17 mar 2016

“Gringo” Ricardo Uruguaio bate no peito: “Nunca perdi para o Atlético em Juiz de Fora”



HEROIS DE UMA ESCRITA-11

 

Símbolo da raça carijó em uma geração que marcou época nos confrontos entre Tupi x Atlético em Juiz de Fora, o ex-zagueiro, treinador e dirigente alvinegro, Ricardo Estrade, conhecido como Ricardo Uruguaio, e carinhosamente chamado pelo torcedor de Gringo, se recorda com carinho de um jogo em que o “Diabo Loiro” marcou o gol da vitória aos 44 minutos do segundo tempo e afirma: “Não perdi nunca para o Atlético em Juiz de Fora”.

 

Ricardo Estrade (Foto: Leo Lima)

Ricardo Estrade (Foto: Leo Lima)

Toque de Bola: O que você lembra do jogo Tupi 1 x 0 Atlético, em 18 de setembro de 1985?

Ricardo Uruguaio: “Foi um jogo onde o Tupi teve uma preparação psicológica muito importante, porque estávamos em um momento não tão bom. Vínhamos de um momento difícil e jogávamos contra uma equipe do Atlético interessantíssima, com nomes como João Leite, Nelinho, Luisinho, Reinaldo. E nós, quando jogávamos contra eles, parece que tínhamos uma transformação, um incentivo impressionante. Me lembro que neste jogo entramos no vestiário no intervalo e falávamos que tínhamos que vencer de qualquer jeito porque estávamos amassando os caras. O Sidnei, que o torcedor chamava de ‘Diabo Loiro’, sempre muito intempestivo, gritava ‘vamos ganhar pô, vamos ganhar desses caras!’. Então, no segundo tempo passamos por cima do Atlético, eles não conseguiam jogar. Me lembro que a nossa torcida estava contente com o 0 a 0 porque era contra um time grande e estávamos jogando bem. Então, com o caminhar da partida para o fim, alguns deles já iam embora quando aos 44 minutos, não me recordo se foi o Manoel ou o Isidoro, meteu uma bola para o Sidnei, e ele arrancou do meio campo em diagonal, driblou Nelinho, chegou frente a frente com o João Leite e ameaçou o chute. Quando o João caiu, ele mandou para o gol. A torcida que tinha saído voltou por causa do grito estrondoso. Foi maravilhoso. Conquistamos o título do interior neste ano.

Eu não perdi nunca contra o Atlético aqui. Eu me encontro com os amigos, João Leite, Reinaldo, Eder, e eles falam que quando vinham jogar com o Tupi aqui, a semana era terrível para eles. Algumas vezes precisavam vencer e sabiam que vinham aqui para perder, porque era difícil sacar um ponto daqui. Era uma emoção muito forte jogar com o nosso torcedor do lado.”

Toque de Bola: A fama do Sidnei era de ser um jogador de personalidade forte, como era lidar com ele?

Ricardo Uruguaio: “Ele realmente tinha essa personalidade forte, mas era de uma capacidade técnica incontestável. O Sidnei me ouvia muito, não era difícil me relacionar com ele, e eu conseguia passar a importância do conjunto. Tanto que nesse campeonato, faltando seis rodadas para o fim, o Luis Alberto teve que sair do comando e a diretoria se reuniu com os jogadores para perguntar se eles aceitariam que eu fosse jogador e treinador, ao mesmo tempo e eles aceitaram. No confronto de outubro, em que vencemos aqui o Atlético com o gol do Balbino, eu escalei o Brito no meu lugar na zaga, e ele foi muito bem.”

Sidnei, o diabo loiro (Foto: Leo Lima)

Sidnei, o diabo loiro (Foto: Leo Lima)

Toque de Bola: Os torcedores te param na rua para relembrar de jogos marcantes?

Ricardo Uruguaio: “Sim, param muito. Eles me reconhecem, às vezes me param com os filhos e falam que eu fui um dos grandes ídolos do Tupi. Tenho 34 anos morando em Juiz de Fora, eu me sinto em casa aqui, eles me adotaram. Relembram de momentos que antes dos jogos iam até o Bar do Tupi para encontrar com os jogadores. Hoje não se tem mais isso.

Em 1995 tive a chance de dirigir o Atlético e perdi por teimosia, pois estava no Guarani de Divinópolis e tinha um goleiro, que era meu melhor jogador, que pertencia ao Atlético e tinha um acordo verbal de que não poderia atuar contra eles. Eu disse que manteria ele no time, que não abriria mão dele. O Reinaldo, João Leite, Procópio, Nelinho, me aconselhavam ‘Uruguaio, não faz isso. Tira o cara do jogo. O Atlético quer você como técnico, está fazendo um bom trabalho, não compra essa briga’, mas por ser correto com minha profissão coloquei o jogador, perdemos, e ai eles escolheram o Gaúcho para assumir”

18/09/1985 – Tupi 1 x 0 Atlético – Gol de Sidnei

Estádio Procópio Teixeira – Público: 11.648 pagantes

Tupi: Adilson, Evaldo, Ricardo Estrade, Ricardo Balbino, Valdir (Ademir); Isidoro, Manoel, Sidnei; Nequinha, Zé Maria (Ronaldo), Teófilo. Técnico: Luis Alberto

Atlético: João Leite; Nelinho, João Pedro, Luisinho, Jorge Valença; Elzo, Paulo Isidoro, Everton; Sérgio Araújo, Paulinho Kiss e Edvaldo: Técnico: Vicente Lage

Em pé: Ricardo Uruguaio, Evaldo, Ricardo Balbino, Adilson, Isidoro e Valdir. Agachados: Nequinha, Manoel, J. Maria, Sidney e Teófilo

Em pé: Ricardo Uruguaio, Evaldo, Ricardo Balbino, Adilson, Isidoro e Valdir. Agachados: Nequinha, Manoel, J. Maria, Sidney e Teófilo

Texto: Guilherme Fernandes, estagiário do Toque de Bola, com supervisão de Ivan Elias e Bruno Kaehler – Toque de Bola

Fotos: Leo Lima

Edição: Toque de Bola

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