12 out 2017

Especial Toque de Bola! Ex-Tupi e Baeta, Hudson mostra personalidade e brilha no Cruzeiro



   

MG – COPA DO BRASIL/ Foto: RODNEY COSTA/ELEVEN/ESTADÃO CONTEÚDO

– Rapaz, como está jogando esse Hudson!

   – Ele não é daqui de Juiz de Fora? 

   – Acho que é. Vi uma foto dele garoto ainda, pelo Tupi.

   –  Não foi ele que passou pelo Santos?

     Esse diálogo foi ouvido em muitas partes da cidade, principalmente na final da Copa do Brasil.

    Sim, é verdade.  Um dos jogadores em maior evidência hoje no futebol brasileiro é de Juiz de Fora e já defendeu, na base, o Tupi e o Tupynambás, dois centenários clubes locais que ainda hoje sobrevivem no futebol profissional. O apoiador Hudson Rodrigues dos Santos, filho de Antônio e Cida, foi uma das principais peças na conquista da Copa do Brasil pelo Cruzeiro.

    Titular absoluto, com ótimos números e regularidade, marcou um gol de cabeça nas semifinais diante do Grêmio, forçando os pênaltis que acabariam classificando a Raposa.

    Na segunda partida da final, diante do Flamengo, voltou a brilhar. Quando a bola parecia queimar até os pés de jogadores mais experientes, apareceu para o jogo, deu lençol, acertou passes e converteu uma das cinco penalidades máximas que proporcionaram o título celeste.

Hudson, em entrevista coletiva, fala sobre permanecer no Cruzeiro ou voltar ao São Paulo

 Encerrada a Copa do Brasil, mantém a boa forma no Brasileiro. No último sábado, no Mineirão, partiu dele o chute que provocou rebote do goleiro Aranha e abriu o caminho da virada sobre a Ponte Preta por 2 a 1.

  Na noite desta quarta, o time de Mano Menezes derrotou o Grêmio em Porto Alegre (1 a 0), nova demonstração de força da equipe, que não se acomodou com as faixas da Copa do Brasil.

  Na segunda-feira, em entrevista coletiva, foi bastante questionado sobre o futuro.Com o passe preso ao São Paulo, disse que gostaria de permanecer na Raposa para a Taca Libertadores, mas não veria problemas caso o tricolor paulista negocie a sua volta.

 O Toque de Bola conversou com Hudson, com um grande amigo dele, Felipe, e alguns de seus treinadores nas categorias de base.

  Cléber Anibal, o Binha, até hoje na base do Tupi, contou ao Toque que Hudson atuava como zagueiro. Quando a equipe precisava reagir, muitas vezes ele deslocava o então zagueiro para o meio-campo. “Num jogo contra o Villa Nova, em Nova Lima, o Tupi perdia por 2 a 0. Adiantei o Hudson e ele marcou dois gols. Acabamos vencedor por 3 a 2”, lembra Binha, com brilho nos olhos.

  Rogério Passos também tem ótimas recordações do garoto da base. Ele lembra com especial carinho de uma equipe formada num torneio já extinto, de nome Criança Esperança. Hudson brilhou e o time, que misturava talentos do Tupi e de Piau, fez história.

   O próprio Hudson dá detalhes da carreira: 

   “No futsal joguei no Olímpico, Bom Pastor e Vianna Júnior. No futebol de campo Tupi e Tupynambás. Com 15 anos cheguei a treinar nos profissionais do Tupi, por uns dois meses, pulando a parte do júnior, mas logo voltei a treinar no time juvenil. Depois, em 2005, migrou toda a base do Tupi para o Tupynambás, e lá fiquei dois meses, saindo para jogar o Campeonato Paranaense Juvenil, num time chamado Tupã. Ao término do Paranaense, fui para o Astral, outro time de Curitiba, disputar o Metropolitano Juvenil, quando fiz meu primeiro contrato profissional. Após seis meses, fui para o Santos por empréstimo, já no início de 2006. Após oito meses de empréstimo, o Santos comprou meu passe e assinou comigo por três anos, com renovação automática de mais dois, e assim seguiu minha carreira.” (hoje Hudson tem o passe preso ao São Paulo)

  O destaque do futebol brasileiro confirma que toda a família é de Juiz de Fora – pais, irmãos, tios, avós e o filho mais novo, Enzo, que mora com a ex-esposa. “Sempre que posso vou a Juiz de Fora”.

