24 set 2017

Aílton se emociona e não define permanência: “Estou disposto a ouvir proposta”



   A vitória veio, o time contou com o apoio dos torcedores e jogou bem, vencendo o Fortaleza por 1 a 0. Mas não foi o suficiente para avançar. Além do Fortaleza, o Tupi teve que enfrentar mais alguns adversários: o trio de arbitragem. O Carijó teve a seu favor um pênalti não marcado, quando o cruzamento de Bruno Santos tocou na mão do defensor rival, e um gol mal anulado, de Ítalo, no segundo tempo. Esses erros revoltaram todos do clube após a partida, já que influenciaram no resultado e o destino do jogo – e da temporada – poderia ter sido diferente.

  O treinador Aílton Ferraz criticou as decisões da arbitragem, mas preferiu não se alongar no caso. Ele agradeceu ao grupo de jogadores, a torcida que fez uma bonita festa e todos que tiveram participação na campanha. Chegou a se emocionar em um momento da entrevista coletiva. 

   Depois de ele mesmo admitir a possibilidade de não renovar contrato, que termina em outubro, o Toque de Bola apurou que, com a valorização profissional alcançada no Tupi nesta temporada, a permanência do ex-jogador no comando da equipe é considerada improvável pela diretoria do clube.

Aílton ficou emocionado na conversa com os jornalistas

 Conversa com o árbitro

“Conheço bem o Marcelo (de Lima Henrique, o árbitro). Falei pra ele da minha tristeza com a atuação dele. Algumas faltas que ele inverteu muito. O bandeirinha muito mal posicionado. Mas fizemos o nosso papel. Esses garotos estão de parabéns. Todo mundo estava desacreditado. A gente conseguiu vender uma ideia para eles e compraram a ideia. É um grupo de guerreiros, de homens, falei do meu orgulho de trabalhar com cada um deles. Se eu me emocionar… estou falando de pessoas importantes, é difícil. Foram além do que todo mundo esperava. Caímos de pé. Espero que a arbitragem possa ver as coisas que aconteceram. Mas no todo estou muito feliz, agradecer a presidente, ao Fabinho, que brigou pra eu vir para cá, foi um cara muito importante. Eu estava um ano parado e ele acreditou em mim. Desde o Mineiro, conseguimos tirar o time faltando duas rodadas não deixar descer. E fizemos uma campanha como essa. Grupo desacreditado, sabíamos que em termos financeiros todo mundo está passando a maior luta. Agradeci muito a presidente, pois mediante as lutas que temos aí fora nosso salário está em dia. E isso é muito importante. Todo trabalhador é digno de seu salário. E ela honrou isso e facilita para que os atletas possam jogar. Fico feliz de ver o Rafael, que não jogou, comigo veio falar que gosta muito de mim, que aprendeu comigo. A gente vende ideias e, quando vê que o jogador acredita e dá certo, a gente fica muito feliz. E eu estou feliz porque caí de pé”, afirmou.

  Permanência incerta

Apesar do bom campeonato que o time fez, Aílton não sabe se fica no Tupi. O clube só volta a atuar no ano que vem pelo Campeonato Mineiro, e com seu contrato se encerrando em outubro, ele garante que está disposto a ouvir uma proposta da diretoria.

“Ninguém acreditava. Então o positivo é que a gente classificou faltando duas rodadas. O negativo nosso segundo tempo, em Fortaleza, que deu um apagão. O positivo, a partida de hoje. Eles jogaram pela família, pelo clube, pela torcida que está de parabéns. É de emocionar o que eles fizeram. Eles viram como é bom ser o 12º jogador. Gritaram o tempo todo, os jogadores se motivaram, a torcida foi fundamental. Já tinha visto o campo lotado e estava sentindo falta. Será que na minha hora não vai vou ver o estádio cheio? Eu vi cheio, a torcida vibrante. Agradeço a imprensa, tenho respeito por cada um de vocês. Agora é dar sequência. Não sei o que vai acontecer. Estou disposto a ouvir proposta. Tenho contrato até final de outubro. Saber o que vai acontecer, se a gente vai seguir um planejamento ou se vai abortar. Gosto de ficar tempos em clube acima de um ano, é o que tenho comigo. Mas vamos ver o que vai acontecer”, disse.

Confira outros trechos da entrevista pós-jogo do comandante Carijó.

Romarinho perdeu uma chance incrível quando o jogo ainda estava 0 a 0, no primeiro tempo

Duas substituições por lesão

“Atrapalhou o planejamento. Pois quando o Afonso sentiu eu ia botar um extremo, o Juninho, que era a válvula de escape, veloz. A gente estava com isso bem desenhado, mas quando ele sentiu tive que mudar os planos. Mas o Jonathan entrou muito bem, Kalu entrou muito bem. O Faísca também. É triste porque aborta um trabalho, não vai acontecer nada com o árbitro, infelizmente. Abortou um plano bonito. Mas a gente fica satisfeito com o que viu”.

