06 dez 2012

Estádio do Sport: com os dias contados?



“Ou eu conservo o clube do jeito que ele está e dentro de 20 anos eu perco esse patrimônio, ou tomo as decisões que têm que ser tomadas”. É assim que o presidente do Sport Club Juiz de Fora, Paulo Cezar Gasparette, justifica o projeto para construir, no lugar onde hoje fica o gramado do Estádio Procópio Teixeira, três campos de futebol society, uma quadra poliesportiva, outra de tênis e uma área de convivência no centro do complexo (veja imagem abaixo). Gasparette afirma que essa medida aumentaria em 40% a arrecadação do Sport. Para isso, seriam investidos, ao longo de um ano, cerca de R$ 300 mil, em recursos do próprio clube. A decisão está nas mãos dos sócios do Periquito, que votam sobre o assunto no domingo, 9, das 8h às 13h. O presidente acredita na aprovação: “95% dos sócios vão votar a favor”. Confira a entrevista concedida pelo presidente do Sport ao Toque de Bola na tarde desta quinta-feira, 6, nas dependências do clube.

Toque de Bola: Inicialmente, eu gostaria que o senhor explicasse o projeto de utilizar a área do gramado do Estádio Procópio Teixeira para novos fins.

Paulo Cezar Gasparette: Quando esse grupo assumiu, pegamos o Sport em situação bem adversa. Muitas dívidas e o clube bastante deteriorado. Tivemos que recuperar o patrimônio e sanar as dívidas. Fizemos uma gestão bem dura para essa recuperação. Tivemos que tomar uma opção e o Conselho Deliberativo nos deu a possibilidade de vender parte do patrimônio. Mas nós, como fomos criados dentro do clube, decidimos tomar outro rumo.

T.B: Em relação ao projeto em si, o que seria construído no lugar do campo?

P.C.G.: É um pedido feito no dia a dia do associado do Sport Club Juiz de Fora. Sabemos que estamos mexendo em um valor inestimável para o clube e também para a sociedade de Juiz de Fora. Tivemos que tomar esta decisão, que está sendo dura para mim e outros diretores que gostamos de futebol. Mas quem vai tomar a decisão é o associado do Sport.

Como surgiu a ideia do projeto?

P.C.G.: Quando você é gestor em alguma coisa na vida, você tem que tomar algumas decisões. Onde que é a fonte de faturamento do Sport? É o associado. O associado do Sport só convive dois meses dentro do clube, que é na época de piscina. Estamos querendo trazer o associado do Sport para viver o clube 365 dias no ano. Além disso, nos cobravam o porquê de não utilizar o campo, que só é usado por veteranos, o associado no sábado à tarde e pelas escolinhas.

É o fim do futebol de campo na história do clube?

P.C.G.: Pelo Paulo Cezar Gasperette, não. Mas o associado não quer investimento no futebol. Querem que a gente invista dentro do clube, para o bem-estar deles.

T.B: Existia alguma outra alternativa que não o fim do gramado?

O faturamento do clube é o associado com a mensalidade dele em dia. Eu não tenho outra saída, não tenho outra fonte. O nosso faturamento hoje é grande. Tudo que tem dentro do clube hoje é cobrado, a sede para festas, o ginásio…

T.B.: Existe alguma estimativa de aumento no faturamento do clube com este projeto?

P.C.G.: Criamos, há cerca de seis anos, uma quadra society que nos dá hoje um faturamento de R$ 4 mil a R$ 5 mil mensais. Esperamos que seja mantida essa proporção. Além dos associados, esperamos que o clube tenha maior frequência à noite. Vamos iluminar todas as quadras. Acreditamos que teremos uns 40% de aumento no faturamento do clube, entre os aluguéis do campo e novos associados.

Paulo Cezar mostra o projeto para construção de campos de grama sintética e quadras no local onde fica o gramado do Estádio Procópio Teixeira

T.B.: Você disse que cresceu dentro do clube. Como se sente ao ter que tomar essa decisão?

P.C.G.: O dia em que fizemos a reunião em que decidimos tomar essa decisão, quatro diretores, entre eles eu, pensamos mil vezes. É um valor inestimável, já que vamos mexer com o sentimento de quem gosta de futebol. É uma decisão que primeiro atinge a nós. Meus filhos cresceram naquele campo. Para mim está sendo doloroso. Foi construído com muita responsabilidade por Francisco Queiroz Caputo e todas as pessoas que estavam envolvidas com ele. Nós temos respeito por isso. Estamos tomando uma decisão entre perder o patrimônio ou conservá-lo. Qual a decisão a ser tomada? Adianta ficar com o campo e amanhã perder o patrimônio? Essa é a nossa pergunta.

As quadras vão ser só para os associados?

P.C.G.: Aluguel só à noite. Sábado e domingo, somente sócios. Continuaremos também com as escolinhas.

Tem uma previsão de gastos para a construção das quadras?

P.C.G.: De imediato, faríamos apenas a quadra poliesportiva e de tênis. De início, logo após a votação, vamos fazer a divisão dos campos com cercas. E depois, aos poucos, vamos entrar com a grama sintética. Tudo com planejamento”. [Posteriormente revelou que o investimento total será de, aproximadamente, R$ 300 mil, em recursos do clube.

T.B.: E como ficaria a área da arquibancada?

P.C.G.: É inexplicável porque a arquibancada do Sport foi tombada. As pessoas que tomaram essa decisão nunca vieram no clube. E como que fica a conservação desse patrimônio, como que faz?

T.B.: Sobre a construção do shopping na área do clube, você ainda trabalha com essa possibildade?  

P.C.G.: Trabalhamos com duas frentes para o caso de uma não dar certo. A construção do shopping é uma segunda opção. Existe, sim, um estudo para a construção de um grande shopping de uma rede do Brasil. Mas é segunda opção. Pegaria toda a área, e o clube ficaria no último andar.

T.B.: Você afirma que trabalha com duas frentes…

P.C.G.: Eu tomei uma decisão. Ou eu conservo o clube do jeito que ele está e dentro de 20 anos eu perco esse patrimônio, ou tomo as decisões que têm que ser tomadas. Se amanhã tudo isso for para o “ferro velho”, eu que serei criticado. O Senhor Caputo não deixou um centavo de dívidas, mas as diretorias que vieram depois deixaram dívidas.

T.:B.: Qual o número de sócio em dia com o clube?

P.C.G.: “Sócio ativos: 920, entre sócio patrimonial, contribuinte, individual e universitário.Hoje, temos cerca de 800 crianças dentro do clube que não pagam nada. Esse projeto social é desenvolvido há oito anos com futebol, handebol basquete, que não pagam nada. Não temos ajuda nenhuma”.

Texto: Thiago Stephan


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