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28/12/2013 | 14:12

Erro de digitação ou de matemática?

“Portuguesa é punida novamente no Tapetão e salva o Flu”

Foi a manchete do dia 27 de dezembro em boa parte dos sites e do dia seguinte em muitos jornais.

A novela extra-campo de fim de ano na divisão principal do futebol brasileiro acabou provocando muito mais que uma uma simples discussão entre torcedores.

Terminamos o ano falando sobre os dirigentes de clubes e seu amadorismo num futebol pseudo-profissional, da fragilidade ou legitimidade das suspensões previstas no Código de Justiça do esporte nacional, e aqui, da parcialidade de profissionais e veículos de imprensa que, em tese, devem ser formadores de opinião. Não deformadores.

De nossa parte, aguardamos o segundo julgamento para manifestar nossas impressões sobre o tema. Vamos lá.

Qual é o fato “frio”? Flamengo e Portuguesa escalaram, embora em situações diferentes, atletas irregulares na última rodada da competição e foram punidos por unanimidade, 13 a 0, considerando cinco votos do primeiro e oito do segundo julgamento.

Qual a consequência, no aspecto jurídico? Os dois clubes não têm qualquer possibilidade de perdão na análise fria da lei.

Com isso, o Fluminense e o Flamengo escapam da segunda divisão, AMBOS por decisão judicial.

Nos dois julgamentos, caso somente a Lusa fosse absolvida e o clube da Gávea punido, o rebaixado seria o Flamengo, e não o Fluminense.

Volta à manchete: “Portuguesa é punida novamente no Tapetão e salva o Flu”

E volta o questionamento: erro de digitação ou de matemática?

No meu teclado, o “a” está longe do “u”. E na minha calculadorinha, a conta não bate.

Quais são as revelações que antecederam os dois julgamentos entre os clubes que infringiram o regulamento?

A Portuguesa alega que, em telefonema, o advogado terceirizado informou ao clube que Heverton teria sido punido com um jogo, apenas, já cumprido. O advogado garante que informou o contrário. A Comissão Técnica do clube revelou que não tinha conhecimento sequer que haveria julgamento de Heverton.

O Flamengo oficialmente repudia a permanência do rival carioca na Série A. Alega princípios, ética, tudo aquilo que quase todos nós defendemos. Dias mais tarde, “vazam” e-mails entre advogado e departamento de futebol do clube onde há clara confissão de culpa, em que se admite, internamente, o erro na escalação de André Santos contra o Cruzeiro.

Parênteses: o jornal Lance! publica no dia do jogo Fla x Cruzeiro que André não tem condições de jogo porque foi punido no julgamento da véspera.

Estes são os fatos concretos tornados públicos. No mais, somente especulações não comprovadas.

E qual o cenário na maioria da imprensa, desde a divulgação da irregularidade?

O Fluminense, sempre ele, vai virar a mesa mais uma vez e se livrar fora de campo da incompetência técnica demonstrada nas quatro linhas. O Flu, sempre ele, vai ser beneficiado por decisões extra-campo, vilão que sempre foi, malfeitor e cruel diante dos ingênuos e honestos administradores dos demais clubes e das entidades do Brasil e quiçá do mundo.

Qual o fato tornado público sobre o Fluminense antes da noite de terça-feira, dia 10, quando partiu a informação das irregularidades dos dois clubes? Houve uma entrevista coletiva do presidente, na tarde do mesmo dia, uma espécie de mea culpa do dirigente. Uma confissão pública de alguém que despencou de cartola campeão a rebaixado em tempo recorde.

A disparidade do tratamento de parte da imprensa diante dos poucos fatos revelados pela própria imprensa é algo preocupante, sim.

Envolver – e eleger – somente um clube como o grande câncer de todos os males, e citar fatos do passado para cravar que é culpado hoje pelo que fez (ou teria sido beneficiado) ontem é uma atitude incorreta, parcial, perigosa, discriminatória e incitadora de violência.

Parte da imprensa simplesmente passou a esculhambar o Fluminense e manifestar uma defesa e uma simpatia pela Portuguesa que nunca vimos ou ouvimos falar.

Ou é jogar para galera, ou é defesa de outros interesses ou é um pouco de cada coisa. Claro, houve comentários equilibrados, sim, contra e a favor.

Enquanto não se esclarecer o que houve internamente na conduta suspeita da Portuguesa, ou de pessoas ligadas ao clube paulista, fora de campo, é leviano cravar qualquer coisa.

Excluir o Flamengo do questionamento por ser um clube de massa e “amigo da mídia” também é, no mínimo, “cômodo” e menos perigoso.

Não estamos discutindo mais o que houve em campo. O Fluminense foi rebaixado em campo, sim. Isso nem se discute mais. Ocorre que como a discussão passou a ser o extra-campo, cabe, como única alternativa, apurar as circunstâncias em que ocorreu esse nebuloso extra-campo.

Até que isso ocorra e se torne público, o festival de leviandades prossegue.

Não há mocinhos nessa história. Mas o vilão já foi condenado e assassinado no primeiro capítulo do filme. Os julgamentos surgem como flash back.

 

 

 

 

 

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