05 abr 2016

Tupi vê amadorismo nas queixas do Tricordiano. Federação Mineira proíbe jogos no Estádio Elias Arbex



Ao ser entrevistado pelo Toque de Bola na manhã desta terça-feira, 5, o vice-presidente do Tupi, José Roberto Maranhas, afirmou, após o treinamento da equipe no campo do Instituto Granbery, que viu amadorismo e falta de experiência nas declarações enfáticas dos dirigentes do Tricordiano, afirmando que a arbitragem havia favorecido o Tupi, que venceu o confronto por 1 a 0 na noite de sábado: “Tem que aprender como se portar”, definiu, entre outros assuntos abordados.

Pouco depois da entrevista concedida, a Federação Mineira de Futebol (FMF) puniu o Tricordiano inabilitando o Estádio Elias Arbex, em Três Corações, para jogos oficiais de todas as categorias. A sanção imposta pela entidade está baseada no artigo 22 do regulamento específico do Campeonato Mineiro, que diz que um estádio pode ser fechado se for “registrado algum episódio de violência, ou falhas graves na estrutura”. Décimo colocado e com risco de rebaixamento, o Tricordiano, contudo, não terá mais jogos em casa nesta edição do Estadual. A última partida será contra o Atlético, no Independência.

Elenco do Tupi ouve o técnico Ricardo Drubscky na manhã desta terça-feira, no campo do tradicional Instituto Granbery, em Juiz de Fora

Elenco do Tupi ouve o técnico Ricardo Drubscky na manhã desta terça-feira, no campo do tradicional Instituto Granbery, em Juiz de Fora

 

 Entrevista: José Roberto Maranhas

Toque de Bola: O Tupi vai tomar alguma atitude quanto às acusações do Tricordiano?

 Maranhas: Em momento algum eles acusaram o Tupi como culpado. Teoricamente, favorecido, mas não acusaram nenhuma culpabilidade do Tupi. Como nós já tivemos aqui arbitragens que não nos foram favoráveis, lá acho que não foi nem esse o caso. Eu não pude ir, mas por relatos do Ricardo (treinador Ricardo Drubscky), dominamos o jogo o tempo todo e só não fizemos mais gols por conta de azar. Sou dirigente de futebol há alguns anos e talvez eles não tenham a experiência necessária e a paixão fale acima da razão. Eu acho que a partir do momento que você escolhe ser dirigente, você tem que se capacitar para exercer essa função. Porque se você tiver um apaixonado dirigindo, não dá certo em lugar nenhum, porque não consegue enxergar a clareza dos fatos. Então não adianta eles culparem a arbitragem. Se tem uma coisa que eu sempre primei no Tupi, é que esse negócio de acusar a arbitragem por maus resultados é tentar ocultar um mau trabalho. Obviamente existem erros pontuais, como tem com todo mundo. Nós não podemos querer jogar uma culpa de um mau trabalho na arbitragem. Eu acho que é demais, que é uma desonestidade com esse profissional por um mau trabalho executado por você. A começar pela análise de querer jogar naquele campo. Se eles fossem dirigentes que quisessem o bem do seu clube, o que que eles já teriam feito? Ou reformado o campo que eles jogam ou iriam jogar em Varginha. Primeiro, eles ajudariam a equipe deles, porque eu vi o jogo contra o América e gostei demais, venceram por 1 a 0 e poderiam ter feito mais. Jogando aonde? Em Muriaé. Com um campo bom, gramado ótimo e eles puderam desempenhar um bom trabalho. Eles não conseguiram entender e vislumbrar isso. Aquela teoria de “quanto pior, melhor”, de que eu dificulto os adversários, é uma coisa que acabou há 30 anos atrás. Você tem que dar condições dos seus jogadores desempenharem o melhor papel. Foi o que nós tentamos quando tivemos um problema com o estádio há dois anos atrás. Nós tentamos junto à Prefeitura melhorar o campo porque o Tupi estava sendo prejudicado. Tecnicamente não conseguíamos jogar aqui. Então, primeiro ele tem que olhar para si, ver a sua estrutura: “Eu tenho condição de disputar um Campeonato Mineiro de primeira divisão?” Essa é a primeira pergunta, tem que olhar em volta e responder essa pergunta para depois tentar ver algum erro de arbitragem. Acho que infelizmente é a paixão que está falando acima da razão. Tenho absoluta certeza de que agora, com os ânimos mais calmos, eles vão observar isso e ver que eles não tinham a menor condição de estar na primeira divisão do Mineiro pela logística que eles têm. Agora, cabe também à Federação Mineira, que hoje não cuida dos arredores dos estádios, mas cuida dos gramados e vestiários em si, já avisar, por exemplo, aos seis clubes que estão pleiteando vaga na primeira divisão do ano que vem que, se eles não tiverem um estádio decente, com campo decente e um vestiário decente, não vão poder mandar os jogos nas suas cidades, e vão ter que jogar em outro lugar que tenha estrutura direito. Cabe à Federação já tomar essa atitude para já coibir esse tipo de situação. Ai sim, depois de você dar condições de trabalho aos seus jogadores, ao adversário, aos árbitros, você pode começar a querer pensar em reclamar de arbitragem, pontualmente, que é o que acontece. Eu disputo Campeonato Mineiro há 31 anos e os erros são pontuais. Não há intenção de errar para prejudicar. Esse ano, por exemplo, eu acho que as arbitragens foram muito boas e, olhando para nossa posição, era para eu estar reclamando. Acho que estamos nessa posição por culpa nossa. Porque, de repente, aconteceu algum erro na condução do trabalho que nos colocou nessa situação. Podíamos estar melhor? Podíamos. Porque nós temos um plantel gabaritado para estar dentro do quadrangular. E por que não estamos? Erro da arbitragem? Erro da Federação? Não. Com certeza, erro nosso, dos dirigentes, que não tivemos a capacidade de entender, de trazer as pessoas adequadas no momento adequado e aí tivemos que fazer todas as mudanças no meio do caminho e isso tem um preço, que nós estamos pagando. Acho que a função do dirigente, e falei isso para os jogadores quando houve a troca de gerente, é que a primeira coisa que um dirigente tem que ter em mente é não atrapalhar. Se ele não atrapalhar, já é meio caminho andado para ser bem sucedido. Infelizmente no Tupi aconteceu um fato que nós acabamos interferindo, atrapalhando a trajetória do time no Mineiro e isso acabou refletindo no campo. Agora é exatamente isso que estamos tentando corrigir para o Brasileiro. É começarmos adequadamente, corretamente, mantendo toda a comissão técnica, jogadores dentro do que o treinador desejar, trazendo outros que ele deseja para ter tempo para treinar adequadamente. Isso é planejamento, isso é não atrapalhar e se possível ajudar.

