06 maio 2012

Fab Melo, de Juiz de Fora para a NBA



Fabrício Melo, jogador que iniciou sua carreira como atleta no Projeto Basquetebol do Futuro (PBF/Olímpico), vai participar, em junho, do draft da National Basketball Association (NBA), através do qual as equipes selecionam novos jogadores para a principal liga de basquete do mundo. Se tudo der certo para o juiz-forano, ele será o quinto brasileiro jogando no basquete profissional dos Estados Unidos, ao lado de Anderson Varejão (Cleveland Cavaliers), Tiago Splitter (San Antonio Spurs), Leandrinho (Indiana Pacers) e Nenê (Washington Wizards).

Fab Melo, como é conhecido nos EUA, tem 22 anos, 2,16m de altura e fazia o curso de Artes e Ciências. Pivô do Universidade de Syracuse, foi o destaque defensivo da Conferência Big East da NCAA, a forte liga universitária norte-americana. Além de liderar as estatísticas dos tocos, teve média de 7,8 pontos e 5,6 rebotes por partida.

A decisão em participar do draft foi anunciada por meio de nota no site da instituição de ensino, na qual Melo informa que havia decidido tentar uma vaga na NBA após conversar com a família e com o técnico Jim Boeheim. No texto, ele destaca que jogar basquete profissional sempre foi seu sonho desde que começou no esporte, e que agora tinha a oportunidade de realizá-lo.

De acordo com o professor do PBF/Olímpico, Sérgio “Marreco” Rodrigues, o sonho de FAB Melo atuar no basquete profissional dos EUA é real. “As chances são boas devido ao bom campeonato que ele fez na liga universitária, que a porta de entrada para NBA”, disse, acrescentando que rebote e tocos são as principais jogadas do atleta, quem considera ótimo defensor.

O primeiro treinador de Fabrício, José Ricardo Brandão, afirma que não tem muito contato com o jogador atualmente, mas revelou que acompanha a carreira do atleta com atenção. “Certamente, ele tem um grande futuro e é um exemplo para os garotos que estão no começo por aqui e por todo o Brasil (…). Fab Melo é um batalhador, um talento que nunca esquece suas raízes.”, disse, acrescentando que ficará na torcida para o jogador chegar à NBA.

O caminho até as quadras norte-americanas foi longo. Ele ensaiou os primeiros arremessos na escolinha do PBF/Olímpico, com o professor José Ricardo Brandão. Já era muito alto, e magro. Chegou a pensar em desistir. Mas, ele tinha ao seu lado bem mais que apenas treinadores. “No final de um ano, ele machucou o dedo. Depois, não estava querendo voltar a jogar. Eu vi o Fabrício na Banda Daki e comuniquei ao Zé Ricardo, e o Zé foi conversar com a mãe dele para que ele voltasse”, relembra Sérgio Rodrigues.

Nesta foto, na escada, Fabrício é o camisa 9. Saulo, que enviou a foto ao Portal, o define como "pessoa extremamente alegre e dedicada"

Nos Jimi, 32 pontos num jogo só 

A passagem pelo PBF/Olímpico foi marcante e repleta de casos. Um deles é motivo de brincadeira até hoje quando os ex-professores se encontram com a revelação do basquete brasileiro. “Ele já estava em BH, mas disputava os Jimi [Jogos do Interior de Minas] para JF, que era representada pelo Vianna Júnior. A fase final foi em Uberlândia. No jogo contra o Uberlândia, o time estava na arquibancada esperando a troca de roupa. Quando passamos por eles, teve aquela arrogância. Eles nem cumprimentaram a nossa equipe, pois havia um jogador deles que estava selecionado entre 50 jogadores brasileiros com possibilidades de ir para os EUA. Era um pivô, mesma posição do Fabrício. Mesmo com a nossa derrota, o Fabrício só faltou fazer chover em quadra. Fez 32 pontos, além de várias tocos e cravadas, a ponto do técnico de Uberlândia tirar o número 9 porque ele não conseguia marcar o Fabrício. Quando terminou o jogo, todos cumprimentaram o Fabrício. Eu estava como técnico e brincava com ele que tinha um cara esperando ele lá em Uberlândia”, relembrou Sérgio Rodrigues, fazendo referência ao jogador que Fab Melo tirou de quadra.

Rodrigues espera que, com o exemplo de Fab Melo, novos talentos não sejam desperdiçados. “Quantos ‘Fabrícios’ passaram por nós e não tiveram a mesma oportunidade que ele? Quantos ficaram apenas no sonho de serem atletas, pelo menos de uma equipe simples, e, devido a vários fatores, principalmente a falta de apoio, não viram o sonho ser concretizado? Falar de esporte em Juiz de Fora é difícil. Sentimos isto na pele há um bom tempo. Realizamos as coisas assim, na vontade e na insistência. Para muitos somos considerados abnegados, sonhadores e malucos, que abrimos mão de muitas coisas para realizar sonhos que muitas vezes não são nossos. Mas, no final, ficamos satisfeitos de ver isto acontecer”, finaliza Rodrigues.

Texto: Thiago Stephan

Foto em destaque: www.blogsyracuse.com

Foto antiga: Arquivo Saulo Almas


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