15 out 2011

“Dilma, Pelé, Ricardo Teixeira… Falta de mineiro não tem”



 Juiz de Fora (MG), 14 de outubro de 2011

O Secretário do Estado Extraordinária da Copa (Secopa), Sérgio Barroso, disse nesta quinta, 14, em Juiz de Fora, que Belo Horizonte e Mineirão têm todas as condições para sediar a abertura da Copa do Mundo no Brasil em 2014. Mas ressaltou que a decisão a ser anunciada em Zurique, na Suíça, no próximo dia 20, pode não ser essa.

“Minas quer a abertura da Copa, mas por que a Presidente da República, Dilma, mineira, não dá uma de mineira? Pelé também é mineiro. Ricardo Teixeira (presidente da CBF) não é mineiro? Falta de mineiro não tem. Pode ter gente que não esteja sendo mineira”, disse Barroso.

A frase foi dita num segundo momento do evento, depois das apresentações iniciais do superintendente do Sebrae, Afonso Maria Rocha, do próprio Secretário da Secopa, do Prefeito Custódio Mattos e do ex-jogador Ricardo Rocha. A “cutucada” nos mineiros famosos ocorreu quando houve um espaço para perguntas, com mediação de Mariana Bahia e respostas de Sérgio Barroso e Ricardo Rocha.

  O contexto da frase

Entenda como saiu a frase. O Secretário dizia que, “por mérito, BH e Mineirão estão muito bem posicionados, o Mineirão sendo entregue em dezembro de 2012, quando deveria ser em novembro de 2013. Um estádio com 64.500  lugares em cadeiras/poltronas, área coberta, 51 mil leitos de hotéis considerando BH e região metropolitana bh, sendo muito mais do que é exigido pela FIFA (um terço da capacidade do estádio)”.

Com a certeza de que o estado cumpriu seu papel, Barroso acrescentou: “Já se disse, pela Fifa, que vão esperar o Itaquerão (estádio que está sendo construído em São Paulo) até fevereiro de 2014. O encerramento ser no Maracanã é normal, pela  tradição, já foi a sede da final da Copa de 50. Mas com todo respeito, na lembrança de todo brasileiro qual é segundo estádio com mais história no País, depois do Maracanã? Naturalmente é o Mineirão”.  O dirigente lembrou ainda, como comparação entre Mineirão e o estádio paulista em construção – que o projeto do Itaquerão prevê 20 mil assentos móveis. “Por mérito, Mineirão certamente deveria abrir a Copa, respeitando-se o Maracanã para o encerramento, o jogo final. Mas independente da decisão que será anunciada pela Fifa, Minas vai fazer a melhor Copa da história” .

Ricardo Rocha engrossou o coro, criticando São Paulo: “É inconcebível São Paulo demorar tanto a responder a Fifa qual seria o estádio”. Sérgio ainda lembrou que caso Minas venha a ser preterida na intenção de abrir a Copa de 2014, vai buscar outras indicações, como a semifinal, ou a abertura da Copa das Confederações ou o centésimo jogo da seleção no Brasil. Sabemos que não é só a FIFA, existe um Comitê Organizador local”.

Aí veio a frase: “Por que Minas, que tem a presidente mineira, por que ela não dá uma de mineira? Pelé que é mineiro? Ricardo Teixeira não é mineiro? Falta de mineiro não tem. Pode ter gente que não esteja sendo mineiro.”

 Juiz de Fora e Matias Barbosa

Antes da frase, acompanhe as principais declarações do encontro realizado em Juiz de Fora:

  Superintendente do Sebrae, Afonso Maria Rocha:

No Programa Sebrae 2014, reunimos Sebraes de todos os estados e criamos uma carteira de projetos, algune em andamento. Comércio, prestação de serviços. A qualidade dos serviços no Brasil deixa muito a desejar,outra ação foi contatar um estudo da Fundação Getúlio Vargas nas 12 cidades sede da Copa. A Fundação identificando oportunidade de negócio, como organizar, trazendo e preparando empresários. O estudo feito colocou em pimeiro lugar construção civil e tecnologia de informação

Muitos hotéis, estádios, para o Sebrae entender a lógica da cadeia produtiva destes setores, pequenas empresas no entorno das grandes devem ser fornecedoras – móveis, turismo. É preciso preparar as empresas para que participem da entrada de recursos no País.

No Turismo, a qualidade de serviço, se preocupar com a imagem que será mostrada para o mundo de Juiz de Fora, Minas e Brasil O fluxo turístico após o evento depende do durante a Copa – segurança, mobilidade urbana, a funcionalidade dos equipamentos.

Em JF projeto ligado ao turismo de negócios, trabalha a potencialidade da cidade como pólo de turismo de negócios. Reafirmamos parceria com Secopa, prefeituras, colocamos a estrutura do Sebrae à disposição de JF, Matias Barbosa e região.

O Sebrae é gestão e empreendedorismo. Antes, durante e depois do evento. Desejo o sucesso da cidade neste desafio, a cidade tem que estar preparada para ser escolhida.