TB: Qual foi o erro do Tupi? A troca de treinador?

 Maranhas: O erro foi infelizmente, e não estou falando nem do Lopes (treinador Júnior Lopes, que iniciou a temporada), porque o Lopes tem ótimos trabalhos em outros clubes, mas talvez tenha sido exatamente a falta de entrosamento entre os jogadores e ele. E isso foi nítido, porque tivemos conversas com alguns jogadores e eles falaram que não era o que nós imaginávamos ter de trabalho na pré-temporada. Ou seja, eles acharam inadequado o trabalho, e quando falta esse entrosamento, fica complicado. Refletiu isso no campo, nos resultados que não vinham e não viriam, possivelmente. Hoje já é o contrário. Existe uma adequação, todos estão contentes com o trabalho desenvolvido. O exemplo disso foi o Mano Menezes no Flamengo, dizendo que ia embora porque não estava sendo entendido pelos atletas. Acontece. Tanto que ele foi para o Cruzeiro e fez um ótimo trabalho. Não é que o treinador seja ruim, mas naquele momento o grupo que ali estava não se adequou a ele.

TB: O Tupi não se sentiu atingido com as declarações do dirigente do Tricordiano?

 Maranhas:  O termo que ele usou foi que o árbitro foi para prejudicar o Tricordiano. Em momento algum ele disse que foi para ajudar o Tupi. E é uma interpretação pessoal dele, e tenho certeza que isso vai pesar sobre ele, vai ser punido severamente e pode prejudicar o seu clube. É o que eu falo: nem todos estão preparados para serem dirigentes. As pessoas têm que se preparar, o futebol hoje é profissional. Não adianta você ter um treinador profissional, um preparador profissional, um jogador profissional e o dirigente ser um amadorzão, um torcedor dentro de campo. Então você com certeza vai prejudicar dentro de campo. Ele não sabe ser dirigente, vai ter que aprender ainda, ter uma reciclagem, não precisa ser remunerado, mas tem que aprender como se portar, para que ele possa não atrapalhar. Infelizmente, o que tem acontecido hoje lá no Tricordiano, imagino eu, é que estão atrapalhando. E com uma declaração dessa tenho certeza que está prejudicando o time dele. Qual é o benefício que ele traz fazendo uma declaração como essa? Nenhum. Os jogadores já entram em campo perdendo, pensando na arbitragem.

TB: Com a situação encaminhada no Mineiro o Tupi já pensa na Série B do Campeonato Brasileiro?

