28 mar 2013

Irmãos Gustavo e Murilo buscam ´Superliga ideal`



Uma indignação coletiva e a vontade de mudar: esses são os sentimentos que moveram quase 300 jogadores de vôlei a se unirem na tentativa de melhorar o esporte nacional. O que eles querem? O fim da ‘instabilidade’ dos clubes, a realização do Jogo das Estrelas, uma Copa do Brasil e a proposta de um torneio mais longo e atrativo para os patrocinadores… essas são as reivindicações ‘básicas’ desses atletas, que estão mobilizando as redes sociais e os próprios clubes por “uma Superliga melhor” e já fizeram até mesmo o mundo ‘ouvir’ suas causas.

Tarja preta

Foi por volta das 21h da última terça-feira que a hashtag #UnidosPorUmaSuperligaMelhor chegou aos trending topics mundiais do Twitter, mostrando a força de uma campanha que começou na segunda-feira e se espalhou de forma muito rápida entre atletas, técnicos, clubes e amantes do vôlei. Uma tarja preta com os dizeres “Unidos pelo Voleibol. Por uma Superliga melhor” foi compartilhada por centenas e até milhares de pessoas, provando que o sentimento que os atletas têm ao verem times acabando por causa da falta de patrocínio é compartilhado por muitos.

Mas a campanha iniciada nas redes sociais é apenas um detalhe perto da mobilização dos atletas que estão dispostos a mudar de vez o cenário instável do vôlei brasileiro. E muito se engana quem pensa que ela foi algo que surgiu momentaneamente por causa de mais um clube ameaçado de fechar as portas após perder seu principal patrocinador – a Medley anunciou na última segunda-feira que estava deixando o Campinas e não continuaria na próxima temporada. Ela começou há cerca de oito meses, ainda antes do início desta Superliga pela iniciativa de dois irmãos líderes do vôlei nacional que estavam dispostos a ver as coisas mudarem no futuro.

  Ideia se espalha com rapidez

Gustavo e Murilo compartilhavam um sentimento de indignação quando viram o calendário tão curto da Superliga 2012/2013 – que duraria apenas quatro meses – e decidiram conversar com outros atletas para tentar levar algumas reivindicações sobre o principal torneio do vôlei no Brasil à CBV (Confederação Brasileira de Vôlei). Assim, os dois começaram a coletar os e-mails dos capitães de todos os times que participavam da competição nacional e criaram um grupo para discutir as questões que incomodavam os jogadores na Superliga.

Dos capitães, o grupo se estendeu também para todos os atletas dos 12 clubes que fazem parte da Superliga masculina e chegou até a jogadores que, no momento, atuam fora do Brasil, mas também têm interesse em opinar sobre a situação da modalidade no país. E foi através de discussões por e-mail, que hoje, 280 atletas conseguiram chegar quase que a um modelo de ‘Superliga ideal’ para apresentar à Confederação. Mais do que isso, os jogadores sugerem outras competições para preencher o calendário e mais alternativas para atrair patrocinadores – tudo inspirado em experiências que alguns deles já tiveram em campeonatos estrangeiros.

 Como começou 

“Isso começou há uns oito meses. Resolvemos fazer esse grupo pegando e-mail de cada um porque aí ficava todo mundo sabendo do que estava acontecendo e poderia opinar o que seria bom”, explicou o central do Canoas, Gustavo, em entrevista ao ESPN.com.br.

Campeão olímpico com a seleção brasileira em 2004, Gustavo é um dos grandes incentivadores do grupo, mas garante que a intenção dos jogadores não é ir contra a Confederação, e sim apresentar uma nova proposta de campeonato que seja mais interessante para todas as partes envolvidas: clubes, atletas e CBV.

“É consenso entre nós que a gente não quer bater de frente, criticar a CBV. A ideia é ter uma união cada vez maior de atletas junto com clubes e CBV para fazer um campeonato cada vez melhor. Senão, desse jeito, com mais patrocinadores saindo a cada ano, a Superliga pode ficar muito ruim”, prosseguiu.

