12 mar 2014

CBV: após nova revelação, entidade promete investigações e modalidade pode perder verba pública



Os bastidores do voleibol brasileiro estão novamente em xeque. Depois de revelar, recentemente, informação que provocou o afastamento do dirigente Marcos Pina da entidade, a ESPN Brasil publicou, nesta terça e quarta-feira, 11 e 12,  novo escândalo nos bastidores da Confederação Brasileira de Voleibol, envolvendo comissões e participação de dirigentes e ex-dirigentes da entidade.

Acompanhe, a seguir, a informação divulgada nesta terça-feira e suas consequências, não só para a entidade como para a própria modalidade, tida como modelo de administração e bons resultados.  

Uma outra revelação foi feita pelo site UOL, na colun a de Erich Beting: aqui, a informação é que Bernardinho é o “homem por trás do dossiê da CBV”.

    ESPN: Novo escândalo: contrato da CBV vale R$ 10 milhões a diretor geral e braço direito de presidente da Federação Internacional  

  Depois de revelar na última semana a existência de uma empresa que recebe comissão da Confederação Brasileira de Vôlei (CBV) em cima de um contrato de patrocínio negociado diretamente entre a entidade e o Banco do Brasil (BB) e ganhando comissão posteriormente a uma venda já realizada, a série de reportagens Dossiê Vôlei mostra agora algo ainda mais surpreendente: o mesmo patrocínio, que não prevê porcentagem a nenhuma empresa por não ter intermediários na negociação, rendia comissão também para uma segunda firma. A mesma quantia do primeiro caso. Mais R$ 10.000.000,00 (dez milhões de reais), totalizando R$ 20.000.000,00 (vinte milhões de reais) em comissões por uma venda feita diretamente.

Não bastasse a duplicidade no pagamento de comissão para venda sem intermediação, a operação atípica tem outro ingrediente que chama atenção: a abertura da agência beneficiada se deu exatos três dias antes da assinatura do contrato. O Banco do Brasil, ao ser questionado sobre comissões para agências na primeira reportagem, foi taxativo: “o contrato é firmado diretamente”, afirmou o BB através de sua assessoria de imprensa.

O novo caso funciona assim: dois contratos de “prestação de serviços de representação e assessoria comercial” no valor total de R$ 10.000.000,00 (dez milhões de reais) pagos pela Confederação Brasileira de Vôlei (CBV) beneficiam a “S4G Gestão de Negócios”. Nos documentos obtidos pela reportagem no Cartório de Saquarema, a empresa consta ser de Fábio André Dias Azevedo. Homem de confiança e ligado a Ary Graça Filho, presidente da Federação Internacional de Vôlei (FIVB). Tamanha ligação uniu Fábio Azevedo e Ary Graça em duas frentes: como pessoa jurídica, a S4G de Fábio foi para dentro da CBV.

Como pessoa física, o dono da S4G consta como “Diretor Geral” no expediente da FIVB, primeiro cargo logo abaixo de Ary Graça, que assumiu a presidência da entidade mundial em setembro de 2012, sem, no entanto, deixar oficialmente a presidência da CBV. Até ser levado para a FIVB, Fábio Azevedo era superintendente da CBV.  No organograma, abaixo apenas de Ary Graça.

Na última semana, a série de reportagens “Dôssie Vôlei” aqui publicadas mostrou que outra empresa, a “SMP Logística e Serviços LTDA” também tem contrato de “prestação de serviços de representação e assessoria comercial” em modelo semelhante aos dois compromissos com a S4G. Também por dez milhões de reais em cinco anos de contrato. Assim, somando as cotas previstas para a SMP e para a S4G, a CBV prevê pagamento de R$ 20.000.000,00 (vinte milhões de reais) para estas agências em cinco anos, por comissão pelo contrato de patrocínio com o Banco do Brasil. Um repasse de vinte milhões de reais da CBV a título de “venda de patrocínio” realizado após a venda direta do patrocínio entre o BB e a CBV.

Por ocasião da reportagem que citava a relação entre a SMP e a CBV no que diz respeito a pagamentos de comissão pelo contrato com o BB, procuramos ouvir a Confederação, através da assessoria de imprensa. Não houve resposta. No mesmo dia da publicação, Marcos Pina comunicou sua saída do cargo de superintendente da CBV. Ao Jornal Nacional, da TV Globo, a CBV afirmou que “está apurando os fatos”.

Para esta reportagem, novamente procuramos a CBV, que desta vez respondeu e negou que, por parte da entidade, exista tal relação. “Os contratos entre a Confederação Brasileira de Voleibol (CBV) e o Banco do Brasil não preveem nenhum tipo de intermediação. A CBV reafirma que jamais houve esse tipo de prestação de serviço nos seus contratos com o banco”, afirmou a entidade através de sua assessoria de imprensa. Os dois contratos da S4G Gestão de Negócios com a CBV, que totalizam dez milhões de reais, falam em comissão por “serviços prestados”, entre eles “vendas de patrocínio, negociações junto às agências de publicidade, agências de promoção, anunciantes”. Passaram a vigorar entre 15 de abril de 2011, indo até 30 de junho de 2017.