  Sobre a repercussão que suas atuações alcançaram nesta temporada, o apoiador demonstra a humildade característica: “No futebol como na vida, trabalhamos para alcançar sucesso e realização profissional sempre. Então o que vivo hoje acredito que seja por persistência e trabalho, não deixar de acreditar nunca, e procurando melhorar sempre.”

   Alguma superstição? “Não sou muito supersticioso, mas tenho minhas manias de entrar com o pé direito, de ver as fotos dos meus filhos antes do jogo, de falar com meus pais sempre”

 O amigo Felipe Mendes que jogava com Hudson na base carijó, conta mais detalhes do início de carreira do garoto Hudson: 

Hudson com o amigo Felipe

“Começamos a jogar juntos futebol de campo no Tupi há mais de 20 anos. No futsal eu treinava no Olímpico e ele no Francisco Bernardino. Depois de um amistoso entre os dois times, ele foi convidado a ir para o Olímpico e a partir daí passamos a jogar no mesmo time também no futsal. Disputamos vários campeonatos na cidade, um campeonato mineiro e um brasileiro. Depois disso jogamos outro campeonato mineiro pelo Mangueira, de São João Nepomuceno, e mais um pelo Clube Bom Pastor. No futebol de campo jogamos juntos sempre pelo Tupi, disputamos vários campeonatos fora de Juiz de Fora e campeonatos Mineiros, ganhando inclusive do Cruzeiro, que na época tinha Thiago Heleno e Kerlon.

   O Hudson sempre foi um jogador muito concentrado dentro de campo/quadra. Me lembro que joguei algumas vezes contra ele no futsal, eu jogando pela Academia e ele pelo Colégio dos Santos Anjos ou pelo Vianna Jr. Durante o jogo é normal você conversar ou fazer uma brincadeira quando a bola está parada ou algo do tipo. Me lembro que todas as vezes eu chegava perto dele e fazia alguma brincadeira, ou falava alguma besteira, ele nem dava ideia, parecia que nem me conhecia… (risos), ficava completamente concentrado na partida. Outra característica que ele sempre demonstrou era a tranquilidade dentro de campo/quadra, principalmente nos momentos mais difíceis dos jogos. E por fim, destaco que ele sempre foi de chamar a responsabilidade, não se escondia do jogo e crescia muito nas partidas decisivas.

   Ele saiu de Juiz de Fora no início de 2005, e foi pra uma equipe chamada Tupã, que fica em Almirante Tamandaré, região metropolitana de Curitiba. Ainda na capital vestiu a camisa de outro clube até o início de 2006, o Astral. Depois disso houve a transferência para o Santos, onde fez sua primeira partida como profissional. Porém acabou não tendo muitas oportunidades e passou por alguns times de menor expressão, até que em 2014 fez um excelente campeonato paulista pelo Botafogo de  Ribeirão Preto e chamou a atenção do Muricy Ramalho, que o levou para o São Paulo.

   Felipe conta que também ficou por pouco de ser um jogador profissional:

“Cheguei a me profissionalizar em 2006 no Olaria, do Rio de Janeiro, quando ainda era da categoria júnior. Porém, depois de quase um ano no clube, acabei voltando pra Juiz de Fora. Fiz alguns treinos no Tupi, mas não houve um acerto com a diretoria da época. A partir daí decidi largar o futebol e voltar aos estudos.”

   E o sucesso agora do amigo?

  “É um momento muito especial. Por morar em Belo Horizonte tenho estado muito próximo do Hudson desde que ele chegou ao Cruzeiro. E é muito bacana poder acompanhar de perto esse reconhecimento tanto por parte da torcida, como do clube e imprensa. E realmente ele jogou muito bem, não só a última partida como os dois jogos contra o São Paulo, na semifinal contra o Grêmio, em que ele fez o gol que levou a decisão para as penalidades. Enfim, foram grandes atuações que acabaram coroadas com o penta campeonato.