Prefeito Custódio Mattos

Estamos querendo participar desta grande festa mundial que é a Copa do Mundo. Nenhum evento reúne tanta gente, tanto interesse no mundo, principalmente no Brasil. Na economia, as oportunidades conjunturais e permanentes. Na preparação, no evento, e nos qualifica para o futuro de grandes eventos. O projeto de JF é regional e tem parceria na prefeitura de Matias Barbosa, no estado, na Fifa o e apoio de todos. É um projeto bilateral (JF-Matias),  mas de impacto regional. Temos potencial para sermos bem sucedidos, pelas instalações do Haras Morena.

Qualidade de vida, instalações, temos certeza das condições para o projeto ser bem sucedido. Com apoio do Secretário estadual, vamos fazer o dever de casa sendo profissionais. Não é coisa para amadores. Investindo em qualidade de vida, equipamentos esportivos, temos um estádio de qualidade, mas que precisa ser aperfeiçoado, por isso estamos em parceria para fazer as melhorias no estádio, temos ginásio em construção, a UFJF conta com equipamentos de primeira qualidade. É a base de apoio para o futuro, temos Olimpíadas logo a frente, em que também estamos nos preparando. Temos feito ensaios, capacidade de receber bem, como ocorreu no ano passado, nos Jogos Pan-Americanos Escolares, e mais recentemente com as seleções juvenis de vôlei da Argentina, Japão, Rússia, a própria seleção brasileira.

Em segurança, mobilidade, JF tem níveis equivalentes a Canadá, e, na América do Sul, a Uruguai e Argentina. Temos base de sustentação mas precisamos investir, com Matias. E faremos nosso papel. Para merecer ajuda do governo do estado, vamos nos articular com a iniciativa privada e a sociedade civil, para que sejamos dignos não só de sermos escolhidos mas para mostrar, na prática, que estamos preparados para a função, para as Olimpíadas e todos os grandes eventos.

Temos na cidade investimentos de R$ 500 milhões em dois anos, seis novas empresas, 8.800 empregos, momento de grande retomada, graças ao trabalho e apoio de todos a cidade será coroada com a escolha.

Muito obrigado parcial que esperamos ser, adiante, muito obrigado total.

Sérgio Barroso

Na vida não se  tem o que merece, mas o que se negocia. O merecimento está na troca, na capacidade de negociar o seu benefício. É grande o processo de negociação com a Fifa para nos tornar pré-candidatos, é negociar com governos municipais, empresários, e com as seleções. Tudo é negociação, é maneira de se apresentar, temos que provar e mostrar que somos os melhores – temos que divulgar com capacidade profissional.

O futebol é paixão, mas Copa do Mundo é negócio, e uma das partes do negócio chama-se futebol. A Fifa é entidade sem fins lucrativos mas o que mais visa é o lucro, e não é pecado, o lucro honesto, com posições transparentes, que tragam benefícios para a comunidade. Hoje há 19 cidades, na parceria com Sebrae. A Copa se tornará grande veículo para o Sebrae transformar especialmente as micro empresas do estado.

É preciso entender a importância da cidade ser pré-candidata. E o legado pós-Copa. Por onde as seleções passaram, as cidades nunca mais foram as mesmas, sempre foram bem melhores, imagina uma cidade que capacita 500 profissionais para a Copa, depois do evento eles vão para o mercado de trabalho. Se não nos cuidarmos a área de prestação de serviços vai ficar para trás, não importa o trabalho, a função, seja um motorista de táxi ou uma camareira de hotel, a qualificação é fundamental.

Tudo é preciso ser feito com ordem, controle e qualidade. O Brasil tem mais atletas que a população da Argentina.

Temos 19 cidades mineiras pré-candidatas. A Fifa hoje é a entidade mais importante do mundo, até que a ONU, que tem 180 países, a Fifa, 208. Os congressos da Fifa são considerados mais importantes que da ONU. Estando nossas cidades mineiras no livro da Fifa, mesmo que não sejam escolhidas agora, já significa alguma coisa para nós.

Na próxima semana, em Zurique, ocorre a definição da Fifa. Belo Horizonte hoje certamente está na frente, tivemos uma reunião ontem, relatório das nossas atividades na Copa. A região metropolitana de BH tem o Aeroporto Internacional Tancredo Neves em Confins, o único com possibilidade de expansão no Brasil. Na Copa da África do Sul, por exemplo, as aeronaves estacionavam na grama, quando as empresas de seguro souberam quadruplicaram os valores do seguro.