O contrato com a SMP, objeto da reportagem na última semana, foi assinado em um domingo, 1º de janeiro de 2012, indo até o mesmo 30 de junho de 2017 dos dois contratos da S4G. Os dois contratos com a S4G estão assim divididos: um tendo como objeto comissão sobre “entrada de recursos para a CBV nas atividades de vôlei de quadra” e outro relativo ao vôlei de praia. Pagamento anual de um milhão de reais para cada contrato, com duração de cinco anos cada, perfazendo R$ 5.000.000, 00 (cinco milhões de reais) pela comissão do contrato de vôlei de quadra e cinco milhões de reais pelo de vôlei de praia. Totalizando dez milhões de reais nesses cinco anos. O contrato relativo a comissão paga para a S4G “nas atividades relacionadas à modalidade vôlei de praia” e o contrato assinado com a SMP tem o mesmo objeto e determinam, ambos, em sua primeira cláusula, que a CBV pague comissão “nas atividades relacionadas à modalidade vôlei de praia”. Nas duas empresas beneficiadas em contrato, SMP e  S4G, estão proprietários com estreita ligação com a CBV.

Presidente da FIVB, Ary Graça Filho teve seus contratos à frente da CBV suspensos

Presidente da FIVB, Ary Graça Filho teve seus contratos à frente da CBV suspensos

ESPN: CBV suspende contratos e diz que vai investigar gestão Ary Graça

Após as denúncias apresentadas pelo jornalista dos canais ESPN Lúcio de Castro no Dossiê Vôlei, a Confederação Brasileira (CBV) anunciou nesta terça-feira que contratou uma auditoria externa para avaliar os contratos firmados pela gestão anterior, sob o comando do atual presidente da federação internacional (FIVB), Ary Graça Filho. Como forma de precaução, a entidade que rege o voleibol nacional suspendeu todas as parcerias firmadas até 2012.  

  Nas últimas semanas, Lúcio revelou que dois ex-dirigentes da CBV – Marcos Pina e Fábio André Dias Azevedo – ganharam R$ 10 milhões cada em comissões de um contrato assinado diretamente pela entidade com o Banco do Brasil. Após a denúncia, Pina deixou a superintendência geral da CBV. Ary Graça Filho comandou o vôlei brasileiro de 1997 a 2012, quando foi eleito presidente da Federação Internacional. O atual mandatário da CBV é Walter Pitombo Larangeiras.

  Leia abaixo a nota divulgada pela Confederação Brasileira de Voleibol:

 CBV contrata auditoria externa para avaliar contratos

  A Confederação Brasileira de Voleibol (CBV) decidiu contratar auditoria externa, de reputação reconhecida, para avaliar contratos de terceirização de serviços assinados na gestão anterior. A auditoria, que complementará processo de revisão interna já iniciado pela instituição, irá incluir a apuração de denúncias publicadas pela imprensa sobre supostas irregularidades em alguns desses contratos.

O objetivo é ter um diagnóstico preciso do impacto desses contratos para a instituição. E, a partir dos resultados da auditoria, definir as medidas que serão adotadas. A escolha da empresa de auditoria deverá ser definida nos próximos dias. A atual gestão da CBV informa ainda que todos os contratos mencionados nas denúncias tiveram seus pagamentos suspensos preventivamente ou já foram cancelados. Ressalta ainda que solicitou o pronto afastamento do ex-superintendente-geral, Marcos Pina. Será realizada também uma avaliação jurídica dos referidos contratos.

“Iremos realizar uma revisão completa de todos os contratos de terceirização de serviços para tomar as providências necessárias caso problemas sejam detectados”, explica o novo superintendente-geral da CBV, Neuri Barbieri. A CBV reafirma seu compromisso com o voleibol e reforça que sua atuação é mundialmente reconhecida como exemplo de boa gestão esportiva. Em razão do trabalho profissional desenvolvido pela CBV, instituição fundada em 1954, o voleibol brasileiro é referência mundial. A CBV entende que a defesa do esporte está atrelada à adoção de atitudes transparentes e de rigor em relação à sua gestão.

  ESPN: Comissões pagas a dirigentes podem tirar verba pública do vôlei

Se a presidente Dilma Rousseff cumprir lei que assinou em outubro do ano passado, a Confederação Brasileira de Vôlei (CBV) corre o risco de perder o dinheiro público destinado pelo governo federal e até mesmo o patrocínio com o Banco do Brasil por causa das denúncias apresentadas pelo jornalista daESPN Lúcio de Castro nas últimas semanas. Segundo o Dossiê Vôlei, a CBV pagou duas comissões de R$ 10 milhões cada para empresas de Marcos Pina e Fábio André Dias Azevedo, respectivamente antigos superintendente geral e superintendente executivo da entidade que comanda o vôlei brasileiro, pelo contrato de patrocínio fechado com o Banco do Brasil.

