09 maio 2016

Nova crônica do Toque de Bola. Veteranos e reservas decidem Estaduais. Vasco, América e Santos comemoram



A participação decisiva de jogadores veteranos e reservas e alguns erros de arbitragem marcaram algumas finais dos Campeonatos Estaduais disputadas pelo Brasil neste domingo, 8. Nos próximos dias, começa a disputa das Séries A e B do Campeonato Brasileiro, e neste meio de semana, a Copa do Brasil tem sequência.

   Danilo é o nome dele

No América Mineiro, os nomes que devem ficar na memória da torcida são de Danilo, que saiu do banco de reservas no primeiro jogo e acabou se transformando em herói – marcou duas vezes contra o Atlético na primeira partida – vitória de 2 a 1 – e empatou a partida do jogo final, quando o Atlético vencia por 1 a 0 no Mineirão e caminhava para buscar o título.  Danilo Carvalho Barcelos é lateral-esquerdo,  tem 24 anos (17/08/1991) e nasceu em Coronel Fabriciano (MG).

Danilo marcou três gols pelo campeão América nos dois jogos finais contra o Atlético

Danilo marcou três gols pelo campeão América nos dois jogos finais contra o Atlético

    João Ricardo e Givanildo

Além de Danilo, o torcedor americano rende suas homenagens ao goleiro João Ricardo, que não estava no melhor de seu condicionamento para a fase decisiva, ao treinador Givanildo, que no ano passado conduziu o clube de volta à Série A e, no estadual, montou um esquema capaz de não ser derrotado por Cruzeiro, nas semifinais, e Atlético, nas finais, depois de uma campanha apenas razoável na fase de classificação – o Coelho chegou a ficar quase toda a primeira fase sem marcar um gol no campo dos adversários. “Não tivemos uma campanha brilhante, mas nos jogos importantes levamos a melhor, isso é o que importa”, definiu o técnico, eleito o melhor da competição.

Borges, “amigo do peito”

O veterano Borges pode ganhar o Oscar simbólico de melhor ator coadjuvante. Justamente quando seu time também ficou com dez em campo – igualando em números, uma vez que o Atlético teve uma expulsão na etapa inicial, coube ao experiente camisa nove fazer uma assistência com o peito, após lançamento da esquerda, para o gol do empate de Danilo, que seria na verdade o gol da vitória e do título. Quando a bola chegou na direção do artilheiro, o estádio inteiro parecia perguntar: “De novo?”. E a resposta foi: “Sim. De novo.”  Danilo chuta e faz o gol. Um aproveitamento extraordinário numa série decisiva, que juntou pontaria, confiança e personalidade em três tiros a gol em que o ótimo goleiro Victor não achou a bola.

 

   O futuro dirá

Ao Atlético, resta o eterno dilema de quem disputa duas competições. Se a equipe seguir adiante na Libertadores (encara o São Paulo nas quartas-de-final), dirão que o treinador Diego Aguirre foi inteligente ao não escalar titulares o tempo todo, no estadual e na competição sul-americana. Se o Galo triunfar e ficar com a taça da Conmebol, dirão que o que vale mesmo é a Libertadores – e que os estaduais, afinal de contas, nunca foram a prioridade. Seriam só a “cereja do bolo”.

 

Vasco comemora título invicto no Rio, com "veteranos" que chegaram ao clube sob desconfiança dos torcedores

Vasco comemora título invicto no Rio, com “veteranos” que chegaram ao clube sob desconfiança dos torcedores

Vasco invicto

Nas finais do Rio, o Vasco confirmou o favoritismo também com uma vitória e um empate diante do surpreendente Botafogo em que Ricardo Gomes montou um time inteiro, sem recursos, e este time teoricamente modesto mostrou muito mais “cara” de time com esquema definido que os mais badalados Flamengo e Fluminense.

A exemplo do América, o Vasco também venceu seu primeiro jogo – 1 a 0, gol do baixinho Jorge Henrique numa falha improvável do goleiro Jéfferson,  e empatou o segundo depois de sofrer o primeiro gol. O Glorioso marcou com Leandrinho de cabeça, em belo complemento de jogada pela direita. O cruzmaltino empatou num gol irregular. Madson “conseguiu” uma falta que não houve – o auxiliar marcou com extrema convicção. Nenê cobrou e mais um reserva decidiu – Rafael Vaz, que entrara na vaga de Luan, contundido, cabeceou para buscar a taça.

