09 abr 2018

Eduardo Batista é ouro regional na bocha paralímpica: “Mamão com açúcar”



 

Eduardo Batista demonstra calma em todas as situações e conquista medalha de ouro

  Foi de arrepiar a conquista da medalha de ouro de Eduardo Batista, aluno do programa “JF Paralímpico”, da Secretaria de Esporte e Lazer (SEL), da Prefeitura de Juiz de Fora (PJF), no Campeonato Regional Leste de Bocha Paralímpica, disputado em Colatina (ES) e encerrado no último dia 30.

  “Mamão com acúçar” foram as palavras dele, para definir o feito, assim que o primeiro lugar se concretizou e os familiares e professores que o acompanhavam  vibraram muito, emocionados e orgulhosos da façanha.

  Eduardo viajou ao lado de Gonçalves de Ávila, Mariana Telles, Sávio Samuel, Taíza Gabriel, Wendel Alves e das professoras/técnicas Adriana Guarino e Ivana de Barros, rumo a Colatina, no Espírito Santo, onde, nos dias 29 e 30 de março, formaram a equipe local. Ao todo, 50 alunos e 11 equipes/entidades dos estados do Rio de Janeiro, Espírito Santo e Minas Gerais participaram do evento.

  Aos 26 anos, Eduardo, que fazia sua estreia em competições oficiais, foi campeão pela categoria BC2, onde o atleta apresenta quadro de paralisia cerebral, mas nenhuma ajuda de auxiliar é permitida.

“Quando ele foi campeão, não aguentei…”

Adriana Guarino, José Barbosa e Ivana Barros: as professoras e o pai vibram junto com Eduardo

 “Eu sabia que os outros meninos eram bons, mas eu estava confiante”, completou o campeão.

  José Barbosa, pai de Eduardo, que encarou 15 horas de viagem para acompanhar o filho, não se conteve: “A maioria da torcida era para os adversários. Eu olhava para o Eduardo e não sabia como ele aparentava estar tão calmo. A medida que ele avançava na competição, eu ficava mais tenso. Quando ele foi campeão, não aguentei… Chorei apenas duas vezes na minha vida: quando ele nasceu e agora, quando vi ele com a medalha”.

 O feito de Eduardo, que desbancou favoritos na modalidade, rendeu a terceira colocação geral para a equipe do “JF Paralímpico”, e ajudou a consolidar o programa como referência na região. Agora, o campeão volta à sua rotina de treinamentos, às quartas e sextas-feiras, no ginásio da SEL.

  Depoimento 

 A pedido do Toque de Bola, a professora Ivana Barros, da SEL, contou detalhes da trajetória de Eduardo e dos bastidores do ouro alcançado em terra capixaba.

  Confira o depoimento de Ivana Barros ao Toque de Bola. Ela e Adriana Campos Guarino são as professoras responsáveis pelo projeto:

“O Eduardo começou a praticar a bocha Paralímpica em 2014, no ginásio da SEL. É uma modalidade criada para pessoas com paralisia cerebral, distrofia muscular, lesão medular, má formação, entre outras doenças, que utilizam cadeira de rodas.

 Os atletas são divididos em quatro classes funcionais, que variam de acordo com o grau de deficiência e com o tipo de deficiência: BC1, BC2, BC3 e BC4.

 Todos os anos, a equipe de Bocha Paralímpica do Programa JF Paralímpico, da SEL de Juiz de Fora, participa do Regional Leste de Bocha Paralímpica, que é disputado em cidade previamente escolhida e tem como participantes equipes do Estado do Rio de Janeiro, Espírito Santo e parte de Minas Gerais (Juiz de Fora e Belo Horizonte)

 Esse é o primeiro Regional que o Eduardo participa, e já trouxe para cidade a medalha de ouro na classe BC2, garantindo uma vaga para o Campeonato Brasileiro de Bocha Paralímpica, programado para dezembro, em São Paulo, junto com os três primeiros lugares da classe dele, de todos os outros Regionais.

  Pegamos um ônibus para Vitória (de linha) dia 28 às 20h30, chegando lá às 7h (manhã) do dia seguinte. Depois a ANDE disponibilizou outro ônibus até Colatina, onde chegamos por volta de meio-dia do dia 29. 

  No congresso técnico, são conferidos o número de atletas participantes de cada classe (a BC2 tinha 17) e montam-se as chaves.

  O Eduardo teve um jogo no primeiro dia, na sexta, e outros dois no sábado pela manhã, sagrando- se o primeiro colocado do grupo dele. Foi para as oitavas de final e ganhando todos os jogos. Nas quartas-de-final, enfrentou um atleta do Rio que participou como atleta da Seleção Brasileira nas Paralimpíadas Rio 2016 – era o atual campeão do regional de 2017.

