24 nov 2016

Tupi antecipa 2017 com dificuldades financeiras e garante que “fez ações de marketing para atrair torcedor”



   A segunda matéria da Balanço da Série B” traz a visão dos diretores em relação às finanças do clube e a presença do torcedor ao estádio. Ninguém escondeu a dificuldade para angariar fundo e o vice-presidente de futebol José Roberto Maranhas ainda fez declarações preocupantes para o ano de 2017. Segundo ele, “difícil foi este ano. Ano que vem mais ser extremamente difícil”.

  A cúpula carijó ainda rendeu elogios ao Departamento de Marketing do clube. O gerente de futebol do Galo garantiu que “o clube fez as ações de marketing para tentar atrair o torcedor”. Os baixos números de torcedores no Estádio Municipal Radialista Mário Helênio chamam atenção. Para a última partida do Tupi. em casa, na Série B, a diretoria tem expectativa tão negativa, que colocou à venda apenas 500 ingressos para o confronto com Náutico.

Gustavo Mendes elogiou as ações do Marketing do Tupi e lamentou o baixo público nas partidas

Gustavo Mendes elogiou as ações do Marketing do Tupi e lamentou o baixo público nas partidas

Confira a segunda parte da entrevista coletiva ocorrida com a participação da presidente do clube, Myrian Fortuna, do vice-presidente de futebol, José Roberto Maranhas, do vice-presidente de finanças, Jarbas Raphael, e do gerente de futebol, Gustavo Mendes.

O Tupi falhou na captação de recursos financeiros para 2016?

Gustavo Mendes: Se for feita uma análise, talvez dos 20 clubes da Série B, 15 têm patrocínio igual. Isso depende de uma série de questões políticas. O resto está jogando de camisa limpa até hoje. A crise é grande, mas vou além. Depende-se de várias coisas para montar elenco. Qualquer clube vive de três receitas, sendo uma eventual, que é venda de atletas. O clube vive de bilheteria, cotas de televisão e patrocínios/parcerias. Alguns têm equilíbrio, outros dependem mais de um ponto ou de outro. A crise do futebol atrapalhou bastante. Um dos itens, que foi a captação de alguns atletas, sem ônus. Dos 50 que foram oferecidos, 42 ou 43 foram oferecidos ‘pagando’. Além da realidade na economia, este ano tem uma readequação dos times em relação ao Profut. As receitas diminuíram e os custos aumentaram. Foi para um bem maior, mas neste momento é um custo maior para todos os clubes. É muito complicado, em um momento de muita crise, buscar uma alternativa que salve. Parcerias viáveis, falando do futebol, este ano não aconteceram. Teve um caso de um jogador de um time grande, que nunca se firmou e já teve duas saídas vitoriosas. Ele ganha 50 mil por mês no time dele. Por conta do Profut, fizeram a seguinte proposta: que pagássemos 20 mil. A minha pergunta ao treinador da época, o (Ricardo) Drubscky, foi se ele seria titular. A resposta foi: ‘Não sei. Acho que seria mais para compor’.

Quando cheguei aqui no final de março, vi um planejamento, até de prospecção e captação de patrocínios, muito bem feito. Infelizmente a crise afetou a todos. Hoje, praticamente todos os times têm injunção política para ter um patrocínio.

Maranhas: Não sei se vocês se lembram, mas perdemos nosso patrocinador master. Já tinha sido anunciado de que não continuariam, não foi surpresa. Não se consegue patrocinador master da noite para o dia. Nós tentamos e estamos tentando o patrocínio da Caixa, que este ano abriu o leque para mais de 20 clubes. Quando nós procuramos a Caixa no ano passado, a resposta foi de que não éramos da Segunda Divisão. Quando chegamos à Série B, procuramos novamente e a resposta foi exatamente: ‘Não’. A tentativa e prospecção foram feitas, mas infelizmente não tivemos êxito.  Conseguimos alguns outros patrocínios, menores, que contribuíram com valores bem menores, dentro das suas possibilidades. Nos ajudaram muito. Se não fossem eles, o problema seria muito maior. Gostaríamos de agradecer aos patrocinadores que acreditaram no Tupi na Série B. Infelizmente não foi possível angariar um pouco mais de recursos.

Foi dito que o Tupi tem, disparado, o menor orçamento da Série B. É possível dar algum detalhe, dados?

