14 fev 2011

Corpo pede licença. Fenômeno joga a toalha e chora



Ao lado dos filhos Ronald e Alex, Ronaldo confirma, emocionado, o adeus aos gramados

São Paulo (SP), 14 de fevereiro de 2011 

Hesitante e emocionado, Ronaldo deu as primeiras palavras em seu adeus ao futebol, exatamente às 13h desta segunda-feira, no centro de treinamento do Corinthians. O ídolo do futebol mundial chegou sorridente à sala de imprensa, mas mudou de feição na hora de anunciar a despedida. O Fenômeno afirmou que as dores recorrentes das diversas lesões que teve durante a carreira – e continuou sofrendo dos últimos anos em ação -, o fizeram parar. 

Além disso, revelou que um problema de hipotiroidismo descoberto há quatro anos atrás, quando ainda estava no Milan, dificultava sua luta contra o excesso de peso e criticou aqueles que fizeram piada sobre o assunto. 

“Há quatro anos, no Milan, eu descobri que sofria um distúrbio que se chama hipotiroidismo, que desacelera o seu metabolismo e que, para controlar esse distúrbio, teria que tomar uns hormônios que não são permitidos no futebol porque seria um doping. Muitos aqui devem estar arrependidos por terem feito tanta chacota com o meu peso, mas não guardo nenhuma mágoa de ninguém. Só queria explicar isso no último dia da minha carreira.” Perguntado se o Corinthians já sabia desse problema, Ronaldo foi sucinto. “O Corinthians sempre soube de tudo” 

A influência do hipotireodismo na condição física do Fenômeno já havia sido retratada em matéria do portal ‘IG’ em setembro de 2009. Na matéria do jornalista Bruno Winckler, o consultor médico do Corinthians, Joaquim Grava, negou a versão de Ronaldo. “É balela. Você acha que se fosse só esse problema do Ronaldo a gente não trataria? Não tem nada de tireóide. O Milan já desmentiu esse boato.” 

“Como vocês devem ter ouvido ouviram falar no fim de semana, estou aqui hoje”, começou o atacante, com dificuldade para continuar o discurso. “Fiz uma cola tremenda, mas não vou conseguir falar nada…vim para falar hoje que estou encerrando minha carreira como jogador profissional e dizer que essa carreira foi linda, foi maravilhosa, emocionante.” 

“Tive muitas derrotas, infinitas vitórias e fiz muitos amigos. Não lembro de ter feito nenhum ininigo. Enfim, estou antecipando o fim da minha carreira por alguns motivos importantes. Todos sabem aqui do meu histórico de lesões. Tenho tido nos últimos dois anos uma sequência muito grande de lesões, que vão de um lado para o outro, de uma perna para outra, de um músculo para outro e essas dores me fizeram antecipar o fim da minha carreira.” 

“Talvez se minha história voltasse a ocorrer daqui 15, 20 anos, a medicina teria avançado muito mais e meus problemas gravíssimos poderiam ser resolvidos mais rapidamente e mais facilmente. Não me arrependo de nada, minha carreira sempre foi linda, digna, sempre foi tudo maravilhoso. Vou sentir muita saudade. Não sei como vai ser daqui pra frente essa saudade de voltar a jogar, a sensação de competição, o protagonismo quando se faz um gol de vitória. Mas, enfim, deu a hora e temos que olhar para frente.” 

“A partir de quinta-feira, quando decidi, estava em uma UTI – Unidade Terapia Intensiva. E agora esse anuncio foi a minha primeira morte, digamos. É muito duro você abandonar algo que te fez tão feliz, que voce se doou tanto, deu tanto amor e que poderia ainda seguir. Porque mentalmente e psicológicamente ainda quero muito. Mas tenho que assumir algumas derrotas. Perdi paro meu corpo e esse é o momento.” 

Ronaldo contou os detalhes da sua aposentadoria e o que passou em sua cabeça antes de tomar a derradeira decisão. “Minha família estava viajando. Quinta-feira, quando eu decidi, as dores me possuiam, me consumiam e eu não conseguia pensar em mais nada. Eu fiz um esforço de memória e esse ultimo ano de 2010 foi um ano péssimo, de muitas lesões. E começar o ano assim, com muitas lesões…voce jogar, sua cabeça pensar uma coisa e voce achar que vai driblar o zagueiro e pensar que vai ganhar na velocidade, porque voce sempre fez isso, e não conseguir. Isso me desmotivou. Eu fiquei desde sexta dentro de casa, sozinho, quebrando a cabeça.” 

“As pessoas que estão próximas sofrem comigo, sofreram a cada dia. Eu sinto dor em subir uma escada. Todos com que eu falei, todos entenderam na primeira vez que falei. Eu doei a minha vida ao futebol, fiz todos os sacrificios mais duros e impensáveis que alguem pode fazer. E não me arrependo de nada. Foi lindo demais, maravilhoso demais”, concluiu o Fenômeno. 

Texto e foto: site ESPN Brasil (www.espn.com.br) 


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