05 out 2015

Kaio, torcida, segundo jogo, quatro tempos e mais: confira o principal da coletiva de Leston Júnior



A vitória sobre o ASA por 2 a 0 na partida de ida das quartas de final da Série C do Campeonato Brasileiro não interfere no planejamento do técnico carijó, Leston Júnior, traçado antes da partida no Estádio Municipal Radialista Mário Helênio. Programação, esta, que vem sendo detalhadamente estudada muito antes da semana que antecedeu o mata-mata em Juiz de Fora, como afirmou o comandante do Galo em entrevista coletiva ainda na noite do sábado, 3, ao justificar a titularidade de Kaio Wilker.

Técnico Leston Júnior surpreendeu ao iniciar partida com Kaio Wilker entre os titulares e Geraldo no banco (Foto: Leonardo Costa / tupifc.esp.br)

Técnico Leston Júnior surpreendeu ao iniciar partida com Kaio Wilker entre os titulares e Geraldo no banco (Foto: Leonardo Costa / tupifc.esp.br)

Confira as principais análises do treinador do Alvinegro de Santa Terezinha, Leston Júnior, com direito à opinião sobre o comportamento do torcedor do Tupi e atuações como as de Sidimar e Fabrício Soares, as duas torres da zaga juiz-forana:

Atuação consistente após sequência negativa

“É um outro campeonato e aquelas três derrotas lá de trás não podiam ter nenhum efeito. Falei muito em competência emocional para vir aqui hoje sabendo que enfrentaria um grande adversário, um time muito forte, de jogadores leves, rápidos, que tocam bem e não cruzam a bola, tentam entrar no chão toda hora. Sabíamos que o jogo seria muito difícil e os jogadores mais uma vez se dedicaram muito ao longo da semana e conseguiram traduzir em 90 minutos muito fortes. O Glaysson praticamente fez uma ou duas intervenções, controlamos bem o jogo, marcamos bem, tivemos escapadas, reagimos mal depois do primeiro gol, em que tínhamos que manter o ímpeto, mas fomos empurrados para trás e ficamos com pressa de sair. Mas enfim, terminou apenas o primeiro tempo e sabemos que o próximo duelo será ainda mais difícil”.

Surpresa na escalação

O nome de Kaio Wilker era pouco ventilado nas prévias da equipe carijó. O meia-atacante, no entanto, iniciou o duelo entre os 11 e saiu cansado após o esforço, aplaudido pelos torcedores. A última partida de Kaio Wilker como titular do Tupi havia sido em 1º de agosto, no empate em 1 a 1 com o Tombense em Juiz de Fora.

“Pode ser uma surpresa para o mundo externo, mas depois do jogo em Madureira, o grupo conversou e dissemos que iríamos preparar o Kaio para o jogo do acesso porque é um jogador muito tático. Entendo às vezes os questionamentos, porque o jogador que é funcional tende a ser mais questionado, porque joga muito em prol do aspecto tático. O Gabriel, lateral-direito do ASA, pode ver que tem dois, três gols no campeonato. A maioria dos gols do ASA sai dos pés dele ou do Didira, é muito ofensivo. E precisava colocar um jogador que fosse cumprir o tempo todo a função de neutralizar o Gabriel. Graças a Deus ele fez um bom jogo junto com toda a equipe e agora é trabalhar para ver o que vamos armar lá em Arapiraca.

Felipe Augusto adiantado

A inserção de Kaio Wilker em um posicionamento similar ao que o atacante Felipe Augusto vinha desempenhando na primeira fase da Série C fez com que o centroavante Geraldo começasse como opção entre os suplentes. Mais leve, Felipe teve menos obrigações defensivas e maior liberdade na movimentação próxima aos zagueiros alagoanos.

“Ele (Felipe) me agradeceu, porque é doido para jogar ali. Quando atua pelo lado, tem que acompanhar lateral até o escanteio. E ali na frente ele está mais perto do gol. Se lembrarmos, antes do primeiro gol, ele teve dois chutes da entrada da área que normalmente quando joga pelo lado não tem, porque precisa trazer para dentro ou preparar para alguém. Ali ele passa a ser o homem da última bola. E é um jogador que se movimenta e tira a referência da marcação dos zagueiros. O nível de cumplicidade com ele é o mesmo com todo o grupo. Eles entendem sempre as nossas escolhas em cima de um critério e é sempre discutido com todo mundo, comissão e atletas, porque eu penso o jogo, mas quem executa são os atletas e eles têm que ser ouvidos. Fomos felizes na estratégia no que esperávamos do ASA”.

