20 jan 2013

Trinta anos sem Mané Garrincha…



Se há um Deus que regula o futebol, esse Deus é sobretudo irônico e farsante, e Garrincha foi um de seus delegados incumbidos de zombar de tudo e de todos, nos estádios. Mas, como é também um Deus cruel, tirou do estonteante Garrincha a faculdade de perceber sua condição de agente divino. Foi um pobre e pequeno mortal que ajudou um país inteiro a sublimar suas tristezas. O pior é que as tristezas voltam, e não há outro Garrincha disponível. Precisa-se de um novo, que nos alimente o sonho.
(Carlos Drummond de Andrade)

Não houve mesmo outro Garrincha, mas já bem antes daquele 20 de janeiro de 1983, o dia da sua morte. Atormentado pela doença do alcoolismo, longe dos gramados com que fazia as pessoas sonhar, vitimado por tragédias pessoais que o fizeram perder dois filhos em acidentes de carro, Garrincha já era há algum tempo uma sombra obscura do genial ponta-direita que assombrara o mundo com seus dribles improváveis.

Muitos companheiros tentaram ajudá-lo, como o compadre Nílton Santos, mas Garrincha vivia preso à sua doença. Um obstáculo que não conseguia superar, muito mais complicado do que deixá-lo para trás como fazia com sua arrancada espetacular com que também deixava os marcadores impotentes.

Vivia internado na clínica Ênio Serra, em Laranjeiras, na zona Sul do Rio de Janeiro, de onde saía para voltar logo em seguida. Naquele 20 de janeiro, ficou para sempre, morto aos 50 anos incompletos, com a vida destroçada.

Ainda de manhã, bem cedo, ao saber da notícia, um repórter que vivera o desafio e ao mesmo tempo a paixão de fazer incontáveis matérias sobre o ídolo maior está sozinho, caminhando em Ipanema, no Rio de Janeiro, sem ter com quem dividir a dor. Até que se encontra com Silva, um ex-jogador da Seleção Brasileira, companheiro de Garrincha na Copa de 1966, e lhe dá a notícia. Sem se conhecer, ficam os dois ali, parados, como se não acreditassem naquele desfecho mais do que anunciado. Garrincha estava morto.

Garrincha na Seleção Brasileira

Garrincha vestiu a camisa da Seleção 60 vezes: foram 53 vitórias, sete empates e uma única derrota (Foto: site oficial da CBF)

Na Copa do Mundo de 1958, em gramados suecos, o mundo já assistira sem muito entender aquele jogador improvável, de dribles que pareciam previsíveis, fazer os adversários, um a um, de tolos para chegar à linha de fundo e consagrar Vavá com cruzamentos tão violentos quanto precisos.

Era Garrincha, o gênio da ponta-direita, um jogador que fazia por um lado do campo – e driblando sempre na mesma direção – o que muitos outros tentavam de várias formas sem conseguir o mesmo brilho.

Como explicar a genialidade de um jogador que não se cuidava fisicamente, não gostava de assistir a futebol, mas sim de jogar, principalmente as peladas de pés descalços no campo de terra batida com os companheiros do distrito de Pau Grande.

O Garrincha que, mesmo já campeão do mundo, continuava a embarcar numa longa e cansativa viagem de trem desde Pau Grande até General Severiano, no bairro do mesmo nome para treinar no seu Botafogo. Simples, parecia não levar o futebol muito a sério, e desse jeito costumava provocar o amigo e apaixonado rubro-negro, Malvino, lá na cidadezinha onde moravam em toda véspera de um Botafogo x Flamengo.

– Malvino, amanhã é dia de eu brincar com o meu amigo Jordan (este era o lateral-esquerdo do Flamengo encarregado de marcá-lo).

À Copa do Mundo do Chile, chegou no auge da forma. Com ele e Pelé no ataque, formado ainda por Didi, Vavá e Zagalo, seria difícil impedir o bicampeonato do Brasil. Nosso time era cheio de craques e muito superior aos adversários.

Só que Pelé ficou fora de combate logo no segundo jogo. Parecia ser o que Garrincha esperava para assumir de vez a responsabilidade, ser definitivamente o senhor da bola e dos caminhos que levariam a Seleção Brasileira ao título.

Ele exagerou. Marcou gols de cabeça, que não era o seu forte, marcou gol de falta, fez gol com a perna esquerda. Destruiu todos os sistemas defensivos montados para anulá-lo e ainda foi expulso na semifinal contra o Chile, outro fato estranho à sua carreira. Logo ele que sofria marcação severa, às vezes na forma de pontapés, mas não revidava nunca.

Por uma muito bem orquestrada manobra de bastidores, não foi suspenso e entrou na final contra a Tchecoslováquia. Estava febril, não desequilibrou como até então fizera, e sequer jogou bem.

Não precisava. Garrincha já era o dono da Copa do Mundo de 1962, o seu melhor jogador, aquele que fez o mundo se render ao futebol de exceção do maior ponta-direita da história.

Os números de Mané Garrincha com a camisa da Seleção Brasileira são expresivos. Em 11 anos atuando com a camisa do Brasil, ele conquistou duas Copas do Mundo, em 58, na Suécia, e em 1962, no Chile.

Garrincha entrou em campo 60 vezes com a camisa verde e amarela. Fram 52 vitórias, sete empates e uma derrota. A única derrota foi na partida que marcou sua despedida da Seleção. No dia 15 de julho de 1966, no segundo jogo da Copa do Mundo da Inglaterra, o Brasil perdeu para a Hungria por 3 a 1 (Pelé, contundido, não jogou). Tostão marcou o gol da Seleção.

Marcou 17 gols. Foi bicampeão do mundo (58/62), vários títulos, um currículo impressionante que terminou com a marca da única derrota, exatamente na sua despedida.

Texto: Assessoria de Comunicação da Confederação Brasileira de Futebol


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