25 jul 2013

Galo forte e vingador! Atlético é campeão da Libertadores



  Com uma vitória sobre o Olímpia, do Paraguai, por 2 a 0 no tempo regulamentar e outra por 4 a 2, nos pênaltis, no Mineirão, em Belo Horizonte,  o Atlético Mineiro conquistou pela primeira vez a Taça Libertadores da América.

Futebolista dos melhores que foi Djalma Santos, deve ter abençoado o minuto de barulho em sua homenagem: 60 segundos de hino do Atlético-MG cantado a plenos pulmões. O tempo… Esse ingrediente cruel das decisões.

O Galo tinha 90 minutos para fazer dois gols, mas parecia ter 90 segundos, tamanha pressa no início. Pressa inimiga da perfeição, todos aprenderam. A bola pouco parou no chão. Ronaldinho, que tão bem sabe o que fazer com ela, abusou dos lançamentos.

O Olimpia teve o peso da camisa tricampeã da Libertadores, mas não só isso. Os paraguaios não parecem ter sido tratados com a devida consideração. Os destaques do Galo foram mal no primeiro tempo, como já havia ocorrido no Paraguai. Não haveria mérito do técnico Hugo Almeida e sua linha neutralizadora de cinco defensores?

Bola para o Jô, que é final de campeonato. Sempre nele, que só conseguiu receber e fazer o pivô uma vez, mas o chute de Tardelli saiu alto. “Eu acredito! Eu acredito!” O mantra ecoava, e a Massa não acreditava que a bola cruzada por Tardelli passou a milímetros do pé de Bernard. Ah, se ele fosse um tiquinho mais alto…

A unha de Cuca sofria tal qual a garganta e o coração do torcedor, que viu Bareiro e Silva entrarem livres na área, mas finalizarem mal, sem força, nas mãos de São Victor dos Milagres.

Bernard trocou empurrões com Benítez. Victor socou o ar quando o árbitro interrompeu sua saída rápida. Ronaldinho não se conformou com mais um passe errado. E o primeiro tempo, que acabou com Josué como destaque, jogando e orientando, se foi. Hora de Cuca rezar, roer a unha e botar os nervos no lugar.

Esperança, angústia, medo e alegria

Assim que Wilmar Roldán encerrou a primeira etapa, Cuca foi apressado ao vestiário. Pensava no que fazer. Talvez pedindo uma luz à Virgem da camiseta e do coração. A luz veio em forma de Rosinei. E que luz rápida… Um minuto! O cruzamento dele não foi perfeito, mas Pittoni furou. A bola encontrou Jô, aquele a que todos procuravam. Gol! A Massa tirou o grito do peito.

Jô virou artilheiro isolado da Libertadores com sete gols, mas queria mais. Recebeu outra vez de Rosinei e tentou duas vezes. Uma nas mãos de Silva, outra para fora.

Faltava um. Só um… Tão pouco para o ataque que já fez quatro aqui, cinco ali. Mas uma enormidade para chegar ao título. Que ruído era aquele no Mineirão? Era esperança, aflição. Era inexplicável. O Olimpia se tornou absolutamente coadjuvante. Pareciam fantoches à espera do que aconteceria. Eles também têm fé. Como devem ter orado…

Como explicar o chute de Diego Tardelli, sem goleiro, por cima do gol? Estava impedido, o que alivia o erro incrível. Ele saiu logo depois, e entrou Guilherme. Substituição também de fé, de confiança em sua técnica, de superstição na expectativa que ele repetisse a semifinal e fizesse o segundo gol salvador.

Como explicar o escorregão de Ferreyra, sem goleiro, sem ninguém à sua frente? Ele não estava impedido. Um lance incrível, surreal, que arrancou mais um coro de “Eu acredito!”. Coro reforçado com a expulsão de Manzur. E era pra acreditar mesmo.

Gigante: Leonardo Silva marca de cabeça o gol da sobrevida do Galo. (Foto: Reuters).

Gigante: Leonardo Silva marca de cabeça o gol da sobrevida do Galo. (Foto: Reuters)

Como explicar que Leonardo Silva tenha precisado de três cabeçadas? Na primeira, não foi possível espichar o travessão para que ela entrasse. Na segunda, não foi possível tirar Martín Silva do caminho. Na terceira não houve trave ou goleiro que impedisse a catarse mineira, o delírio do “uai”, a explosão absoluta de alegria. Alegria, alegria, alegria…

O Galo tinha um jogador a mais, 56 mil torcedores a mais e 30 minutos mais para entrar na história.

O ato final

9-0-0. Ok, não era bem esse o esquema do Olimpia na prorrogação, mas era quase esse. Contra a paciência do Galo, que virava para cá, para lá, achava espaços. A bola aérea era um trunfo. Réver acertou o travessão. “O Galo é o time da virada, o Galo é o time do amor!”. Josué, que jogador. Grande, vitorioso. Que chutaço. E que defesa do ótimo Martín Silva, uruguaio ícone da resistência paraguaia.

Na teoria, 9-0-0. Na prática, o esquema era “não tem mais jogo”. Valia puxar o braço de Victor, ir direto ao corpo de Bernard… Valia tudo. O Olimpia queria pênaltis. De novo?

Cuca já estava sem agasalho. Sem ar. Sem unhas. O Galo não pressionou como se esperava. Bravos paraguaios, valorosos. Bernard desabou, sem a menor condição de jogar. Mas voltou. Falta para o Olimpia. Igualzinha àquela em Assunção. No mesmo lugar, no mesmo pé direito de Pittoni. Alecsandro dessa vez não correu para o gol. A bola saiu. Pênaltis. De novo!

Todas as orações a Victor. Todas. Até Miranda parecia devoto. O zagueiro abriu as cobranças tão mal… Como se o goleiro precisasse de ajuda. Pegou no meio do gol. Alecsandro pensou, olhou, bateu com perfeição e reverenciou o público. Ferreyra também bateu mal, mas fez. Era a vez de Guilherme, o talismã. Categoria pura. Galo na frente!

Candía bateu no meio. Fez o simples, fez o gol. Jô não perdoou. Gols em decisões por pênaltis não contam na artilharia do torneio. Nem precisou. Na cobrança de Aranda, São Victor mal viu a bola. Indefensável. Assim como o chute de Léo Silva, zagueiro que tem calma de centroavante para botar a bola na rede.

Se Giménez errar… Se São Victor pegar, o Galo é campeão. Se a bola não entrar, o Galo é campeão. Era esse o cenário no Mineirão quando Giménez tomou distância. A torcida sabia que acabaria ali. A bola acertou o travessão, acertou o coração de milhares, milhões de atleticanos. Milhões de campeões. Valeu a pena acreditar!

 Texto: GE.com


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