  CBV aceita reunião

E a iniciativa dos atletas, inclusive, já chegou à Confederação. Ao tomar conhecimento sobre o grupo, o presidente da entidade, Ary Graça, aceitou marcar uma reunião com os líderes dele para ouvir o que os jogadores tinham para propor e acabou fazendo o mesmo também com representantes do feminino e do vôlei de praia.

“O lançamento da Superliga – evento que aconteceu em São Paulo em novembro passado – foi o primeiro contato. Falamos com o Ary [Graça] dessa possibilidade de poder discutir com ele alguns assuntos, passar a visão de nós atletas, que estamos ali dentro de quadra, jogamos duas vezes por semana, viajamos, etc”, contou Murilo, também em contato por telefone com o ESPN.com.br.

E a conversa com o presidente da CBV, que aconteceu em fevereiro deste ano, até animou os jogadores. Nela, estiveram Gustavo (Canoas), Murilo e Serginho (Sesi), Bruninho (RJX) e William (Sada Cruzeiro) como representantes de todo o grupo de atletas da Superliga masculina, além do próprio Ary Graça e de Fábio Azevedo, superintendente da confederação.

“Lógico que a decisão é sempre deles, mas conseguimos expor nosso ponto de vista, a preocupação com a saída de patrocinadores, porque assim a gente não tem garantia de trabalho. Falamos sobre uma solução para essa insegurança, fidelizando o patrocinador, tentando ter uma garantida dele por 2 ou 3 anos no clube…”, relatou o ponteiro do Sesi.

  Seis meses, no mínimo, de Superliga

Entre as propostas discutidas pelos 280 jogadores que estão no grupo de e-mails e repassadas na reunião com Ary Graça estão uma Superliga com duração de pelo menos seis meses, a criação de uma Copa do Brasil entre 1º e 2º turnos da competição e a realização de um final de semana com o “Jogo das Estrelas”, nos moldes do que faz a NBB ou a própria NBA.

“Sete meses seria o ideal [para a Superliga] com 12 ou 14 equipes e as quartas sendo disputadas em séries de cinco jogos, com semifinais e finais melhor de três. Além disso, no meio da temporada, entre dezembro e janeiro, podia fazer uma Copa do Brasil, com os oito primeiros do 1º turno da Superliga fazendo um playoff em jogo único, depois semifinal e a final sendo realizada fora do eixo sul-sudeste, para divulgar o vôlei lá também”, sugeriu Gustavo.

“O jogo das estrelas também é muito atrativo. Fazer uma brincadeira no dia antes, competição de quem ataca a bola que sobe mais alto, um jogo de manchetão. Isso é uma maneira forte de divulgar”, completou.

Tudo para atrair os patrocinadores a investirem no vôlei. Na opinião dos atletas, é difícil um torneio que dura apenas quatro meses ser interessante para os investidores, que precisam bancar um time profissional inteiro por 12 meses, sendo que os jogadores só estão em competição em um terço desse período.

  Equipes sem patrocínio

E a situação para a Superliga 2013/2014 nesse quesito realmente não é muito animadora. Além do Campinas, o São Bernardo também perdeu o patrocinador, assim como o Vôlei Futuro e o Florianópolis, e todos eles correm riscos de fecharem as portas antes da próxima temporada. Foi por isso que os 280 jogadores unidos resolveram agir, lançando a campanha “Unidos pelo Voleibol” para chamar a atenção dos clubes, da CBV e da mídia para a questão. E esse, de acordo com o Murilo, foi apenas o primeiro passo.

“Agora estamos vendo qual vai ser o próximo passo. O primeiro foi esse, de criar uma revolta, chamar a atenção para que saibam que a gente está preocupado. Ainda não recebemos nenhum contato da CBV pra marcar uma próxima reunião, espero que aconteça antes ou depois da final da Superliga que a gente possa dar prosseguimento a isso”, encerrou o ponteiro.

Texto, foto e informações: www.espn.com.br


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