levantada.

Mesmo chutando menos do que poderia, o Cruzeiro seguiu dominando as ações. Tocava com calma, sem pressa e tinha os habilidosos Dagoberto e Everton Ribeiro como jogadores mais perigosos. Por outro lado, a marcação do Atlético era frouxa, ineficaz e oferecia espaços. Os 10 últimos minutos da etapa inicial se resumiram a ataque azul e branco contra defesa alvinegra. Em uma das finalizações, Júlio Baptista virou linda bicicleta e parou nas mãos de Victor. Depois, Dagoberto levou a bola para o pé direito e também foi bloqueado pelo arqueiro do Galo. Apesar disso, o primeiro tempo terminou empatado: 0 a 0.

Polêmica no fim do segundo tempo

O técnico Paulo Autuori não ficou nada satisfeito com o poder de criação do Atlético no primeiro tempo. No intervalo, ele mexeu no esquema tático da equipe: substituiu Guilherme por Fernandinho e retornou ao habitual 4-2-3-1. Em contrapartida, o Cruzeiro voltou com a mesma equipe e começou melhor o segundo tempo. Aos três minutos, Everton Ribeiro tabelou com Ceará e bateu de fora da área. Victor rebateu para o lado. Pouco depois, os cruzeirenses voltaram a ficar com o grito de gol preso no peito. Júlio Baptista tocou rasteiro, Everton fez o corta-luz e Ricardo Goulart, na entrada da área, chutou de primeira ao lado.

A tônica do segundo tempo seguiu idêntica à do primeiro: Cruzeiro com mais volume de jogo e Atlético cedendo espaço demasiado. O armador Everton Ribeiro estava endiabrado. Carregava a bola, driblava e infernizava seus marcadores. Mas as finalizações, entretanto, continuavam erradas. O problema do time celeste era o último passe. Já o Atlético permanecia com dificuldades na marcação. Pierre, já amarelado, era facilmente envolvido e não conseguia sair jogando com qualidade. Acabou substituído por Claudinei. Preocupado com a criação, Paulo Autuori ainda colocou Neto Berola na vaga de Michel, mas não surtiu tanto efeito. O quarteto ofensivo do Galo, formado por Ronaldinho, Diego Tardelli, Jô e Fernandinho, continuou apagado.

O excesso de erros do Cruzeiro no ataque quase custou o título no fim do confronto. Num lance de ataque do Atlético, aos 43, Jô recebeu passe na entrada da área e, em dividida com Dedé, foi ao chão. Desesperados, os alvinegros foram reclamar com o auxiliar Fábio Pereira a marcação de um pênalti. Contudo, apenas o impedimento estava assinalado. Com o objetivo de segurar o empate, o clube estrelado se fechou todo atrás da linha da bola. O Galo insistiu nas jogadas pelo alto, mas todas acabaram cortadas pelo sistema defensivo cruzeirense. Festa estrelada no Mineirão e gritos de campeão mineiro após duas conquistas consecutivas do rival.

 Nota da redação: o lance é polêmico, e mesmo com as imagens mostradas por diferentes ângulos, fica difícil cravar se houve ou não impedimento. No momento da transmissão ao vivo da partida pela TV Globo Minas, o comentarista de arbitragem e ex-árbitro Márcio Rezende de Freitas afirmou que a arbitragem errou porque não havia impedimento, e consequentemente o pênalti teria que ser assinalado.

Kalil chama bandeira de gângster

Depois do tumultuado fim do clássico decisivo do Campeonato Mineiro, no qual o empate sem gols garantiu o título ao Cruzeiro, neste domingo, no Mineirão, houve muita reclamação do lado atleticano por causa de um suposto pênalti do zagueiro Dedê sobre o atacante Jô, em que a arbitragem assinalou impedimento do alvinegro. O presidente do Galo, Alexandre Kalil, entrou no campo e extravasou toda raiva no trio comandado pelo gaúcho Leandro Pedro Vuaden.

“Ladrão, filho da p., trio de gângster, vagabundo, vai ver na televisão, seu vagabundo”, xingou o mandatário do Atlético, se dirigindo ao assistente Fábio Pereira, que apontou o impedimento no lance em que Jô teria sido tocado por Dedé na área. “É por isso que na Libertadores nós ganhamos, porque essa gangue não entrou em campo”, continuou o dirigente.

O lance ocorreu já no fim do clássico,aos 43min, quando Jô recebeu de Neto Berola e caiu na área em disputa com Dedé. O árbitro parou o jogo de forma imediata, dando a sensação de que o pênalti estava marcado. Mas Vuaden seguiu a indicação do auxiliar e confirmou o impedimento do atacante. Os jogadores do Galo correram para cima do juiz e do bandeira, com Diego Tardelli reclamando de forma intensa.

Com o apito final, os jogadores reclamaram com o árbitro e o presidente atleticano entrou em campo para protestar. O Cruzeiro conquistou o título da edição de número 100 do Campeonato Mineiro com dois empates, ambos sem gols. O time celeste se beneficiou por ter feito melhor campanha na fase de classificação.

Cruzeiro 0 x 0 Atlético

13/04 – Mineirão – 16h
A: Leandro Pedro Vuaden (FIFA/RS)
A1: Fábio Pereira (FIFA/TO)
A2: Alessandro A. Rocha de Matos (FIFA/BA)
4ºA: Wagner dos Santos Rosa (CBF/RJ)

Cruzeiro: 1-Fábio, 2-Ceará, 26-Dedé, 4-Bruno Rodrigo, 21-Samúdio, 16-Lucas Silva, 8-Henrique, 17-Everton Ribeiro (7-Tinga, aos 44’2T), 28-Ricardo Goulart (25-Willian, aos 37’2T), 10-Julio Baptista e 11-Dagoberto (5-Souza, aos 28’2T). Técnico: Marcelo Oliveira

Atlético: 1-Victor, 2-Michel (23-Neto Berola, aos 28’2T), 3-Leonardo Silva, 4-Otamendi, 5-Pierre (15-Claudinei, aos 28’2T), 6-Alex Silva, 7-Jô, 8-Leandro Donizete, 9-Diego Tardelli, 10-Ronaldinho Gaúcho e 17-Guilherme (11-Fernandinho, no intervalo). Técnico: Paulo Autuori

Cartões Amarelos:
Cruzeiro: 21-Samúdio, 17-Everton Ribeiro e 11-Dagoberto
Atlético: 2-Michel, 5-Pierre, 8-Leandro Donizete e 23-Neto Berola

 

Texto principal: www.superesportes.com.br

Ficha técnica: site da Federação Mineira de Futebol

Nota da redação: Toque de Bola

Foto: Alexandre Guzanshe – EM-DA Press


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