29 nov 2011

Crônica de campeão: “Trinta dinheiros”, por Ronaldo Dutra Pereira



Trinta dinheiros

Ronaldo Dutra Pereira

Reza a lenda que um grupo de homens bem intencionados – 12 para ser mais exato – seguiram um homem sábio e, durante alguns anos, realizaram missões coroadas de êxito. Ao final da missão, quando tudo parecia indicar que o trabalho continuaria com ainda mais sucesso, um deles – Judas Iscariotes – em troca de uma bagatela de trinta dinheiros, bandeou-se para o lado dos fariseus e sacerdotes do país e traiu a causa, quase pondo a perder todo o trabalho.

Esse episódio me lembra a recente conquista do Tupi que chegou ao título de campeão brasileiro da Série D, graças à obstinação de um grupo de homens, alguns ainda imberbes, dotados de uma força de vontade acima da média. Contudo, quando tudo parecia correr às mil maravilhas, um homem – Ricardo Drubscky – deixou-se seduzir por um punhado de moedas e jogou o sonho de prosseguir com novas conquistas pelo ralo. O ingrato alicerçou-se no raciocínio de que é um profissional e que precisa de ganhar mais dinheiro para coroar os sonhos materiais que acalenta. Para ele, ao que tudo indica, de nada valem os ideais que embalam a vida dos grandes homens.

Há os que lhe dão razão, dizendo que acima de tudo existe um objetivo profissional que deve nortear a vida de todos nós, mas eu discordo. Para mim, sempre um sonhador, os ideais de conquistas estão acima de interesses pecuniários. O que interessa é ver no dia-a-dia de minha vida, eu alicerçar o prédio de minha existência com algo mais substancial que meros ganhos financeiros. Afinal, ao fim de minha jornada terrena, não levarei nada dentro de uma estratégica gaveta no meu caixão.

Para homens como Drubscky, os sonhos não importam, o que conta são os valores de conseguimos pôr no bolso ou numa conta bancária. Mesmo que esses valores sejam passageiros e nada acrescentem à nossa conta corrente existencial. Ainda mais se levarmos em conta que as propostas que possam nos seduzir venham de fontes menos gloriosas que o Tupi Foot-ball Club, como é o caso do Volta Redonda, um clube que disputa o campeonato carioca com o único intuito de não cair para a segunda divisão fluminense. Assim meu caro Drubscky, que você tenha mais sucesso que os pouco saudosos Moacir Júnior e Léo Condé.

 Ronaldo Dutra Pereira

Leia também: Crônica: “Um Tupi como nos velhos tempos”

 


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