05 out 2017

Que “legado”! Polícia Federal prende Nuzman e diretor da Rio-2016



 Veja, abaixo, texto e informações publicados na manhã desta quinta-feira, dia 5, pelo site UOL:

 

Nuzman é levado pela Polícia Federal (Imagem reprodução GloboNews)

A Polícia Federal cumpriu nesta quinta-feira (5) no Rio de Janeiro um mandado de prisão temporária de cinco dias contra o presidente do Comitê Olímpico Brasileiro (COB) e do Rio-2016 Carlos Arthur Nuzman em decorrência da Operação Unfair Play. O dirigente foi detido durante a manhã em sua residência no Leblon e levado para a sede da PF da cidade em um desdobramento de investigação sobre suspeita de compra de votos na eleição que escolheu o Rio de Janeiro como sede dos Jogos de 2016.

Além de Nuzman, outro mandado de prisão foi expedido contra Leonardo Gryner, diretor geral do comitê da Rio 2016 e braço direito de Nuzman no COB. Ele foi detido em sua residência nas Laranjeiras e também foi encaminhado para a sede da PF. 

No pedido de prisão apresentado pelo Ministério Público Federal, Nuzman é acusado de tentativa de ocultação de bens. Também é apontado um aumento de patrimônio de Nuzman de mais de 457% entre os anos de 2006 e 2016.

Como exemplo, o Ministério Público citou uma chave apreendida na primeira fase da operação que poderia corresponder a um cofre na Suíça, considerando que estava guardada junto a cartões de visita de agentes que trabalham como serviço de locação.   

“Ele só veio a declarar a existência de 6 barras de ouro, 1 kg cada uma, que mantinha no exterior, à Receita Federal, por meio de retificação da DIRPF, na data de 20 de setembro de 2017, ou seja, após a deflagração da Operação Unfair Play”, diz o comunicado do MP.

“Existe uma situação de ocultação dos recursos em poder do representado e em outros países, o que dificulta o rastreio desses recursos e consequente recomposição dos danos ao erário. A atitude adotada em momento seguinte à deflagração da Operação Unfair Play demonstra obstrução das investigações sobre a ocultação patrimonial. Além disso, documentos apreendidos na residência de Nuzman demonstram que grande parte de suas contas é paga em espécie: um engendro característico do sistema de lavagem de capitais”, detalham os procuradores.

O Ministério Público ainda informa que, pelas provas colhidas, “Carlos Nuzman e Leonardo Gryner foram os agentes responsáveis por unir pontas interessadas, fazer os contatos e azeitar as relações para organizar o mecanismo do repasse de propinas de Sérgio Cabral diretamente a membros africanos do COI (Comitê Olímpico Internacional), o que foi efetivamente feito por meio de Arthur Soares (o “Rei Arthur”)”.

Rei Arthur é o apelido pelo qual é conhecido Arthur Cesar de Menezes Soares Filho, apontado nas investigações como nome ligado a holding Matlock Capital Group, que seria responsável pelo pagamento das propinas relativas à escolha da Rio-2016. 

Os procuradores ainda dizem que as prisões temporárias de Nuzman e Gryner são imprescindíveis “não só como garantia de ordem pública, como para permitir bloquear o patrimônio, além de impedir que ambos continuem atuando, seja criminosamente, seja na interferência da produção probatória”.

Além dos mandados de prisão temporária, a PF cumpre seis mandados de busca e apreensão, expedidos pela 7ª Vara Federal Criminal/RJ, na cidade do Rio de Janeiro (Ipanema, Leblon, Laranjeiras, Centro). Os presos serão indiciados por corrupção, lavagem de dinheiro e organização criminosa.

A reportagem do UOL Esporte procurou a família de Leonardo Gryner, que não comentou a prisão do dirigente. Os familiares também não informaram se Gryner tem um advogado para defendê-lo.

A operação, batizada de Unfair Play, é um desdobramento da Lava Jato e investiga compra de voto e pagamento de propina na escolha do Rio de Janeiro como sede da Olimpíada de 2016. Ela foi deflagrada há exatamente um mês com mandados de busca e apreensão contra Nuzman. O presidente do COB é apontado como suspeito de intermediar a compra do voto do representante do Senegal no Comitê Olímpico Internacional para a escolha da cidade do Rio de Janeiro. Para os procuradores, Nuzman é “figura central nas tratativas”.

Na denúncia apresentada pelo Núcleo de Combate à Corrupção do Ministério Federal do Rio, Nuzman é tratado como uma peça que, sem ele, a “engenhosa e complexa relação corrupta” não teria ocorrido. Não há, no documento de 129 páginas divulgado pelo MPF, qualquer menção de que o presidente do COB tenha enriquecido ilicitamente ou tenha ele recebido propinas.

O MPF ainda promete investigar “movimentações suspeitas” nas contas do COB. Uma análise de um relatório de inteligência financeira do COAF mostra que, entre janeiro de 2014 e abril de 2015 foram sacados R$ 1,4 milhões em espécie das contas do COB.

A investigação contou com a colaboração do MP francês. Inicialmente, os procuradores franceses apuravam caso de doping no atletismo. A partir da denúncia de um antigo opositor de Nuzman no COB, o MP da a França descobriu existência de um esquema de compra de votos, acionando a Polícia Federal brasileira para cooperação na investigação.

 

Texto e informações: UOL

Foto: Imagem reprodução Globo News


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