Jarbas Raphael: O orçamento do Tupi para o Mineiro sempre se trabalhou com a cota de TV. O Tupi fez um time para o Mineiro que extrapolou esse valor. Normalmente a gente trabalha dentro dos valores da cota do Campeonato Mineiro e este ano passou. Isso, junto com o que se tinha de déficit do ano passado, vieram os problemas que tinham que ser sanados em 2016. Se quiser ver os valores da cota de TV, isso é público, aberto para todo mundo. Os valores vieram com déficit em cima de déficit. O acesso à Série B custou ao Tupi (premiação aos atletas). Em 2016, veio a Série B, foi redistribuído todo o valor, juntamente com a cota de patrocínio, para poder manter. Estamos mantendo os salários em dia, com muito custo de dificuldade. Há uma engenharia e uma prospecção de valores. Até mesmo os diretores comparecem de outras formas para honrar os compromissos, que estão religiosamente em dia. Os valores que trabalhamos em 2016 nos levaram a déficit durante todo o ano.

Gustavo Mendes: Em termos de time, tenho noção de quem ganha mais ou menos a segunda folha (salarial) menor. Esse time tem, sem sombra de dúvidas, uns três jogadores que ganham em torno de 25 mil reais. Nosso maior salário é 11 mil reais. Em valores absolutos não tem porque não falar. Esse foi nosso teto o tempo todo. Veio um time, que dois atacantes, têm ganham o dobro da nossa folha inteira. É uma luta desigual. Todos os jogadores foram mapeados. Fomos atrás de todos. É claro que o mercado oferecia mais qualidade, mas o nosso valor médio é bem abaixo do que se está praticando na Série B. Pelo menos três times, ou quatro, da Série C, este ano, sendo que um nem subiu, têm a folha, pelo menos, 40% maior que a do Tupi. Com tudo isso, montamos um time, pagamos em dia, e demos o mínimo de condição. Fizemos o nosso trabalho para conseguir ter uma sorte melhor. Eu diria que até nos jogos grandes isso não se refletiu tanto. A gente teve muita dificuldade para fazer uma busca no mercado. Outra coisa que é bom esclarecer. Não é só porque a cota é ‘x’, que é só dividir por dez e montar o time. Há custos. Não só os do clube. Falo de custos do futebol: concentrações, viagens, diárias extras. Num mês de quatro jogos são mais de 30 mil reais. Algumas partes das viagens são pagas, outras são importantes e não podemos deixar de custear. Temos um orçamento reduzido e temos que nos adequar a isso. Essa disparidade e luta desigual, sofremos o ano inteiro, desde o início. Quando cheguei, havia a necessidade de fazer uma reformulação, que é custosa. Remontar um time é muito mais caro do que começar do zero. Acordos são caros. Acho que a questão financeira é o ponto central.

Myrian Fortuna: Em nenhum momento se trouxe jogador que ia não atender. Todos foram pensados. Em vários jogos o Tupi foi competitivo. Tínhamos eram elogios na rua. A Tribuna (de Minas) publicou uma estatística (sobre os pontos perdidos nos finais de jogos). Em onze jogos, por distração, o Tupi perdeu pontos. Nós não fizemos um time para cair. Sempre procuramos os resultados.

Qual a expectativa financeira para a próxima temporada?

Myrian Fortuna: Conseguimos equilibrar todas as finanças. Já estamos planejando 2017 por conta do Arbitral, que está marcado para definir o Campeonato Mineiro. Então temos que planejar. Nós pensamos nisso tudo. Tem a verba da televisão e vamos buscar mais patrocinadores. Hoje o clube está praticamente equilibrado, dentro de tudo que se propôs. Claro que tem outras despesas, mas estamos pensando com os pés no chão. O que passamos vai servir de experiência para tentarmos lutar para voltar à Série B.

Maranhas: Estamos correndo atrás desde o início da gestão. Se nós não conseguirmos melhorar os patrocínios, teremos o ano de 2017 muito difícil. Não digo difícil. Difícil foi este ano. Ano que vem mais ser extremamente difícil. É uma coisa que eu chamo atenção. O Tupi não faz futebol só para o Tupi, faz para a cidade de Juiz de Fora. O Tupi faz futebol para o público da região. O Tupi futebol para que a cidade apareça no cenário nacional com bom nome e não só nas catástrofes. Ano que vem não teremos receita da televisão. Exemplifico com o JF Vôlei, que teve que recorrer a uma equipe que não é de Juiz de Fora. Em momento algum, após a saída da Universidade, eles tiveram apoio. O handebol teve que ir para Matias Barbosa. Nós queremos o Tupi sempre bem situado e vamos tentar. Não basta só nós querermos. Tem que se juntar, senão será um ano muito penoso, muito difícil, muito mais difícil do que foi esse ano.

O Tupi fez tudo que podia para atrair o torcedor ao estádio?