À reportagem, o BB disse que a negociação foi feita sem intermediários. Na última terça-feira, a própria CBV publicou em seu site que vai investigar os contratos feitos durante a gestão de Ary Graça Filho, presidente da entidade que rege o vôlei brasileiro de 1997 a 2012 e atual mandatário da federação internacional de vôlei (FIVB).

Assim, essas ações vão na contramão do que diz a norma criada para moralizar o esporte que Dilma assinou em outubro: a lei federal nº 12.868 – que reforma a de número 9.615 de 1998 quanto “às normas gerais sobre desporto” – explica que “as entidades sem fins lucrativos componentes do Sistema Nacional do Desporto (…) somente poderão receber recursos da administração pública federal direta e indireta caso”, como descrito no item IV, por exemplo, “sejam transparentes na gestão, inclusive quanto aos dados econômicos e financeiros, contratos, patrocinadores, direitos de imagem, propriedade intelectual e quaisquer outros aspectos de gestão”.

   De acordo com o segundo parágrafo do item VIII, “a verificação do cumprimento das exigências (…) será de responsabilidade do Ministério do Esporte”. Os efeitos da lei nº 12.868 entrarão em vigor a partir de 15 de abril deste ano, exatos seis meses depois da publicação da mesma.

Os recursos federais de forma direta chegam à CBV via Lei Agnelo/Piva (para 2014, a entidade recebeu R$ 3,9 milhões) e também através de repasses com vistas à implantação de “projetos esportivos” – segundo o balanço da confederação de vôlei, em 2012 obteve R$ 12.831.877 para este fim. Já com relação a recursos de forma indireta, o contrato firmado com o estatal Banco do Brasil pode não ser mais celebrado, e a CBV perderia o filão de R$ 24 milhões anual que recebe. Marcos Pina deixou seu cargo depois da divulgação do escândalo; já Fábio André Dias Azevedo – braço direito de Ary Graça – segue como diretor geral do órgão máximo do vôlei mundial.

Uol: Bernardinho é o homem por trás do dossiê da CBV

É Bernardinho, o técnico da seleção masculina de vôlei, o responsável pelo dossiê revelado pela reportagem da ESPN Brasil que tem devassado o passado recente da Confederação Brasileira de Vôlei e derrubado diversos dirigentes da entidade. A revelação foi feita ao blog (Blog do Erich Beting, da Uol) por pelo menos três diferentes fontes envolvidas em negócios com a CBV e também por gente de dentro da própria confederação.

A “faxina” dentro da CBV começou em meados do ano passado, com algumas mudanças de rumo dentro da instituição, mas se intensificou em setembro, quando os principais aliados de Ary Graça no comando da CBV foram forçados a deixar seus cargos (José Fardim e Fábio Azevedo, antigos superintendentes executivos, deram lugar a Marcos Pina, que já estava na entidade).

Com o dossiê em mãos, Bernardinho começou a promover diversas mudanças dentro da CBV e a colocar pessoas de sua confiança em cargos estratégicos. A primeira delas foi em 21 de novembro de 2013, quando os nomes de Renan e Leila foram anunciados como novos membros do Comitê da Superliga. Renan foi parceiro em quadra do treinador, enquanto Leila foi comandada por ele na seleção.

Depois, em janeiro, foi a vez de Radamés Lattari assumir como diretor de eventos da CBV. Com relação próxima com o treinador, Lattari ocupou uma vaga que antes ficava a cargo de Fábio Azevedo e era uma das grandes responsáveis pela movimentação de dinheiro, especialmente no custo de organização do Circuito Banco do Brasil de vôlei de praia.

Na substituição de Marcos Pina da superintendência da entidade, no fim de fevereiro, a entrada de Neuri Barbieri também teve o dedo de Bernardinho. Há 30 anos no comando da Federação Paranaense de Vôlei, Barbieri conhece o treinador desde o início do projeto do Rexona, no estado do Paraná, em 1994. Idealizado por Bernardinho e bancado pela Unilever, o programa representou os melhores tempos do vôlei paranaense.

Ainda não estão claros quais os propósitos de Bernardinho com as mudanças que vêm sendo promovidas. O treinador, naturalmente, não quer aparecer como o responsável pelas trocas.

O fato, porém, é que muita coisa ainda pode acontecer. Se tem alguém que possui credibilidade no mercado para limpar a imagem da CBV após os escândalos que começam a brotar, é Bernardinho. Treinador campeoníssimo, dirigente de sucesso na época do Rexona, palestrante reconhecido pelo meio empresarial, ele tem os caminhos para superar até mesmo uma possível perda de patrocínio do Banco do Brasil.

Procurado durante todo o dia de ontem pelo blog, o treinador não foi localizado. Seu telefone celular estava desligado e ele não respondeu às mensagens enviadas solicitando uma entrevista. O espaço está aberto para Bernardinho comentar sobre o dossiê.

 

 

As informações sobre a CBV foram divulgadas (e aqui transcritas) no site da ESPN Brasil. Já a informação sobre Bernardinho foi publicada no site da Uol, blog de Erich Beting


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