31 jan 2017

Atuação ruim e apatia na estreia já deixam alerta ligado no Tupi, que não descarta novas contratações



   Desanimou. E preocupou. A estreia do Tupi no Campeonato Mineiro,com todos os jogadores devidamente regularizados no BID e à disposição da Comissão Técnica, diante do Tombense domingo, 29, no Estádio Municipal Radialista Mário Helênio, não deixa lembranças positivas ao torcedor carijó.

  Num mesmo pacote, um golzinho solitário do ex-Tupi Jonathan logo aos 5 minutos significou: perder em casa já na estreia, deixar de pontuar num torneio de apenas 11 rodadas (e apenas mais quatro partidas em casa), e ver cair uma invencibilidade – em sete encontros oficiais, foi o primeiro triunfo do time de Tombos sobre o alvinegro juiz-forano.

  Mas esse “pacote” é mais preocupante ainda por um outro dado, e o mais significativo: faltou futebol. Em nenhum momento do jogo, o torcedor teve a sensação que o gol de empate poderia sair. O goleiro do Tombense foi de fato exigido apenas uma única vez, num chute de fora da área, já depois da metade do segundo tempo.

Atacante Matheus Pato, que vinha deixando sua marca nos jogos-treinos, não encontrou espaços e também não recebeu boas assistências para finalizar

   Apatia 

   A  fisionomia dos  dirigentes na saída do vestiário demonstrava tensão. O Toque de  Bola apurou que, apesar de o treinador ter afirmado não ser o momento de achar que, pelo  resultado negativo, “está tudo errado e que os jogadores não têm qualidade”, o cartão de visitas para o Estadual deixa ligado, sim, o sinal de alerta.

   As preocupações imediatas são o ajuste do setor de meio-campo, para garantir equilíbrio e maior competitividade ao time, e a apatia de alguns jogadores. Nenhum nome foi citado abertamente, mas a atuação do lateral-direito Yago chamou a atenção, uma vez que tanto a diretoria como os atuais gestores do futebol carijó ressaltam, a todo instante, que não pode faltar nesta tentativa de retomada de bons resultado em campo é o comprometimento com a “camisa centenária”.

  A presidente do clube, Myrian Fortuna, também abordou o tema comprometimento como prioritário no futebol, em entrevista exclusiva ao Toque de Bola, lembrando dos erros cometidos na campanha da  Série B do ano passado.

  Acesse aqui a entrevista concedida pela dirigente carijó ao Toque de Bola.

Equipe que iniciou o jogo e o Campeonato Mineiro com a missão de devolver a confiança ao torcedor, apesar do baixo investimento assumido pelo clube no futebol

 Reforços à vista?

   Outra apuração feita  pelo Toque de Bola indica que, apesar de o atual elenco ser reconhecidamente formado com baixo investimento, a fórmula de disputa  do Campeonato Mineiro –  apenas 11 rodadas e os dois últimos colocados caem para o Módulo  2 – pode forçar a novas contratações, embora o elenco hoje conte com 29  atletas – 30, se for considerado Raphael Augusto, que teve empréstimo anunciado ao Rondonópolis, mas a negociação ainda teria sido oficializada.

  A proposta de jogo anunciada na pré-temporada e nos jogos-treinos diante de Núcleo Esportivo São João Nepomuceno (5 a 0) e Bangu (1 a 1), de estabelecer uma movimentação constante do meio-campo para a frente e envolver o adversário com organização e velocidade, desta vez ficou no papel.

  Erros de passe

  O treinador Éder Bastos que disse, em algumas oportunidades, que sua ideia era ter uma equipe organizada para dar liberdade aos homens de frente, citou, na entrevista após a derrota (veja a íntegra da entrevista ao final do post), que os erros de passes, principalmente dos volantes, foram determinantes. Também observou que o clube não encontrou, na formação do elenco, um “camisa dez” com características de armador, comentando ainda que clubes da Série A têm dificuldades de encontrar o “dez”.

   Ocorre que no lance do gol, por exemplo, depois, de fato, de uma desatenção na saída de jogo pela esquerda, a sequência da jogada permitiria uma reação de outros componentes do meio ou do setor defensivo. Depois do citado erro, houve um cruzamento da direita, a saída do goleiro Gideão, de soco, a bola indo parar na esquerda de ataque. E daí saiu uma tabela, dentro da área, e o Tombense aproveitou com bonita conclusão de Jonathan, que tirou a bolado alcance do goleiro.

   Desde o lançamento da bola da direita na área, nenhum jogador de linha carijó foi capaz de interceptar a sequência ou a tabelinha. O que demonstra, claramente, que o citado erro na saída de bola foi apenas um dos componentes da derrota, pelo menos se tratando do lance específico do gol.

   E o Tombense foi quem teve as melhores oportunidades para ampliar. Na etapa inicial, houve uma chance na pequena área, provocando boa saída de gol de Gideão. E um gol anulado que indica, nas imagens, um erro da arbitragem que favoreceu os anfitriões. Os atacantes do Tombense reclamaram bastante do lance, mas acabou não fazendo diferença nos três pontos conquistados.

