13 fev 2014

Cruzeiro sobre racismo: “Retrocesso da humanidade”



A derrota por 2 a 1 do Cruzeiro para o Real Garcilaso, do Peru, na noite desta Quarta-feira, já era algo para se lamentar na estréia Celeste na Taça Libertadores da América 2014. Mas, infelizmente, os noticiários do mundo inteiro destacaram a forma como a torcida peruana tratou o jogador do Cruzeiro, Tinga. Atos e expressões de racismo oriundos das arquibancadas do estádio De La Veja, na cidade de Huancayo, eram claramente perceptíveis quando o volante da Raposa dominava a bola.

Tinga: "Bem chateado"

Tinga: “Bem chateado”

“No começo achava que era uma simples vaia, até por a gente ser um pouco conhecido aqui e ter jogado algumas Libertadores. Depois que eu vi que era um insulto racista, fiquei um pouco chateado, mas eu permaneci focado na partida, queria ganhar. A gente fica bem chateado por acontecer uma coisa dessa”, comentou Tinga na página oficial do clube.

Diversos setores Governamentais do Brasil se manifestaram a favor de Tinga. Até mesmo a Presidente do Brasil, Dilma Roussef, se posicionou sobre o caso, através de sua conta no Tiwtter, usando as seguintes mensagens: “Foi lamentável o episódio de racismo contra o jogador Tinga, do Cruzeiro, no jogo de ontem, no Peru.O esporte não deve ser jamais palco para o preconceito (..) Por isso, hoje o Brasil inteiro está #FechadoComOTinga”.

O Real Garcilaso ainda pode ser desclassificado da Taça Libertadores devido ao ocorrido. De acordo com o Regulamento Disciplinar da Conmenbol, no artigo 12, está previsto uma multa de 3 mil reais, além da desclassificação da competição e outras sanções, como mandar jogos com portões fechados ou até mesmo proibição de atuar em seu estádio.

O representante da Conmenbol no Brasil, Hildo Nejar, prevê penas rigorosas ao clube peruano, mas disse que ainda não pode afirmar muita coisa, pois a medida no momento é aguardar a súmula da partida, que deve ser entregue pelo árbitro do jogo, o Venezuelano José Argote. Para o diretor de futebol do Cruzeiro, Alexandre Mattos, as coisas começaram erradas desde a recepção dos peruanos para a delegação Celeste, antes da partida.

“Nossa van foi revistada pela polícia, depois de novo aqui dentro, uma indelicadeza muito grande. Este estádio não tem condição nenhuma, uma cidade sem hotel, sem água. É um perigo ali na lateral do campo, jogador cair naquela pista e machucar. Na hora que um arrebentar a cabeça eles vão tomar providências, mas vai ser tarde demais”, declarou Alexandre Mattos, no site Oficial do Cruzeiro.

Alexandre Mattos repudiou o ato de racismo contra Tinga, e ainda declarou que o Cruzeiro irá entrar com uma representação formal na Conmenbol, contra as instalações do Real Garcilaso e também pedindo um parecer da entidade contra as manifestações da torcida peruana. ““O que fizeram com o Tinga foi uma palhaçada, uma sacanagem. O que sentimos aqui é um retrocesso da humanidade. É pensar pequeno, em um lugar pequeno, que não devia nem existir futebol”, criticou.

Ministro exige atitude da Conmebol

O ministro do Esporte, Aldo Rebelo, telefonou nesta quinta-feira para o presidente da Conmebol (Confederação Sul-Americana de Futebol), Eugenio Figueredo, e exigiu providências contra as atitudes racistas da torcida do Real Garcilaso contra o volante Tinga, do Cruzeiro, no jogo de quarta-feira pela Copa Libertadores, em Huancayo.

“No ano em que o mundo inteiro se une para disseminar uma mensagem contra o preconceito durante a Copa do Mundo do Brasil, é inconcebível o comportamento que vimos em Huancayo. Tinga tem todo o nosso apoio na luta contra o racismo, que, esperamos, será combatido com firmeza pela Conmebol”, disse Rebelo. A CBF também postou nota de apoio ao volante cruzeirense.

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CBF manifesta apoio e publica escudo em preto e branco

Depois do ocorrido na última noite no duelo entre Real Garcilaso e Cruzeiro no Peru, a Confederação Brasileira de Futebol manifestou o seu apoio contra o racismo e a favor de Tinga, que viu os torcedores locais na derrota do clube mineiro imitarem macacos nas arquibancadas quando ele pegava na bola.

Em sua conta oficial no Twitter, a CBF postou a mensagem “Por um mundo sem racismo, sem preconceito e sem desrespeito”, anexando uma imagem do logo da entidade em preto e branco com a frase “Somos iguais” logo embaixo.


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