04 dez 2011

Estórias do Tupi – parte 1. Ademilson quase aposentou antes da hora



Juiz de Fora (MG), 4 de dezembro de 2011

O jornalista Ailton Alves, assessor de imprensa do clube, elaborou textos especiais contando bastidores muito especiais da histórica conquista do título brasileiro da Série D pelo centenário clube carijó. Veja a primeira parte das “Estórias” do Tupi Futebol Clube.

1 – A quase aposentadoria do ídolo

Capitão do time campeão da Taça Minas, em 2008, Ademilson já era o atual ídolo maior da torcida Carijó, antes da Série D começar. Estava no Uberlândia e foi contactado, sobre a possibilidade de voltar ao Galo. Aceitou prontamente, conversou com os dirigentes do clube do Triângulo Mineiro, conseguiu a liberação e rumou para Juiz de Fora. Chegou a Santa Terezinha às 14h05 e exatos 12 minutos depois já estava treinando.

Porém, antes de se consagrar definitivamente, marcando oito gols no campeonato – seis deles na Anapolina – Ademilson viveu vários pequenos dramas.

Às vésperas da estreia, contra o Itumbiara (GO), em julho, ele sentiu a coxa e passou a ser dúvida, não só para o jogo mas até mesmo para boa parte do campeonato. Porém, ele não admitia essa possibilidade e seguiu, junto com a delegação, de ônibus, para o interior goiano – dizendo a todos que “jogaria, que nada o tiraria da estreia”.

No entanto, o problema era realmente sério e as dores persistiam. No final da tarde do dia do jogo (marcado para as 20h30), ainda no hotel, Ademilson foi ao quarto do treinador Ricardo Drubscky, relatou seu quadro clínico e disse que, apesar disso, estava à disposição. O técnico tentou demove-lo da ideia de jogar, que não valeria a pena o risco etc. Ademilson aparentemente aceitou os argumentos, mas pediu uma última chance: um teste no vestiário. Não foi aprovado e ficou fora da estréia e do jogo seguinte, contra o Tocantinópolis, em Juiz de Fora.

O craque estreou no terceiro jogo do torneio, contra o Gama, em Gama (DF) e atuou normalmente em todas as outras partidas da primeira fase.

No último destes confrontos, contudo, contra o Itumbiara, em casa, o atacante sofreu uma pancada no joelho direito, e os exames mostram que houve um estiramento colateral medial e uma distensão no ligamento poplíteo. A “sentença” do médico do clube, Roberto Maranhas, foi terrível: “Ademilson para por quatro semanas” – e isso na quinta-feira da semana do primeiro mata-mata, contra o Volta Redonda (RJ).

Ademilson recebeu a previsão com relativa tranqüilidade, respeitou a posição do Departamento Médico do Clube mas declarou ao site do Galo: “O local atingido no jogo contra o Itumbiara está dolorido, e edemas apareceram no exame, mas nem de longe penso em ficar tanto tempo fora”. Em off, resmungou: “Pô, o Maranhas está querendo me aposentar”.

Ademilson não se aposentou, marcou três gols na vitória sobre a Anapolina (4 x 1), outros dois no empate (2 a 2) contra o mesmo time goiano e mais um no Oeste – e, aos 37 anos, tem contrato com o Galo para a disputa do campeonato Mineiro de 2012, que começa em janeiro.

 2 – O filósofo

Não há no elenco Carijó campeão brasileiro nenhum jogador realmente folclórico. O que mais chega perto disso é o atacante Cassiano (capaz de frases como “o mais importante é manter as pernas no chão” ou “o motorista do avião é muito bom”), mas o grande filósofo é sem dúvida o meia Luciano Ratinho. Ele tratava os mais jovens (todos, com exceção de Ademilson e Allan) como “juvenis” e, quando esses “juvenis” lhe “enchiam o saco”, saia com essa: “É, tenho que voltar a dar balas e brinquedos para os meninos. Dei liberdade e o resultado não foi bom”

3 – O cinéfilo

O enfermeiro Creso Heleno é um excelente profissional e um ótimo companheiro de viagem, mas há uma unanimidade em Santa Terezinha: se ele abrisse uma locadora de filmes já teria ido à falência. Responsável pela escolha dos filmes exibidos durante as viagens de ônibus, a tarefa se revelou um desastre absoluto, já que as obras exibidas eram de qualidade para lá de duvidosa. Uma única exceção foi “O Homem que Desafiou o Diabo”, visto com bastante interesse. O filme realmente é bom, mas desconfia-se que o sucesso deveu-se basicamente às boas “atuações” de Flávia Alessandra e Fernanda Paes Lemos.