Bastidores da final

Com pais e amigos, Hudson comemora conquista da Copa do Brasil no gramado do Mineirão; Ele marcou um dos gols nas penalidades máximas

  Conversei com ele na quarta-feira pela manhã, ele estava bem tranquilo e me disse que se a disputa fosse para os pênaltis muito provavelmente ele bateria. Cheguei bem cedo ao Mineirão e o clima era excepcional. Apesar de ser flamenguista, deixei minha paixão pelo clube de lado e naquela noite eu me tornei um verdadeiro cruzeirense. Assisti ao jogo ao lado de amigos de São Paulo e um casal de Juiz de Fora. Quando o tempo regulamentar terminou empatado a tensão tomou conta do Mineirão. Como havia conversado com o Hudson pela manhã, tinha certeza que ele seria um dos cobradores, avisei aos meninos e o nervosismo aumentou ainda mais. Mas a confiança era maior e tínhamos certeza de que ele converteria o pênalti e o Cruzeiro se sagraria campeao. E assim aconteceu! Quando o Thiago Neves converteu a última cobrança, o Mineirão explodiu em felicidade! Nos abraçamos e a emoção tomou conta! Ter um grande amigo campeão de um dos campeonatos mais importantes do País é algo extraordinário! Para completar tivemos a oportunidade de entrar em campo e comemorar com ele. Tiramos fotos com a medalha, com a taça e com vários outros jogadores. Não queríamos ir embora, ficamos no campo até as luzes se apagarem e o sistema de irrigação do gramado ser acionado. Enfim, uma noite que ficará para sempre em nossas memórias!

Binha e uma foto de Hudson garoto com o pai, na base do Tupi

 

 

 

 

Entrevista com Cléber Anibal, o Binha, 46 anos, 23 de Tupi, treinador de Hudson na base Carijó.

  Como foi a sensação de ver um menino que passou pela base do Tupi sendo campeão da Copa do Brasil com destaque, fazendo gol de pênalti e com uma boa atuação?

  Para mim é uma satisfação muito grande falar do Hudson, um garoto que iniciou com a gente aos 8 anos de idade, começou no futsal e hoje joga no futebol. Começou aqui como os outros garotos, ninguém imaginava que ele poderia chegar longe aonde ele está, e nós ficamos satisfeitos com isso porque ele dá glorias para a gente e para todas as equipes do Brasil.

Ficou emocionado no dia da final?

  Muito emocionado, eu sou flamenguista mas eu torci muito por ele, o Hudson pode jogar contra qualquer time que eu sempre estarei torcendo por ele.

  No final de temporada, com o futebol profissional tendo sucesso ou não, o torcedor sempre pergunta sobre o futebol de base do Tupi, não tem um time no campeonato mineiro júnior. Você que está entre idas e vindas há mais de vinte anos no clube também tem esse sentimento que o Tupi poderia ter uma base mais estruturada, para revelar jogadores e também para o time profissional não ficar a todo momento tendo que recorrer a muitos jogadores a cada temporada?

Com certeza. Nós trabalhamos aqui há uns vinte anos no clube, o problema maior nosso são as dificuldades que não deixam a gente lançar um jogador no profissional e para as competições a nível de mineiro, nacional e internacional, competições que dão experiência ao jogador, mas eu acredito que com o trabalho da diretoria e desempenho, nós vamos conseguir por mais jogadores no profissional.

Rogério com a “camisa-relíquia” do garoto juiz-forano que agora brilha no cenário nacional

Entrevista com ROGÉRIO PASSOS, também treeinador de Hudson na base

Tive o prazer de trabalhar com o Hudson desde muito novo, ele passou com o Binha, e depois veio para minha mão. Era uma época em que eu tinha uma das melhores equipes de Juiz de Fora, na categoria infantil, onde eu tinha um time 88 – ano em que ele nasceu – que ganhava tudo. Inclusive nós fomos campeões regionais da Primeira Copa Criança Esperança. Na época houve até uma polêmica onde eu e o Léo Condé tivemos que ir a Piau, pedir pra disputar com o nome deles, e na época ficou Tupi/Piau. Porque já tinha um representante de Juiz de Fora. E pela boa equipe que tínhamos, fizemos isso, e fomos a Uberlândia. Tenho fotos com o Hudson, ele pequenininho. É gratificante. Logo depois, quando saí do Tupi, fui para o Tupynambás, e tivemos o prazer de ir com essa mesma equipe, e lá ter sucesso no primeiro ano. O pessoal até se espantou, como o Tupynambás estava parado há muito tempo, e chegou logo ganhando. Mas expliquei que como veio uma equipe montada, com o Hudson junto, nós fomos campeões da Liga de Futebol naquela época.