 Maranhas: A Comissão Técnica e os jogadores seguem focados no Mineiro. Nós tanto ainda temos risco de rebaixamento como podemos ficar em quinto lugar e conseguir uma vaga para a Copa do Brasil no ano que vem, que é o nosso objetivo. Óbvio que nós, dirigentes, eu e Gustavo, já estamos pensando no Brasileiro. Já estamos contactando jogadores e clubes desde a semana passada e essa semana vamos intensificar esse trabalho para o mais rápido possível trazer jogadores que o treinador possa contar no Brasileiro.

TB: Pensam em tirar o Tupi de Juiz de Fora por um período de preparação para a Série B?

 Maranhas: É quase certo que consigamos um local para levar o Tupi antes da Série B para nos prepararmos. Mas não está nada definido porque depende da parte financeira, logística, mas a certeza que posso dar é que nós vamos sair, pelo menos, entre sete a 10 dias para a inter-temporada.

TB: A lista do Atlético Mineiro com possíveis jogadores para empréstimo chegou ao Tupi?

 Maranhas: A lista do Atlético foi só uma conversa, mas nada chegou até agora. Estamos correndo atrás de outras possibilidades. Os clubes têm interesse em colocar jogadores na vitrine da Série B, diria até que o interesse maior é deles e não do Tupi, porque nós temos uma gama infinita de jogadores livres após o término dos estaduais. Portanto, se os clubes grandes querem valorizar seus jogadores, dar experiência para eles, o Tupi tem interesse. Mas não refugo, jogador que não cabe lá e eles querem mandar embora. Esse o Tupi não quer.

O dirigente aproveitou para informar o quadro de dois atletas contundidos: “Romário está completamente afastado da parte física e vamos ver o que ele pretende, se quer operar ou não o joelho. O Hélder já está voltando a trabalhar e, se precisar, pode até estar a disposição no jogo com a Caldense”.

 

Momento em que os jogadores do Tupi correm para comemorar o golaço de Hiroshi em Três Corações

Momento em que os jogadores do Tupi correm para comemorar o golaço de Hiroshi em Três Corações

 

    Punição ao Tricordiano

A Federação Mineira de Futebol (FMF) puniu o Tricordiano inabilitando o Estádio Elias Arbex, em Três Corações, para jogos oficiais de todas as categorias. A sanção imposta pela entidade está baseada no artigo 22 do regulamento específico do Campeonato Mineiro, que diz que um estádio pode ser fechado se for “registrado algum episódio de violência, ou falhas graves na estrutura”. Décimo colocado e com risco de rebaixamento, o Tricordiano, contudo, não terá mais jogos em casa nesta edição do Estadual. A última partida será contra o Atlético, no Independência.

Na partida do último sábado, o presidente do clube de Três Corações, Gustavo Vinagre, voltou a atacar a arbitragem. Derrotado no jogo diante do Tupi, o dirigente invadiu o gramado para cobrar o árbitro Gabriel Murta Barbosa Maciel, que relatou graves ameaças na súmula da partida.

Você acha que vai vim aqui e fazer resultado? Eu vou te matar! Eu sou bandido! Vou encher seu carro de bala! Você não sai daqui hoje! Você veio fazer resultado para a Federação. Você conseguiu tudo que você queria seu safado, ladrão!”, teria dito o presidente do Tricordiano, de acordo com relato do árbitro. Além de Vinagre, o supervisor de futebol do clube, Rachid Neto, teria tentado a intimidação. “Babaquice isso tudo! Vai tomar no c* seu safado, ladrão! Fazedor de resultado!”, relatou o árbitro.

A súmula do confronto pelo Campeonato Mineiro é tomada por observações do trio de arbitragem. Em dado momento, Gabriel Murta Barbosa disse que precisou ser protegido por quatro milicianos, além da Polícia Militar, pois corria sério risco com a fragilidade na segurança do vestiário da arbitragem.

“O vestiário ficou cercado por dezenas de policiais militares e ainda com a presença de quatro milicianos em seu interior junto de nós, a fim de se evitar qualquer problema maior do que os causados pelo presidente do clube, ou até mesmo pelas pessoas que este estava incitando contra nós e também os funcionários da Federação Mineira de Futebol”, relatou.

O Tricordiano pode receber punição ainda mais rigorosa da Justiça desportiva. Em contato com a reportagem, o procurado do Tribunal de Justiça Desportiva de Minas Gerais, Leonardo Barbosa, confirmou que oferecerá a denúncia contra os dirigentes do clube de Três Corações.

A íntegra da nota Federação Mineira

Clique aqui para ler a íntegra da nota oficial da Federação Mineira de Futebol

 

 

Texto entrevista: Toque de Bola

Texto punição: Site Superesportes

Nota: site da Federação Mineira de Futebol

Fotos: site do Tupi e Toque de Bola

Edição: Toque de Bola

O Toque de Bola é administrado pela www.mistoquentecomunicacao.com.br


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