4 – Os apelidos

O elenco campeão brasileiro da Série D tem Marquinhos, Nando, Neguete e Vitinho, mas tem também Adê, Baiano, Branquelo, Buiú, Caiero, Cara de Cachorro, Cara de Pato, Gago, Neguinho, Rato, Silvão e Taxista. Sem contar, fora das quatro linhas, Bomba, Boró e Pitti – Creso é nome mesmo.

5 – Não basta ser pai …

Aeroporto de Brasília, por volta das 21h, retorno de Gama (após o empate com o time local, 1 a 1) e ao celular o volante Assis fala num tom de voz perceptível a todos que estão ao redor: “Atirei o pau no gato… mas o gato não morreu… dona Chica admirou do berro que o gato deu”. Ao lado, o também volante Denilson (companheiro de quarto de Assis nas concentrações) explica a cena insólita: “Ele está cantando para o filho dormir. Toda noite é isso”.

 

6 – Quase dupla expulsão

Aos 30 minutos do segundo tempo do jogo Tupi x Gama, em Juiz de Fora, partida difícil e empatada, o zagueiro Wesley Ladeira é expulso de campo, por uma entrada por trás no atacante adversário. O jogo continua, nervoso, e aos 47 minutos, Chrys faz o gol salvador e corre para comemorar. O primeiro abraço que ele recebe, quase dentro do campo, é de ….Wesley Ladeira, que ainda estava por ali, de uniforme. O árbitro acha aquilo bastante esquisito e puxa as suas anotações para se certificar de que o jogador “intruso” era mesmo o que ele expulsou. Experiente, o funcionário do Clube Júlio Vieira percebe a intenção do árbitro, agarra Wesley Ladeira e praticamente o carrega a força e o esconde no vestiário. O árbitro, então, desistiu de procurar o infrator.

7 – É doce morrer no ônibus

A viagem da delegação Carijó para Tocantinópolis (TO) incluiu escalas no Rio de Janeiro (RJ) e em Imperatriz (MA), antes de um trecho de balsa sobre o Rio Tocantins. Quando isto aconteceu, os jogadores e a comissão técnica desceram do ônibus e foram admirar o Rio – segundo disseram alguns infestado de piranhas – e a paisagem. Só o preparador de goleiros, Walker Moreira ficou no veículo. “Tenho medo e não sei nadar. Se a balsa afundar prefiro morrer dentro do ônibus”, justificou.

8 – Drubscky, o sincero

Durante todo o campeonato, o Tupi só teve problemas sérios com arbitragem no jogo em que perdeu para o Tocantinópolis (0 x 3, em Tocantins). Mas foram tantos que o treinador Ricardo Drubscky, um gentleman, perdeu a paciência com o auxiliar e, no final do jogo, chegou para ele e disse: “Você não tem família, é venal”. O árbitro colocou as ofensas na súmula. No retorno para Juiz de Fora, o departamento de imprensa do clube, inadvertidamente mas preocupado com uma punição severa ao treinador, sugeriu que ele negasse o teor do xingamento ou que trocasse “venal” por algo como “sem vergonha”. A contragosto Drubscky concordou mas ao primeiro “aperto” de um repórter, entregou: “Quer saber mesmo, falei mesmo que ele era venal”.

9 – Aprendiz de dançarino

Jogo decisivo da primeira fase, contra o Itumbiara e Luciano Ratinho faz o gol da vitória e da classificação. Nas comemorações, o lateral-direito Marquinhos se posta ao seu lado e começam os dois uma dança bastante esquisita (com a mão no nariz, estilo “Claudinho & Bochecha”). Ninguém entendeu nada. A situação ficou pior ainda em Itápolis (SP). Marquinhos faz o terceiro gol e, ao lado de Luciano, começa uma dança bastante esquisita (estilo meio funk meio rock) e ninguém entendeu nada. A explicação só veio dentro do ônibus, no retorno a Juiz de Fora, quando Luciano Ratinho, falando ao telefone com o filho Guilherme, diz: “O Marquinhos fez um gol e dançou daquele jeito”. Estava explicado: o lateral aprendeu a dançar daquele jeito com um menino de seis anos.

 Texto: Ailton Alves


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