  Uma substituição antes do intervalo revela dado interessante. Thiago André entrou na vaga de  Emerson, sendo que este não vinha sendo titular nos  jogos-treinos e teve sua escalação anunciada na antevéspera, com a justificativa de que seria melhor, em função do estilo de jogo do Tombense. A troca de Thiago por Emerson foi divulgada na sexta-feira, dois dias antes do jogo.

Um do Tupi, três do Tombense. Com o gol marcado logo no início, visitantes souberam administrar o resultado, marcar bem e quase não correram riscos até o final da partida

   Sávio no Caça-Rato

   Antes do início  do  segundo-tempo, o torcedor viu a entrada de Sávio no lugar de Flávio Caça-Rato. O nome mais conhecido  entre os reforços não conseguiu se destacar, nem mesmo servindo Matheus Pato, como ocorreu diante do Bangu,  no gol carijó. Pato, aliás, não recebeu nenhum passe que o colocasse em condições de  finalizar, seu principal predicado. Houve um lance no segundo tempo em que ele dominou, na intermediária, e cercado por vários adversários, tentou um lance individual e foi facilmente barrado.

   Sávio chegou a criar uma expectativa positiva entre os torcedores, que já se irritavam com a inoperância da equipe. Mas, com o time desorganizado, Sávio também não contribuiu como esperava. O Tombense ganhava grande parte das bolas “espirradas” e dos rebotes, mostrando uma equipe mais bem distribuída em campo.

   O algoz da estreia mostrou mais organização e poderia ter até levado mais perigo nos contra-ataques, mas optou por não expor muito a equipe. “Mostramos consistência defensiva”, destacou o técnico Raul Cabral, em sua estreia oficial pelo adversário.

  Éder ainda lançou, aos 13, Ruan Teles no lugar de  Thiago  André, que sofreu entorse no joelho. Apesar de o time ter ficado mais veloz, o panorama pouco se alterou em número  de oportunidades efetivas de ataque do Tupi. Com o Tombense bem postado, e sem se arriscar, o Carijó não teve forças para fazer a natural pressão de fim de jogo, em busca de pelo menos um ponto. O apito final do árbitro ocorreu quando a bola estava de posse da equipe de Tombos, no campo de defesa carijó.

Estádio Municipal Radialista Mário Helênio – Juiz de Fora – MG

Campeonato Mineiro 2017 – Primeira rodada

TUPI: Gideão; Yago, Elivélton, Edmário e Bruno Santos; Marcel, Juninho e Emerson (Thiago André) (Ruan Teles), Carlos Júnior; Matheus Pato e Flávio Caça-Rato (Sávio). Técnico: Éder Bastos.

TOMBENSE: Darley; Gedeilson, Wellington Carvalho, Matheus Lopes e Ronan; Natan (Coutinho), Pedro Castro, Jonathan (Matheus Henrique) e Alex; Daniel Amorim e João Paulo (Carlos Henrique). Técnico: Raul Cabral

Arbitragem: Murilo Francisco Misso Júnior (CBF), auxiliado por Luiz Antônio Barbosa (CBF) e Douglas Almeida Costa (CBF).

Gol: Jonathan, aos 6 minutos do primeiro tempo.

                                                                                                                                               Renda: R$ 13.540,00

                                                                                                           Público pagante: 1006 

                                                                                                                                               Público presente: 1298

Acesse  aqui a classificação do Campeonato Mineiro (fonte: site da Federação Mineira de Futebol)

Treinador Éder Bastos aproveita a proximidade e coloca a mão no ombro de Yago antes da cobrança de um lateral, passando orientações

Confira a íntegra da entrevista coletiva  concedida pelo treinador do Tupi após o  jogo, no vestiário:

Éder Bastos – Técnico do Tupi

“Na parte técnica erramos muitos passes e principalmente os jogadores de meio-campo, os nossos volantes  não estavam em uma tarde feliz, na parte técnica erraram muito. E o futebol,  o fundamento básico é o passe, se você erra passe, principalmente jogador  de setor de meio-campo, você está fadado a perder o jogo, porque o coração de uma equipe é o setor de meio de campo e nós no primeiro tempo erramos muito. No segundo tempo, demos uma melhorada, colocamos quatro atacantes tentando buscar o gol.  Coloquei o Sávio e o Thiago, que entrou (Thiago) faltando 10 minutos do final do  primeiro tempo. Pra gente trabalhar no 4-2-4  com quatro atacantes. Tentamos,  tivemos algumas chegadas, mas não fomos eficientes, e futebol é eficiência. A Tombense fez um gol, ficou na transição defensiva no segundo tempo praticamente todo, ficaram com nove atrás da linha da bola e nosso time tentando entrar, e não conseguimos. Então não tem como você ficar murmurando agora. Tem que pensar no próximo jogo o compromisso contra o América de Teófilo Otoni.  E  buscar uma vitória fora de casa para compensar essa derrota em casa.”