Leitura e experiência de Madureira

A eliminação nas quartas de final da Série C de 2014 no comando do Madureira também trouxe ensinamentos ao treinador, que aplicou nos estudos e repassou aos jogadores antes, durante e depois da vitória sobre o ASA.

“A primeira coisa é saber que são quatro tempos de 45 minutos. No intervalo falei com os jogadores que estamos ganhando o primeiro tempo, então vamos com calma, e no final do jogo falei a mesma coisa, que estamos vencendo o segundo tempo, mas tem mais dois lá e o acesso vai ser concretizado no segundo tempo em Arapiraca. Acho que o maior ensinamento é esse, de ver cada tempo de uma vez e saber ler aquilo que o jogo está dizendo. Hoje a partida nos disse que era para deixar a bola um pouco com o ASA, mas explorando o que ele vai ter de deficiência e potencializando o que você vai ter de bom. E a nossa bola parada, ao longo da competição, quando não saia gol, sempre aproximava. Contra o Brasil tivemos várias chances e hoje nós tivemos a felicidade de fazer. É pensar no hoje e dia-a-dia vamos construir uma atmosfera muito grande que nos leve ao acesso”.

“Duas torres”

“O Sidimar errou no finalzinho uma bola que o menino puxou do lado esquerdo. Ele foi atrás do atacante até o meio de campo e acabamos tomando uma bola por cima, em que o Glaysson saiu de soco. Até já falei com o Sidimar no vestiário, porque se tomamos um gol aqui, Deus me livre. Mas brincadeiras à parte, os dois fizeram um grande jogo. Conheço o Fabrício há muitos anos, e essa bola dele no primeiro pau é impressionante, sempre teve. E o Sidimar é um jogador que cresceu muito. Trabalhei com ele no ano passado na Série C e ele não jogou uma partida. Os dois zagueiros que atuavam não tomavam amarelo e não deixavam ele jogar. Mas sempre teve muito potencial e dedicação. E essa coisa de oportunidade é assim. Ela apresenta e você tem que estar bem preparado e ele esteve lá atrás, está colhendo os frutos disso e tomara que faça mais um grande jogo no dia 19 para que a gente concretize o sonho do acesso”.

Torcedor: agradecimentos e lamento

“Falei que fiquei um pouco surpreendido negativamente com apenas 3.500 torcedores, mas preciso agradecer e parabenizar os que vieram e principalmente os que acreditaram que era possível a gente fazer um bom jogo. O atleta que se dedica todos os dias não vem a campo para jogar mal porque quer. E às vezes ficamos um pouco chateados com a forma da cobrança. Não precisa hostilizar, crucificar ninguém. O Kaio era o jogador mais preparado para fazer aquela função. A preocupação era de pegarem no pé dele e o grupo comprou a ideia, disse que ia proteger. Porque quando você hostiliza o jogador do seu time, você está indo contra o seu clube, porque quem está em campo é ele. Depois do jogo, aí sim, mas antes e durante não adianta. O jogador precisa de apoio e quando você chega no estádio e tem o torcedor ali vibrando, dizendo ‘vamos Galo’, isso é bacana, o jogador gosta, se sente importante para a instituição. Essa sinergia precisa ser cada vez mais trabalhada aqui. Fiquei feliz com a recepção e com as 3500 pessoas que aqui estiveram. Um pouco chateado porque entendo que um jogo deste pedia um apelo de público muito maior para a cidade do porte em Juiz de Fora”.

Projeção não muda

“A perspectiva é a mesma de antes do primeiro jogo, porque o futebol é circunstancial. Se você toma um gol lá com dois minutos de jogo, a situação fica totalmente adversa. Então temos que aproveitar bem esses 15 dias e foi o que falei aos jogadores no vestiário. Essa caminhada foi muito árdua até aqui e esses 15 dias têm que ser especiais, com uma preparação que talvez nunca tenhamos feito para chegar em Arapiraca em condições de fazer um grande jogo e quem sabe concretizar o acesso”.

 

Texto: Bruno Kaehler – Toque de Bola

Foto: Leonardo Costa / tupifc.esp.br

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