Temos condições de receber air bus, o único aeroporto brasileiro com esta possibilidade é o de Confins. O estádio do Mineirão estará pronto no final de 2012, 64.500 pessoas, todo coberto, camarote, museu do futebol, 1.600 metros quadrados. Do lado de fora do estádio haverá uma esplanada. Serão feitos shows com 65 mil pessoas, sem usar o gramado. BH vai entregar o Mineirão 18 meses antes da copa, não é só Londres que antecipa as Olimpíadas, temos que valorizar o que fazemos, e fazer comparações, teremos sistema hoteleiro, BH vai ser o nosso cartão postal para que a gente trabalhe o interior, serão 45 novos hotéis – não é só pela Copa do Mundo. BH é deficiente em hotelaria e o estado de Minas cresce mais, PIB de 10,9% no estado contra 7,5% do País. É preciso mobilidade urbana. Além do metrô, que não vai sair para Copa, teremos ônibus articulados, todas as rotas turísticas sendo recalculadas, redimensionadas

Tudo isso vai nos dar algum gabarito. Além da Copa do Mundo, temos a Copa das Confederações em 2013, a Copa América em 2015, as Olimpíadas em 2o16, só o Rio como cidade não vai acomodar tudo. As cidades mineiras estão sendo procuradas para Olimpíadas, hoje maior indústria mundial é o turismo, em que o Brasil é altamente deficiente. A Argentina recebe mais turistas que o Brasil – temos que olhar o turismo com mais carinho, e eventos esportivos são os maiores atrativos para o turismo.

O Governo do estado dará toda a atenção e todo apoio às cidades candidatas a sub-sede

Ricardo Rocha

Ouça entrevista especial de Ricardo Rocha ao blog.

Um dos maus maiores orgulhos na vida é ser brasileiro. O povo brasileiro é o melhor do mundo. Segui uma maneira de ser na seleção com Zagallo, o amor que ele tinha pela seleção não vi em nenhum dirigente, treinador ou atleta. Zagallo depois como amigo. As 19 cidades não vão ter uma seleção. Copa será em Minas, e quando se fala em Minas a coisa é grande, venho acompanhando a copa há dois anos, todo mundo fala “tá atrasado”, vamos parar com esse pessimismo, “ah, estão gastando bilhões nos estádios”, já estive como atleta em 1990 e 94 e depois ex-atleta, e torcedor, na Alemanha e na África do sul. Tenho experiência como atleta e como torcedor. Só três países do mundo conseguem fazer Copa e depois Olimpíadas: EUA, México e Brasil. Até 2018 e 2020, o Brasil vai gerar esporte, todos têm que se preparar para isso. Há um trabalho pós copa do mundo e o planejamento é fundamental.

As cidades vizinhas ganham muito se JF for a escolhida. Saía às 23h nos países da Copa como torcedor e não tinha nada aberto. No Brasil a churrascaria pode ir até as 4h, o povo conta histórias, e o pessoal que vem para cá gosta disso. É preciso planejamento na saúde, na segurança. A Copa no Brasil vai ser a maior de todas. A melhor copa que eu vi foi Alemanha, organização de primeiro mundo, foi show em organização.

Destaques da mediação aberta a perguntas 

Ricardo Rocha: o campo para treinamento é fundamental, prioridade, tem que ser perfeito. As seleções vão olhar muito o campo.

Sérgio: A cidade deve entender o que se espera dela, isso é importante parra nossa cidade, então vamos elaborar o planejamento, tenho que ter aeroporto linhas regulares, aeronaves acima de 120 passageiros, compactação da pista e no mínimo terminal suficiente para receber aeronave com 120, que pode até ser fretada. Um hotel em que a chefia da delegação e/ou o técnico defina que aquilo é bom para os atletas, centro de treinamento incluindo infra estrutura, lazer, piscina, privacidade, tem gente que não gosta, quer ficar em Copacabana, mas a maioria quer privacidade.

Na gastronomia vamos envolver Sebrae, Senac, hotelaria, divulgar a comida mineira. Na Copa dos EUA era só Mc Donald’s. Na Alemanha, chucrutes. É preciso dar opções aos visitantes.

A fábrica da Mercedes-Benz pode favorecer a escolha da Alemanha por Juiz de Fora?

Ricardo Rocha: Pode influir, sim. Empresas importantes. Escolher não sei, mas é ajuda muito forte para pré-temporada alemã. Temos que ver onde essas seleções vão estar na hora do sorteio.

Historinha de Ricardo Rocha

Em 1994, o Brasil teria dois tetracampeões, Ayrton Senna e seleção. Senna morreu, e aí tive uma ideia que até eu me surpreendi comigo mesmo. Os jogadores olharam para mim – e  nordestino fala demais. Disse: aquele grupo de japoneses morria pela pátria, ia de avião com litros de gasolina e morria pela pátria, foi o erro, devia ter parado – falei que eram os Kawasaki, mas eram os kamikazes. Os jogadores me zoaram: “tu é burro pra caramba”, mas naquela mistura de chamar os brios e dizer uma coisa totalmente errada houve descontração, e aquele grupo de 94 era muito unido”.

JF não desanime, acredite, por que não JF trazer uma seleção? E tem Copa das Confederações, Copa América, a oportunidade que isso vai trazer. A prosperidade que vi no povo africano, na Alemanha, que já era forte e grande, saúde, autopistas, bons hotéis, aeroportos, empregos, esse é o legado. Elefante branco não vai ter não, tenho umas ideias, não pode ser elefante branco, tem que ter trabalho no dia a dia, com comunidades, não precisa ser só de futebol o estádio.

Fotos: Fernando Barbosa – Jornalista e Repórter Fotográfico – 32 9969 – 7147 – Acesse : twitter.com/fotonandox – facebook – fernando barbosa(fotonandox@gmail.com) msn : fotonando@click21.com.br

 


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