Você falou de passe, o ataque do Tupi é um ataque que movimenta muito, o Matheus Pato e o Caça-Rato. Esses erros no passe para você foram preponderantes até para uma falta de reação no segundo tempo?

“Exatamente. Porque como nós não conseguimos encaixar a marcação, principalmente quando a equipe deles saía com a linha de três volantes e entrava por dentro de dois zagueiros, para poder ter saída de bola, eu pedindo para eles encaixarem três  na saída de bola, mas não conseguimos fazer isso. O Flávio tentou, mas não conseguiu, e por isso que eu tirei. Para poder colocar um jogador mais descansado que foi o Sávio, para tentar neutralizar essa saída de três que eles tinham lá o tempo todo. A gente já sabia disso. Fizemos um segundo tempo que deu uma melhorada, mas futebol é bola no barbante nós não tivemos a competência de fazer. Sofremos um gol aos 5 minutos e não tivemos a competência para empatar e virar o jogo.”

Apesar da derrota da para tirar alguma coisa de positivo nessa estréia?

“Muito boa pergunta, é assim que a gente vai melhorar. O Atlético-MG ganhou de 1 a 0 do América de Teófilo Otoni, o campeonato começou ontem (sábado) e temos que lembrar isso. Nós sabemos da responsabilidade que são 11 jogos, agora 10 jogos. O Atlético MG com uma folha (de pagamento) de milhões ganhou de 1 a 0  com um pênalti duvidoso que todo mundo viu. Não sou só eu que estou falando. Então o futebol está muito nivelado, temos que ter calma. Não adianta achar que agora está tudo errado, que nenhum jogador tem qualidade, que nenhum jogador presta. Pelo contrário. Conversei com os jogadores, na reapresentação nós vamos conversar internamente e melhorar o que é pra ser melhorado.”

O time não conseguiu fazer um trabalho de casa, agora tem que buscar (os pontos) fora. Em relação ao esquema e a postura do Tupi fora de casa, você pretende mudar alguma coisa em relação ao time que começou jogando hoje com Juninho, Marcel e o Emerson no meio campo, que  você  acabou até mudando no primeiro tempo?

” A tendência é que sim. Nós vamos agora esperar os jogadores recuperarem bem, o jogo foi desgastante um calor intenso, e ter tranqüilidade. Aí o torcedor pergunta: “Vai ter tranqüilidade na derrota?”  Tem que ter tranquilidade sim, no futebol tem três resultados; uma derrota, uma vitória e um empate. Hoje a Tombense mereceu, ganhou o jogo. E  nós agora temos que pensar na próxima partida.”

Queria que você falasse um pouco sobre a recomposição do lado esquerdo principalmente no primeiro tempo, em um momento que até o Caça-Rato trocou um pouco  com o Matheus Pato pra tentar fechar um pouco mais. Queria que você falasse sobre o ajuste que você tentou fazer naquele momento.

“Exatamente isso, tentei que o Flávio encaixasse no lateral-direito deles, na saída para fechar aquele corredor, e o Flávio infelizmente não conseguiu bloquear aquela saída pelo lado direito. Por isso que foram feitas as substituições. Foram feitas de uma maneira que deveriam ter sido feitas, com quatro atacantes, tentamos. No futebol é isso aí. O mais importante é que nós arriscamos. Se a gente tivesse tido uma felicidade na parte técnica dos nossos volantes, o jogo seria melhor.”

A próxima partida ganha uma importância a mais, até porque na terceira rodada o Tupi enfrenta o Cruzeiro, que é uma equipe muito difícil de se conseguir um resultado positivo.

“Com certeza! Cada jogo é um jogo diferente e futebol nós perdemos hoje (domingo) e temos condições de chegar a Teófilo Otoni e buscar uma vitória. Está em aberto ainda. Temos que ter responsabilidade, sabemos das dificuldades e vamos melhorar naquilo que precisa ser melhorado.”

Falta de criação da equipe, muito pouca chegada com um real perigo de gol. Além dos erros de passes, o que pode ter contribuído para isso?

” O futebol hoje poucos times têm um camisa 10 “top”. Estou falando de Série A de Brasileiro. Poucos times têm e nós não conseguimos trazer um jogador para esse perfil, um 10 que tenha essa criatividade. Um jogador que seja armador para fazer essas enfiadas de bola. Nós tivemos dificuldade de arrumar, mas temos que ter paciência agora e valorizar o que temos para o campeonato.”  

 

 

 

 

Veja fotos do jogo e dos bastidores – Fotos Toque de Bola:

 

 

 

 

 

Texto: Ivan Elias, com reportagens de Ivan Elias e  Elisa Ladeira

Artes: Toque de Bola

Fotos: Leonardo Costa-Tupi e Toque de Bola

Edição: Toque de Bola

O Toque de Bola é administrado pela www.mistoquentecomunicacao.com.br 

 

 

 

 

 

 

 

 

 


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