11 dez 2011

Estórias do Tupi – Parte 3



Juiz de Fora (MG), 11 de dezembro de 2011

Leia a terceira – e última – parte das “Estórias do Tupi”, que revelam bastidores e curiosidades da campanha vitoriosa do campeão brasileiro da Série D. O texto é do jornalista Ailton Alves, assessor de imprensa carijó

Lembre a primeira parte das estórias

Veja como foi a segunda parte das estórias.

20 – Parabéns “terceirizado”

Final de jogo em Anápolis (Tupi 2 x 2 Anapolina, e classificação à Série C garantida), o técnico Ricardo Drubscky “vagueia” pelo gramado, antes da comemoração. Vê o goleiro da Anapolina, camisa um, e demonstrando espírito esportivo cumprimenta o adversário:

– Parabéns, garoto, bela atuação

– O que é isso, professor, eu nem joguei – responde o atleta.

Só então Drubscky percebe a sua gafe: ele cumprimentou o goleiro reserva, Jorge. O titular Edinho – que realmente teve uma bela atuação – jogou com a camisa 12.

21 – O líquido preferido

Acesso garantido à Série C, a delegação voltou ao hotel fazenda, nos arredores de Goiânia, para as devidas comemorações. Famintos, os jogadores foram para o restaurante. A gerência do hotel gentilmente providenciou duas garrafas de champagne para brindar o momento. O técnico Ricardo Drubscky ficou animado e foi ao quarto buscar a máquina fotográfica para registrar o fato.

Só que os jogadores estavam interessados em outro líquido e escalaram o meio-campista Luciano Ratinho para consegui-lo.

Luciano chegou humildemente à mesa onde estavam Drubscky, o gerente de futebol Pitti e o preparador físico Luiz Augusto Alvim:

– “Seu” Pitti, sabe como é, estamos felizes, amanhã não tem treino e não vai fazer mal nenhum… os “juvenis” estão querendo… O senhor pode liberar uma cervejinha?

Pitti olhou para Drubscky e depois para Luiz Augusto, que assentiram com a cabeça, mas resolveu fazer jogo duro:

– Não sei, não. Quantas?

– Isso aí, o senhor é quem sabe (respondeu Luciano)

– Uma para cada um (disse Pitti)

Luciano ficou visivelmente decepcionado com a quantidade, mas – fazer o que? – aceitou prontamente.

Pitti sorriu com a própria maldade e dobrou a oferta: “está bem, duas garrafas para cada um”.

A champagne ficou fechada e esquecida na mesa, e posteriormente foi devolvida à direção do hotel, com pedido de desculpas

 

22 – Os pescadores

Nesta noite da troca da champagne pela cerveja, alguns jogadores resolveram pescar, já que o hotel fazenda nos arredores de Goiânia tinha um lago e o serviço de pesque-pague. De um lado ficaram os “urbanos” Michel e Vitinho, do outro os “caipiras” Luciano Ratinho e Marquinhos – no meio ficou, atrapalhando tudo com sua falação desenfreada o baiano Henrique. Luciano realmente provou que conhecia do assunto e tirou da água um Pirarucu de uns 12 quilos. Só que o meio-campista Marcel, outro “urbano”, se atrapalhou todo com o puçá e deixou que o peixe escapasse. Quase apanhou e foi motivo de chacotas intermináveis.

23 – O homem de preto no sol

Araraquara (SP) é conhecida como “a morada do sol” – e realmente faz muito calor. Só que o zagueiro Sílvio chegou à cidade gripado, febril e consequentemente sentindo frio. Produziu uma cena insólita: andando para lá e para cá com o uniforme de viagem preto – inclusive casaco – do Tupi. Foi dúvida até minutos antes da partida contra o Oeste (Ida, das semifinais), mas entrou em campo, mesmo debilitado. Ao ser substituído, desmaiou, à beira do campo. A ambulância foi chamada para levá-lo ao hospital. Ao partir, a porta do veiculo se abriu e por pouco Sílvio não foi, forçosamente, “devolvido” ao gramado.