Maranhas: Vamos relembrar. Temos que ver qual é o histórico de torcedor do Tupi nos últimos anos. Em 2007, tivemos um público espetacular. Tivemos jogos com público de oito mil pessoas. Era uma novidade. A partir de 2008, nossa realidade mudou completamente. Se pegar a estatística, em média, nunca passou de 1.500. É obvio que como dirigentes e tendo alcançado uma ansiedade da cidade, em chegar à Série B, nós esperávamos um público maior. Vem pessoas e dizem: ‘mas os resultados…’ Assim começa aquela questão: Quem veio primeiro? Ovo ou galinha? O Tupi, na realidade, nunca dependeu de bilheteria porque sempre foi muito fraca.  Se fossemos depender de bilheteria, não estaríamos nem na Segunda Divisão do Mineiro. Nós não participaríamos porque o clube seria fraco. Mas é uma receita que seria interessante. Poderia nos ajudar a trazer algum jogador. Eu diria que a maior motivação para trazer o torcedor para campo, seria a estada na Série B. Em contrapartida, na estreia do Tupi foram 1.590 pagantes. O Tupi estava estreando num campeonato que a cidade sempre sonhou, contra o time que havia saído da Série A, não era qualquer equipe. Só 1.590 pagantes. É difícil. Não queremos, de forma alguma, criticar a torcida ou o público de Juiz de Fora, principalmente com os jogos sendo televisionados, com a possibilidade de assistir o jogo em casa, com conforto. Não vou criticar, mas, sem dúvida, a cidade não correspondeu àquilo que era a ansiedade do próprio torcedor. Penso que não é só ir lá ver o seu time ganhar, isso pra quem gosta de futebol. Vou porque quero ver bons jogos. Quero ver um espetáculo. Não trata-se de ir lá só pra ver a sua equipe. Eu vejo o futebol dessa maneira. Acho que isso é o principal ponto. O torcedor sempre vislumbra o espetáculo e pode ser que o torcedor não tenha gostado do que viu.

Arquibancadas vazias virou característica dos jogos com mando de campo do Tupi

Arquibancada vazia virou característica dos jogos com mando de campo do Tupi

Myrian Fortuna: Estou no Tupi há dez anos, entre função de nutricionista e presidente. Nós fizemos tantas campanhas. Teve um dia que um jornalista falou que não sabia, mas sempre foi divulgado. Desde que o Tupi tem um assessor de imprensa, a gente pede para noticiar. Nós fizemos visitas e levamos mais de duas mil crianças, que nunca tinham ido ao estádio, além de deficientes, para estimular a conhecer e torcer pelo Tupi. Tivemos um projeto há dois anos, o ‘Eu Torço Pelo Tupi’. Este ano, poucas crianças entraram em campo por conta de uma cota que a CBF exige. Nós tivemos várias escolas que levavam crianças das escolas municipais, estaduais, particulares e outras instituições. Além de várias promoções ao sócio-torcedor e mais algumas.

Gustavo Mendes: O (departamento) Marketing me pede para lembrar que o preço dos ingressos foi mantido. O tíquete médio é bem mais barato. Não faltaram promoções. Teve promoção para homem e mulher, crianças, camisas, pontuais, datas comemorativas. Foi feito um bar especial nas cercarias do estádio, o que exigia uma burocracia para conseguir ser instalado. São ações que eu testemunhei. Reformou-se o programa de sócio-torcedor para que ele tivesse vantagens. Acho que o clube tentou sim. O clube fez as ações de marketing para tentar atrair o torcedor e, infelizmente, a média de público não subiu. Não sei se só por ser uma média histórica ou se pela campanha também. Acrescento também a falta de costume com os horários dos jogos da Série B. Os campeonatos estaduais têm horários muito mais interessantes, do ponto de vista do conforto. Teve um mês que jogamos em casa quatro vezes e nenhum foi no mesmo dia e horário. É difícil fidelizar torcedor dessa maneira. A única coisa que consigo responder com certeza é ‘sim. O marketing do Tupi fez ações como nunca tinha feito para atrair o torcedor’.

 

A próxima matéria da série “Balanço da Série B”  vai trazer a visão da diretoria em relação à polêmica eleição marcada para 2016 – o pleito é motivo de briga na justiça. Além disso, Gustavo Mendes explica a saída de vários jogadores no decorrer do ano e ainda fala sobre seu futuro no clube.

Confira a primeira matéria da série aqui. A diretoria falou sobre o planejemento para 2016.

Fique atento às postagens do Toque de Bola!

 

Texto: Cérix Ramon, do Toque de Bola, com supervisão de Ivan Elias – Toque de Bola

Fotos: Toque de Bola e Tupi FC

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