Desde novo, sempre foi um jogador de muita personalidade, não tinha medo de jogar, e sempre era aquele jogador mais ousado. Às vezes ele questionava: ‘Poxa, eu jogar de zagueiro?’, ‘eu quero sair pro jogo’. Ele sempre teve essa característica. E agora a maior que eu sempre tive nele, e que hoje isso já está demonstrado para todos, essa personalidade de sair para o jogo, de não ter medo de jogar. Com isso ele só tem tido sucesso no que está fazendo.

Tem uma boa história sim, ele até não fez gol, mas foi o líder de uma equipe lá no sul de Minas, onde jogamos contra o Colo Colo do Chile, era um torneio de grande cunho. Uma espécie de “Copa Mundial” da época. Esse time do Chile tinha ganho do Grêmio e nós ficamos quase quatro horas idealizando o que iríamos fazer naquele jogo. Optei por uma marcação homem a homem, porque eles tinham jogadores rápidos, que se deslocavam muito rápido. E nesse jogo o Hudson foi primordial pela liderança dele, fez com que todo o grupo se dedicasse ao extremo para que a gente chegasse e conseguisse ganhar do Colo Colo de 1 a 0. A TV na época foi a campo para ver o Colo Colo, e acabou vendo o Tupi naquele dia, com o Hudson presente.

  A camisa de presente  

Não foi a camisa do título, foi antes do título. Até pedi a ele, porque o clube de coração é o Flamengo. Falei “ó, manera”. E tenho o máximo prazer, porque fui a Belo Horizonte, liguei pra ele – porque sempre que mando uma mensagem, ele manda de volta – aí ele me recebeu na casa dele, ficamos lá os dois batendo papo, relembrando. E me presenteou com uma camisa autografada por todos os jogadores, isso antes da final. E também uma chuteira para um garoto que temos no Cruzeiro, o Igor Cesário, zagueiro da categoria infantil, que também é de Juiz de Fora, que pertence ao Sport Club de Juiz de Fora. E ficou numa felicidade imensa, porque o Hudson pegou uma chuteira novinha dele e deu ao garoto. Só tenho a agradecer ele, e que continue sendo essa pessoa humilde, simples e objetiva.”

Entrevista com BETO NUNES, técnico de Hudson no futsal do Colégio dos Santos Anjos

Hudson na equipe do Colégio dos Santos Anjos

Realmente o HUDSON 25, atleta do Cruzeiro, foi nosso aluno e do Colégio dos Santos Anjos  Nos anos de 1999 e 2000, quando cursava a sexta e sétima séries do Ensino Fundamental aos 11/12 anos de idade….Hudson é nascido em 1988…Ele aos nove, dez anos atuava nas equipes pré-mirim de Futsal e Campo do Tupi, quando mantive contato com o pai dele, espetacular pessoa, e o convidei para estudar no colégio e participar de nossas equipes de competição. Ele veio estudar e treinar nas nossas equipes e participamos de vários campeonatos estudantis e competições da Liga de Futebol e a Copa Prefeitura Bahamas, por exemplo

   
   No ano de de 2002 ele esteve em BH atuando na equipe mirim do América Mineiro no Estadual. 
 
Nome: Hudson Rodrigues dos Santos
Posição: Meio-campista
Nascimento: 30/01/1988, em Juiz de Fora-MG
Altura: 1,79m
Peso: 73 kg
Jogos: 36
Gol: 3
Clubes: Santos (2006-08), Santa Cruz (2009), Ituano (2009), Red Bull Brasil (2010), Comercial (2011-2012), Oeste (2012-2013), Brasiliense (2013), Botafogo-SP (2014), São Paulo (2014-2016) e Cruzeiro (desde 01/2017)
Títulos: Campeão Brasileiro da Série C, pelo Oeste, em 2013 e campeão da Copa do Brasil 2017
Prêmio: Melhor volante do Campeonato Paulista de 2014
 
Reportagem e texto: Ivan Elias – Toque de Bola
 
Fotos: arquivos pessoais dos treinadores e amigos de Hudson e pesquisa, site oficial do Cruzeiro 
 
Edição: Toque de Bola

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