24 – A mentira tem pernas curtas

Nesse jogo contra o Oeste, Marcel acertou um petardo de fora da área e abriu o placar. O técnico Ricardo Drubscky ficou impressionado com a beleza do gol e brincou com o atleta no vestiário:

– Marcel, acho que vamos ser campeões, pois até você está fazendo gols.

– Que isso, professor? Estou acostumado a fazer gols – disse o jogador

Drubscky chegou a acreditar e pensou alto: “É, sou novo por aqui, e o Marcel deve ter feito gols no campeonato mineiro, na Taça Minas e até nas categorias de base”

Ao chegar a Juiz de Fora, na primeira entrevista, Drubscky recebeu a informação de um jornalista local: foi o primeiro gol de Marcel com a camisa Carijó.

25 – Tem juiz que é cego

Nessa mesma partida, contra o Oeste, placar definido (3 a 0, Galo), Ricardo Drubscky orientou Marcel e Augusto, pendurados com dois cartões amarelos, a forçarem o terceiro. Augusto “conseguiu” rapidamente a advertência, demorando uns “trinta minutos” para cobrar um lateral. Com Marcel não teve jeito e ele saiu de campo sem receber o cartão amarelo.

Drubscky reclamou:

– Pô, Marcel, eu não mandei você levar o cartão?

– Eu tentei professor, fiz cera, deu um empurrão no cara, levei um sopapo dele, mas o juiz não viu.

26 – A cidade dos shoppings

No retorno da delegação de Itápolis, São Paulo, de ônibus (depois da vitória sobre o Oeste, por 3 a 0, nas semifinais), os jogadores da região (Augusto e Luciano Ratinho) ficaram com a incumbência de orientar o motorista sobre qual o melhor caminho a seguir. E o fizeram de forma que o trajeto incluísse passagem por Ribeirão Preto (cidade natal de ambos) – ao invés de Araraquara, caminho de ida. Ao se aproximar de Ribeirão Preto, Luciano, muito orgulhoso, começou a propagar as vantagens da sua terra: “É uma cidade muito grande, com um milhão de habitantes e três shoppings”.

27 – Trancados no Arruda

Em meio aos quase 55 mil torcedores do Santa Cruz, na grande final da Série C, havia os 30 torcedores do Tupi e mais seis Carijós (imprensa, diretores e conselheiros do clube). Estes últimos foram colocados em uma cabine, no meio dos torcedores rivais e sem nenhuma proteção frontal (um vidro que fosse). A maioria dos torcedores do Santa que foi se acomodando por ali olhava aquilo com desconfiança e cara de poucos amigos. Tudo, no entanto, corria bem até que Allan fez o primeiro gol, e, obviamente, os gritos vindos da cabine chamaram a atenção no silêncio que se fez no Estádio. Um pernambucano ficou nervoso e mandou que todo mundo se calasse – obviamente, não foi atendido. O clima ficou tenso, principalmente porque dois minutos depois Henrique fez mais um gol. Novos gritos. Uma moça e um rapaz ficaram nervosos. Ela começou a bater no parapeito da cabine com as bexigas coloridas distribuídas antes do jogo e ele ameaçou pular para dentro da cabine. Um segurança chegou e acalmou os ânimos. Depois, por precaução, o zeloso segurança trancou a cabine por fora, deixando seis Carijós no escuro e sem poder descer para a festa.

28 – Sem máscara

De volta a Juiz de Fora, na terça-feira (22 de novembro), dia das comemorações pelo título da Série D, Santa Terezinha, todo mundo tirando fotos e o meio-campista Henrique corre para mais uma pose e mais uma sessão de fotografias, mas chega atrasado. Fica bastante chateado.

– Pô, perdi essa. Não quero perder nada

– Onde você estava, Baiano? (pergunta Ademilson, percebendo a aflição do colega).

– Estava atendendo o repórter?

– Já que quer aparecer em todas as fotos, deixa para atender o repórter depois (aconselhou Ademilson)

– Tenho que atender, senão ele vai dizer que sou mascarado. Não quero que ninguém pense que sou um campeão mascarado.

 


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