 Veteranos dão o tom

Apesar do erro de arbitragem, o Vasco mostrou uma equipe muito superior à Fla e Flu e, se não brilhou nos quatro jogos contra o Botafogo, também não foi derrotado em nenhum deles. Méritos à Comissão Técnica do Vasco, que fez de um grupo com muitos jogadores acima de 30 anos, alguns com carreira em momento indefinido quando chegaram a São Januário, um elenco forte e experiente. Nenê, principalmente, Andrezinho e até o desleal zagueiro Rodrigo hoje têm seu espaço no coração do torcedor.

Por mais desvalorizados que sejam os chamados pequenos do futebol fluminense, uma conquista invicta é algo muito difícil. O Vasco alcançou sua sexta conquista invicta e se tornou, assim, o clube do Rio com maior número de títulos no estado sem sofrer qualquer derrota ao longo do certame.

Ricardo Oliveira: camisa 9 do Peixe foi mais um veterano que brilhou no momento de definição do Estadual. Gol do título

Ricardo Oliveira: camisa 9 do Peixe foi mais um veterano que brilhou no momento de definição do Estadual. Gol do título

 

  Santos campeão menos audacioso

No estadual de São Paulo, houve um dos poucos exemplos em que um time com investimento superior decidiu mudar sua forma de jogar na final e acabou sendo recompensado com o título. Mesmo sem brilhar nos jogos finais contra o Audax – a equipe de Osasco dirigida por Fernando Diniz criou mais e chegou a acertar duas vezes a trave na derrota deste domingo (o primeiro jogo terminou 1 a 1), o Santos mostrou, pelo menos, que, para obter o resultado, a estratégia de trocar um estilo de toques por um contra-ataque contundente funcionou.

Brilho de mais um veterano. Ricardo Oliveira, de característica de finalização dentro da área, arrancou para o gol no “contra-ataque do título” com a disposição de um garoto. Venceu os zagueiros na corrida e tocou para as redes com a personalidade e a confiança de um vencedor.

     Gol legal

Se o Audax poderia ter mais sorte, especialmente nas bolas que beliscaram a trave – no primeiro tempo, ela tinha o caminho do gol e passou por trás do goleiro, o Santos também pode se queixar da arbitragem, que anulou um gol de Joel, em que ele estava em condição absolutamente legal – foi assinalado impedimento. Com 2 a 0, poucos contestariam a troca de sistema de jogo do Peixe nos jogos finais.

 

Internacional: sabor da conquista aumenta, com quedas do rival no Estadual e na Taça Libertadores

Internacional: sabor da conquista aumenta, com quedas do rival no Estadual e na Taça Libertadores

 

      Santa, Inter e Furacão fazem bonito

Em outras decisões, as conquistas serviram para reviver o motivo de existência dos Estaduais – tirar uma onda, “zoar” com o adversário da mesma cidade ou do mesmo estado.

O Internacional marcou três vezes de cabeça e venceu por 3 a 0, construindo o placar “total” de 4 a 0 sobre o Juventude em dois jogos. Euforia? Exagero na comemoração? Não para o Colorado, principalmente numa semana em que o rival, Grêmio, já eliminado no doméstico, deixou a Libertadores numa eliminação em que saiu pela porta dos fundos. O treinador Argel aparece menos “revanchista” para a coletiva. Com menos cara de zagueiro bravo, como foi – aliás, uma ótima carreira como atleta.

Árbitro encerra a final em Recife: Santa Cruz campeão - Sport 0x0 Santa Cruz Foto: Antônio Melcop

Árbitro encerra a final em Recife: Santa Cruz campeão – Sport 0x0 Santa Cruz Foto: Antônio Melcop

 

     Santinha brilha

O Santa Cruz é que pode ser considerado um dos times mais vitoriosos do primeiro semestre. O clube, que acabou entrando para a história do Tupi na inesquecível conquista carijó da Série D em 2011 – vitórias em JF (1 a 0) e no Aruda (2 a 0), definitivamente voltou a ser grande em conquistas. Vinha da inédita taça na Lampions League, que apesar da brincadeira com a co-irmã europeia, é a muito difícil Copa do Nordeste, e faturou também o Estadual – vitória de 1 a 0 no primeiro jogo, com gol contestado por posição de impedimento – e empate sem gols no domingo, 8, diante de um Sport que trocou de treinador – Falcão por Oswaldo Oliveira, mas que já convivia com derrotas em estaduais em anos anteriores mesmo quando o Santinha não figurava na Série A, como agora. Outro veterano brilha pelo campeão pernambucano: o atacante Grafitte.

