10 mar 2011

Por que foi tão difícil entrar no estádio para ver Tupi x Cruzeiro?



Juiz de Fora (MG), 10 de março de 2011

Se o torcedor do Tupi deixou o Estádio Municipal Radialista Mário Helênio satisfeito com a apresentação do Carijó, o mesmo não pode ser dito em relação à sua chegada. A exigência da apresentação de comprovante de matrícula para o benefício da meia-entrada – o que está previsto em lei há muito tempo, mas é novidade em Juiz de Fora – deixou muitos torcedores, estudantes ou não, revoltados por perder até 20 minutos da partida na fila para entrar. Por isso, desabafos como ‘é um absurdo’, ‘não volto mais’, ‘que falta de organização’ foram ouvidos repetidas vezes nas arquibancadas.

Segundo a assessoria de comunicação da Federação Mineira de Futebol (FMF), um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) entre o Ministério Público Estadual (MPE), clubes e autoridades determinou que a meia-entrada fosse comprovada tanto na compra como na entrada. Ainda segundo a assessoria de comunicação, pelo fato das carteirinhas de estudantes serem fraudáveis, o MPE determinou que a comprovação de matrícula atual também fosse exigida. A ação teria sido motivada em função de perda de arrecadação do Tupi, já que havia demanda do clube.

Segundo o gerente de futebol do Tupi, Pitti, o clube não solicitou nenhuma fiscalização. Todavia, ele reconhece que o procedimento adotado na partida contra o Cruzeiro é uma norma antiga, mas que não vinha sendo colocada em prática nas partidas de Juiz de Fora. “Em outros jogos, os porteiros locais deixavam ‘correr bambo’. Ontem [quarta-feira], todos os porteiros eram da Federação Mineira e estavam exigindo a matrícula, juntamente com a carteirinha de estudante ou a carteira de identidade. Tinha gente com carteirinha de 2009 argumentando que costumava entrar normalmente. O Tupi quer fazer tudo dentro da lei. Mas estava havendo abuso. É só olhar os borderôs dos jogos contra Villa Nova, Democrata e América. O número de meias-entradas foi muito maior que de inteiras. Dessa vez [contra o Cruzeiro] o número de inteiras foi superior”, comentou Pitti.

Em relação à queixa de muito torcedores sobre a dificuldade para entrar no estádio, Pitti informou que o clube trabalhou com 11 bilheterias e nove portarias, número considerado suficiente por ele. “Não tivemos problema nas bilheterias. O problema foi nas portarias em função da questão com os estudantes, o que atrapalhou os demais torcedores entrarem”, avaliou.

Quanto à abertura dos portões do Estádio Municipal Radialista Mário Helênio, Pitti confirmou que houve atraso de cerca de 15 minutos, já que a FMF teve que efetuar reunião para explicar o sistema operacional às pessoas que iriam trabalhar, sobretudo em relação à exigência do comprovante de matrícula. “Nessa hora tinha muito pouca gente para entrar. Assim que o portão abriu, todos entraram. O problema em Juiz de Fora é o costume de chegar em cima da hora que, aliado ao problema com as meias-entradas, acarretou filas”, finalizou Pitti.

O superintendente da Agência de Proteção e Defesa do Consumidor (Procon-JF) Eduardo Schroder, informou que antes de todas as partidas do Campeonato Mineiro existe uma reunião entre os representantes dos órgãos envolvidos no evento, da qual também participa o Procon-JF. Schroder disse que houve essa reunião antes da partida contra o Cruzeiro, quando foi colocada a exigência do comprovante de matrícula, o que, na sua avaliação, não há nenhum problema. “A Federação Mineira de Futebol pode exigir a comprovação sim e o estudante que quer o benefício deve ter esse documento. A não ser que ele tenha menos de 18 anos. Nesse caso, basta a carteira de identidade”, expôs o superintendente, acrescentando que até às 16h30 desta quinta-feira, 10, não havia chegado nenhuma reclamação relativa ao jogo no Procon-JF.

O presidente da Liga de Futebol de Juiz de Fora, Ricardo Wagner, não poupou críticas tanto para o Tupi como para a FMF. Segundo ele, a Liga indicou ao Tupi que colocasse todas as bilheterias do estádio funcionando, o que não aconteceu. “A Federação tem todo o direito de exigir que o torcedor privilegiado com a meia-entrada comprove que tem direito. O que foi diferenciado neste ano foi exigir um boleto bancário do ano de 2011, sendo que tem estudante que ainda pode efetuar a matrícula na faculdade. Além disso, a documentação de 2010 tinha que valer. É uma situação muito complicada e existem exageros de todos os setores. O Tupi é omisso em não intervir. A administração do estádio também tinha que intervir, já que dizia respeito à população de Juiz de Fora. São questões que estamos criticando para tentar resolver. Os estudantes bloquearam as entradas e tivemos que acionar a Polícia Militar para que a Federação Mineira parasse de exigir tanta documentação e deixasse o pessoal entrar, uma vez que o jogo já estava começando. Agora, se é lei, por que a Federação Mineira não mandou seus fiscais nos jogos anteriores?”, questionou Ricardo Wagner, que trabalhava na transmissão do jogo pela Rádio Globo na hora da confusão.

A meia-entrada em Minas Gerais foi instituída pela Lei Estadual 11.052/93, que determinou que o benefício era válido para estudantes regularmente matriculados na rede oficial de ensino, público ou particular, de 1º, 2º e 3º graus, compreendendo os alunos de pós-graduação, mestrado, doutorado e aqueles matriculados em cursos pré-vestibulares, todos previamente credenciados junto à UNE, UEE/MG, UBES ou UCMG. Mas, em 2001, a Medida Provisória 2.208 permitiu que a condição fosse comprovada através de documento emitido pelo estabelecimento de ensino ao qual o estudante tivesse vínculo.

Texto: Thiago Stephan


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