13 jul 2012

Márcio Guerra lança livro em que compara as narrações no Rádio e na TV



Na segunda-feira, 16, o professor da Faculdade de Comunicação Social da UFJF, Márcio Guerra, lança o livro “Rádio x TV: o jogo da narração. A Imaginação entra em campo e seduz o torcedor”. O evento será no Fórum da Cultura, a partir das 19h30. A publicação é fruto da tese de doutorado de Guerra, realizada na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) sob a orientação da professora Raquel Paiva. Mas, antes disso, durante o mestrado, a narrativa radiofônica já era foco de seus estudos, quando constatou que, mesmo diante de novas tecnologias, o rádio continuava a encantar os ouvintes. Diante deste fato, o pesquisador buscou identificar possíveis deficiências da narrativa televisiva. 

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Um dos pontos identificados é que a maioria dos narradores de TV ainda não conseguiu encontrar uma forma de narrar diferente daquela consagrada no rádio, na qual os profissionais descrevem os gols, dribles e todas as jogadas para que o ouvinte “veja” a partida por meio das ondas do rádio. No caso da TV, por que repetir o que o expectador já está vendo? Daí, a necessidade de os profissionais de televisão buscarem uma narrativa própria para o veículo. Exemplos dessa busca já existem, de acordo com o estudo. Um deles é Sílvio Luiz, que encontrou uma forma própria de narrar. Milton Leite é outro que tem caminhado neste sentido. Na pesquisa, Guerra faz também uma análise das principais escolas de narradores, cada uma com a suas características. Confira, abaixo, a entrevista que o Toque de Bola fez com o professor sobre a sua mais nova publicação.

Toque de Bola: No próximo dia 16, o senhor lança o livro “Rádio x TV – O Jogo da Narração”. Qual a proposta do estudo e quando ele foi realizado?

Márcio Guerra: O livro é fruto da minha tese de doutorado, realizada na UFRJ, sob orientação da professora Raquel Paiva. Meu estudo sobre narrativa radiofônica começa no mestrado, quando observei que, mesmo com todo o desenvolvimento da tecnologia, especialmente da TV (e até quando o torcedor está no estádio), ele ainda sente a necessidade da transmissão pelo rádio. Assim, fica claro que essa narrativa ainda encanta as pessoas. A partir disso, no doutorado, procurei entender onde está a deficiência da narrativa televisiva. Entender as razões para a preferência do torcedor pelo rádio.

T.B.: O senhor defende que a narração de uma partida de futebol, mesmo na TV, é um espetáculo eminentemente radiofônico. Por quê?

M.G.: Porque o casamento do rádio com o futebol foi sempre harmonioso, desde o começo. Com a chegada da tevê, muitos narradores levaram para o veículo o jeito (não o ritmo) de narrar, esquecendo-se que a imagem fala também e que a narrativa, como é feita, fica redundante. Por isso é, sob meu ponto de vista, um espetáculo radiofônico.

T.B.: As narrações de TV ainda se assemelham muito com as do rádio? Precisam buscar identidade própria?

M.G.: Eles [narradores] reproduzem o esquema narrativo. Encontrei, na pesquisa, o nome de Sílvio Luiz, que já faz especificamente o relato adaptado para a TV e, mais recentemente, o Milton Leite. Tanto que os dois fazem muito sucesso com o público. Sílvio define bem o papel de quem narra para a TV: um legendador de imagem. Já quem narra para o rádio tem que construir o espetáculo na cabeça do torcedor.

T.B.: Quais as principais escolas de narradores? Isso se reflete também na TV?

M.G.: As principais escolas de narradores estão divididas em a formada por narradores que seguem Nicolau Tuma, o primeiro a narrar, com ritmo veloz, como Osmar Santos, Jorge Curi, Osvaldo Maciel e Edson Mauro. Outra segue Amador Santos, que começou narrando na mesma época que Nicolau, só que num ritmo mais cadenciado, seguido por Waldir Amaral e Fiori Gigliotti, entre outros.

T.B.: Como foi realizada a pesquisa?

M.G.: Fiz uma revisão bibliográfica nos estudos sobre jornalismo esportivo e narrativa. Além disso, entrevistei narradores, comentaristas e torcedores.

T.B.: Quais as conclusões a que chegou?

M.G.: Que o rádio continua fascinando pela sua narrativa e que a tevê precisa se adequar na narrativa com a imagem. De maneira geral, seria isso.

T.B.: Qual a contribuição que o estudo deixa para os profissionais de rádio, TV e também para os estudantes?

M.G.: Acho que travo uma discussão interessante sobre os dois meios, sem menosprezar um ou supervalorizar outro. Apenas trago a discussão sobre o jeito de narrar, o que é raro na bibliografia sobre o tema. Além disso, o trabalho, no que tange a definição de escolas de narradores, foi considerado pela banca que me avaliou como inédito e de forte impacto para os estudos na área.

O prefácio de “Rádio x TV: o jogo da narração. A Imaginação entra em campo e seduz o torcedor” é assinado pela professora Raquel Paiva. A obra estará disponível para venda no dia e no local do lançamento a R$ 30. Posteriormente, quem se interessar em adquirir o livro deve enviar uma mensagem para o email: marcio.guerra@ufjf.br. O Fórum da Cultura fica localizado na Rua Santo Antônio 1.112, no Centro.


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