 

Atacante Walter prometeu comemorar com cinco coxinhas o título paranaense

Atacante Walter prometeu comemorar com cinco coxinhas o título paranaense

Walter e as coxinhas

O Atlético Paranaense fez 5 a 0 no placar agregado diante do Coritiba – 3 a 0 na primeira partida, na Arena da Baixada, e 2 a 0 na segunda, em pleno estádio Couto Pereira. Destaque para o folclórico atacante Walter, que marcou um gol e construiu o outro nos 2 a 0 na casa do Coxa. Rendendo, assim, mais uma “pérola” do atacante, que, perguntado sobre o fim do duplo jejum, de gols e o seu, particular, no regime contra a balança, disparou: “Hoje está liberado. Cinco coxinhas”, sorriu, enquanto comemorava junto aos torcedores.

  Sensação

Os Estaduais chegam ao fim com a sensação que os torcedores e os clubes perderam algum tempo – em função de regulamentos inacreditavelmente confusos, clássicos que pouco ou quase nada valeram até menos de um mês atrás – e fórmulas pouco inteligentes, mas o resgate do orgulho “caseiro” não deixa de ser um combustível interessante para o restante da temporada. Desde que, claro, os clubes consigam enxergar as diferenças entre uma taça regional-estadual e até onde os elencos podem mirar em competições nacionais como a Copa do Brasil e o Campeonato Brasileiro.

 Será que dá?

Para o torcedor que viveu estaduais mais empolgantes (não falamos aqui daqueles que pregam o fim destas competições), resta uma dupla esperança: que as fórmulas de disputa sejam menos idiotas e de pouco público – nada mais deprimente e surreral, para clubes tão enfraquecidos financeiramente, que o cenário de dois times entrando em campo praticamente sem torcida para vaiar ou aplaudir. E que os clubes sejam mais profissionais, mesmo diante destes campeonatos enfadonhos – por vezes, atuações de clubes chamados grandes nestas competições são de uma falta de compromisso estarrecedora, que em tempos atrás gerava soco na mesa e cabeças rolando. Hoje, os poucos talentos que por aqui ainda desfilam parecem cada vez mais mimados e sem admitir cobranças, como se não recebessem vencimentos astronômicos ou se não pudessem ser cobrados para render mais.

 

      Estrangeiros sem brilho

Outra situação curiosa para quem, como nós, gosta de acompanhar, além do jogo, os seus bastidores: foram os estaduais com o maior número de legendas por escrito nos programas de televisão. Técnicos e atletas estrangeiros estão por aí aos montes. Pelo menos nos estaduais, não se notou grande evolução ou encantamento nas quatro linhas. Quanto aos técnicos, precisamos esperar um pouco mais. É uma “invasão” mais recente e cobrada por boa parte da mídia, depois do emblemático 7 a 1 da Alemanha sobre o Brasil na Copa do Mundo. Quanto aos atletas de fora, penso que nenhum deles foi o craque do Estadual.

(Parênteses: na Libertadores, Calleri, do São Paulo, é candidato, se demonstrar menos “excesso de hombridade”, parecendo pedir uma expulsão quando o Tricolor já estava classificado, no segundo tempo diante do Toluca – deu um chute no goleiro que tinha a bola dominada, que sequer seria admissível numa categoria dente de leite ou fraldinha).

Apesar de algumas contratações terem sido “vendidas” aos torcedores como “olha, esse cara aqui tem mercado na Europa mas preferiu o Brasil”, ninguém encantou nos estaduais. Aguardemos os próximos capítulos.

 

Texto: Ivan Elias – Toque de Bola

Fotos: Divulgação dos clubes em sites e redes sociais

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