29 abr 2011

Solange Tavares: exemplo de atleta e de vida



Juiz de Fora (MG), 29 de abril de 2011

Quem olha para a advogada Solange Tavares, de 53 anos, não imagina que por trás da profissional está uma das principais atletas de Juiz de Fora. Ela começou a nadar quando tinha apenas oito anos e competiu até os 20, representando o Sport Club e, posteriormente, o Clube Bom Pastor. Depois, veio a faculdade, o casamento e a “carreira” de mãe, que acabaram a tirando da piscina. Já com filha grande, decidiu voltar a nadar. No ano 2000, Solange mergulhou de cabeça na natação master em busca dos benefícios do esporte. Pouco tempo depois já estava competindo, batendo recordes e conquistando inúmeras medalhas. Mas, o que a atleta não sabia é que o amor pela modalidade seria decisivo para que ela vencesse o maior desafio de sua vida: a batalha contra o câncer.

De volta às competições

No retorno às raias, Solange foi acolhida pelo Clube Icaraí, de Niterói, que passou a representar nos campeonatos Carioca e Brasileiro, competições nas quais representa o clube niteroiense até hoje. Em 2006, com a criação da regional sudeste do Campeonato Mineiro, começou a competir também em Juiz de Fora e Minas Gerais, torneios que a partir de 2011 passou a competir pela AABB.

Nem no trabalho Solange esquece da natação

Perguntada sobre quais os maiores resultados de sua carreira, a atleta citou três que foram marcantes. O primeiro foi obtido em 2000, quando quis participar do Campeonato Sul-Americano por “curiosidade”. Ela queria conhecer a competição. Mesmo sem acreditar que poderia trazer bons resultados, voltou para Juiz de Fora com o título de campeã sul-americana em sua categoria e medalhas de prata em duas provas. Em seguida, decidiu voltar a nadar provas longas. Os recordes cariocas foram caindo um a um. Foi então que veio a descoberta: “Eu sou fundista.” Outra prova marcante para a nadadora foi em 2004, quando disputou a Copa Brasil, realizada em Juiz de Fora. Solange venceu em todas as vezes que caiu na piscina.

Mas, emocionada, ela confessa: o resultado mais marcante não foi na água. “O melhor de todos foi no ano passado, quando tive câncer de mama. Descobri em abril, quando estava muito bem, inclusive nadando o Carioca e pretendia ir para o Brasileiro. Tive que parar tudo para fazer o tratamento. Fiz cirurgia e quimioterapia. Em novembro, quando comecei a fazer radioterapia, decidi, juntamente com a médica, fazer preparação física. Eu não podia estar na água, mas comecei a fazer musculação, um trabalho para fortalecimento muscular para eu ter condição de voltar para a água sem lesão. O tratamento mexe muito com a gente e perdi massa muscular. Quando foi em dezembro, eu tive autorização dela para voltar para a água, mas com restrições, como por exemplo, de não tomar sol. Ainda estava em tratamento e com queimaduras da radioterapia. Continuei na musculação e fazia “água” três vezes por semana. Em janeiro, tive alta e a médica disse que eu poderia ter vida normal. Aí, realmente eu voltei para a água. Passei a treinar todos os dias e meu técnico foi dosando a metragem. Nosso objetivo era eu voltar bem, sem lesão, sem comprometer minha saúde, e treinar visando o Campeonato Pan-Americano, que será em novembro, no Rio de Janeiro. Voltei a competir, inclusive na prova de 800m, o que não fazia há dez anos. E aí eu bati o recorde brasileiro nests prova e os recordes cariocas nos 50m livre e 200m livre. Foi uma surpresa muito boa”, contou.

As cinco medalhas foram conquistadas em Campo Grande

A partir desse momento, não cessaram os convites para a participação no Campeonato Brasileiro de Natação Master, que seria realizado em Campo Grande (MS). A atleta se organizou e conseguiu participar da competição, que foi realizada na Semana Santa. Ela participou dos 1.500m, 400m, 200m, 200m medley e 100medley. “Só não ganhei nos 200 medley. Nadei muito abaixo dos meus tempos, abaixo dos tempos que fazia quando eu tinha 40 anos. O clube pediu que eu nadasse também o revezamento e fui para ajudar. Foi ótimo, porque saí dos 1.500m e consegui nadar muito bem no revezamento. Tudo isso é fruto da preparação”, relatou, acrescentando que treina seis vezes por semana, sendo que na segunda, quarta e sexta nada de manhã e, à noite, faz trabalho funcional específico para a natação. Nos outros dias, “só” nada.

Mal chegou do Brasileiro e ela já está com a cabeça em outras competições: Solange quer disputar o Pan-Americano. Passada a disputa no Rio de Janeiro, seu foco será a participação do Campeonato Mundial, em 2012, sonho adiado pela vida e que agora ela retoma com força total.

Ouça o que o esporte pode fazer na vida de uma pessoa.

Confira a avaliação de Solange sobre a natação master.

Texto: Thiago Stephan


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