Atletas e professores que representaram Juiz de Fora na competição em Colatina (ES)

E ele ganhou fácil. Como ele mesmo disse, “mamão com açúcar!”

Foi para a final Eu e Adriana não acreditando!!! Ele muito calmo, muito sereno, encaixando cada bola no momento certo. Colando na branca (essa gíria a gente usa na Bocha…#colanabranca)

Foi para a final com um outro atleta do Rio, que também já fez parte da Seleção Brasileira de Bocha, experiente, toda a equipe nervosa e muito feliz com o resultado! A prata já estava garantida. Esses jogos foram todos no sábado à tarde. Além dos dois pela manhã, foram três à tarde.

  Ele foi lá, com toda calma, tranquilidade,  um jogo com muita emoção, pois na última parcial (são quatro parciais cada jogo) o adversário pediu para ele chegar a cadeira para trás (isso é permitido no jogo) e simplesmente o Eduardo não conseguia voltar com a cadeira para o lugar. Desespero total do lado de fora da quadra, ele deu uma volta de 360 graus, na cancha dele (casa) e voltou de frente para o jogo e fez o último ponto da partida!

Muita emoção, de toda a equipe, do pai do Eduardo, Sr. Barbosa, que foi acompanhando o filho como staff e é ele quem leva o filho nos treinos também.

E vem o Eduardo da quadra, calmo, tranquilo, sereno.  Acho que ele ainda não tinha o conhecimento da dimensão do feito dele! Primeiro Regional, ganhou do atual campeão, que jogou nas Paralimpíadas, ganhou de um outro que também fez parte da seleção brasileira. Para ele, nada disso importava. Perguntei a ele: “E aí, Dudu, como foi?” A resposta veio calma e tranquila: “Foi fácil, mamão com açúcar”.

Com a medalha do Dudu, nossa equipe ficou em terceiro lugar por equipes, entre 11 participantes. Um feito para nós, que muitas vezes treinamos com material dos próprios alunos. 

 Esperamos que com essa conquista a medalha de ouro e o terceiro lugar por equipes, nosso trabalho seja mais valorizado, tenha mais visibilidade na cidade e região, pois queremos divulgar o quanto pudermos!

  É um projeto que oferece gratuitamente atividades físicas para pessoas com deficiência, em 6 modalidades (Bocha Paralímpica, Goalball, Natação, Atletismo, Polybat e Futebol). As pessoas não conhecem, não sabem que na nossa cidade existe esse projeto.

  Que com esse resultado apareçam mais investimentos, patrocínios, parcerias, para que possamos trazer mais vitórias para nossa cidade! É o nome de Juiz de Fora que é divulgado.

Comissão técnica: Adriana Helena Campos Guarino e Ivana de Barros.

Alunos (e staff): Eduardo Batista de Araújo – Sr. Barbosa, Mariana Liparini da Cunha Teles, Luciane Liparini, Sávio Samuel Salino Jorge – Natalina Maria Pereira, Taísa Gabriel da Costa,  Leonina Costa, Wendell Alves da Silva, Gonçalves Domingos de Ávila e Inara Silva”.

 

Texto: Toque de Bola

Depoimento: Ivana Barros

Fotos: Divulgação e Arquivos Pessoais

Informações complementares: SEL

 


Voltar

Deixe uma resposta


Mais notícias



18 abr 2018

Pelo sonho do futebol, Luiz Gustavo finca pé (e mãos) em Portugal


16 abr 2018

Secretário de Esporte e Lazer destaca representatividade do Panathlon Club JF


09 abr 2018

Torneio Panathlon “nota dez” de Futebol Sênior: resultados e classificação

Notícias


21 abr 2018

Gol de Adê, 43 anos, aos 43 minutos! Baeta vence e sobe


19 abr 2018

Baeta confiante para buscar o “combo”: vitória, acesso e vaga na final


19 abr 2018

Futsal: Léo Aleixo vibra com títulos e adaptação da família na Bélgica


18 abr 2018

Pelo sonho do futebol, Luiz Gustavo finca pé (e mãos) em Portugal


+ notícias

Toque de Bola


O primeiro portal exclusivo de esportes de Juiz de Fora cresceu rápido! Lançado oficialmente em janeiro de 2011, o Toque de Bola conquistou milhares de seguidores também nas redes sociais. Estamos no Instagram, no face, no Twitter. Informação dinâmica, com credibilidade e agilidade.

Desenvolvimento




Acesse

error: Conteúdo protegido.