Projeção para o próximo ano

“Vai ser difícil segurar esses meninos. Eles não ganham bem. E tem um monte sendo sondado. Algumas equipes me procuraram: ‘Se eu tirar vou atrapalhar?’ Pô, estou quase chegando a uma final. Mas muitos vão sair e fico feliz por isso, porque isso é fruto de um trabalho, de que eles acreditaram. Muitos atletas que não acreditaram no nosso projeto ficaram desempregados. ‘Vou ganhar pouco’, ‘não vou acreditar’, ‘não vai chegar’, ‘vai descer’. Enfim, demos a volta por cima de tudo. Espero que possam ir para voos maiores, pois são garotos especiais. Ver todo mundo chorando no vestiário é emocionante. E ver que eles viram que é possível quando se faz um trabalho sério. Superar as limitações. A gente sabe que eles têm, mas superamos com a raça, com a amizade, sendo uma família. Estou no futebol há muito tempo, mas nunca trabalhei em um grupo como esse. Às vezes estava faltando alguma coisa, salário sendo pouco. Um apertava daqui, tentava ajudar o outro. Enfim, foi muito legal, e agora espero que possam brilhar, se não foi aqui, em outros clubes”.

Papo no vestiário

“Eu agradeci a todos eles. Tenho orgulho de trabalhar com eles e isso é verdade. Não sei explicar, tipo pai e filho. E saber que cada um vem falar contigo, cara que não jogou comigo, dizer que está saindo daqui grande. O Luan, tem 18 anos, falei com ele que estava o preparando para o ano que vem, que era para ele aproveitar tudo o que ele visse de bom e que quando tivesse uma brecha iria colocá-lo. É legal ver um garoto agradecer e não jogou quase nenhuma partida, só entrou contra o Bragantino lá. É sinal de que estamos no caminho certo. Sou aquele paizão que está sempre segurando bem a viola, mas quando tem que dar a dura, chamo no particular e isso tem dado resultado. Eu falo assim: se eu passar em um clube e acontecer o que aconteceu aqui, eu queria classificar. Mas como não aconteceu, você deixar um legado. Mas não só no Tupi, mas na cidade. Tenho amigos de verdade na cidade com seis meses. Quase não fui para o Rio de Janeiro. Vivo a cidade onde estou. Adotei Juiz de Fora. Minha mulher está sempre na guerrilha comigo. Foi muito bom: bem planejado, bem feito. Perdemos em situações que não esperava e fizemos nosso papel”.

Satisfeito com o trabalho?

“Estou muito satisfeito. Sabia que uma dessa ia encaixar. Estudo demais. Tirei a ‘Licença A’ da CBF. Todo curso que tem eu faço. É um investimento caro. E procuro colocar na prática. Temos um grupo de treinadores que a gente troca muita ideia. Quando um sai e vai para outro lugar, perguntam como é lá. Tudo isso te faz crescer. Têm várias situações que o treinador não pode ficar sem estudar. Não tem jeito. Se não tiver se atualizando, fica para trás. E hoje eu estou totalmente atualizado, treinamentos onde tem situações de jogo. Tudo deu certo, agora tem que dar sequência. A tristeza foi que não conquistei nada. A gente quase chegou. O que presenteia o grupo e o trabalho do treinador é título. Sei que estou chegando perto disso. Ganhei uma Copa Rio no Resende, mas ainda vou ganhar campeonatos que representam melhor dentro do país”.

Propostas de outros clubes

“Pintaram algumas situações antes de classificarmos, para clubes da Série B. Achei que não deveria sair, não gosto de abortar trabalho. E ganhando muito mais. E falei que não iria sair. Pedi para mandar uma proposta, em papel timbrado para mostrar para o clube. Tudo para ganhar tempo. Mas não saí. Não pintou mais nada. Meu foco é esperar o que pode acontecer aqui. E se não aparecer alguma coisa que seja bem melhor, mas não falo só financeira, um projeto bom, a gente pode dar sequência aqui. Estou aberto para ouvir o que o Tupi tem para oferecer. No Mineiro cada jogo é uma decisão. Não se pode achar que vai montar coisa simples, que vai acontecer tudo de novo. Não. Montar uma coisa para chegar. O Tupi sempre chegou e tem que parar de brigar lá embaixo. A camisa do Tupi é muito forte. E mostrou no jogo de hoje e dentro do campeonato, onde ninguém acreditava e superamos tudo”.

 

 

Texto com reportagem de Patrick Alves, estagiário do Toque de Bola, edição e supervisão Ivan Elias

Fotos: Flickr Tupi – Felipe Couri e Leonardo Costa


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