02 jul 2014

Professor de futebol da UFJF, Matta destaca nivelamento técnico do Mundial e pede seleção de 2013



Os jogos da Copa do Mundo vêm sendo marcados por muitos gols e emoção. Em entrevista exclusiva ao Toque de Bola, o professor de futebol da Faculdade de Educação Física (Faefid) da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF), Marcelo Matta, destacou outros pontos como a melhoria técnica das equipes de menor tradição, o fair play e uma mentalidade tática sendo desenvolvida como parte do sucesso da competição. Confiante na Seleção Brasileira, Matta salientou ainda que os pentacampeões mudaram, de forma precoce, o sistema de jogo utilizado na Copa das Confederações.

“Algumas questões têm me chamado a atenção. Primeiro é que houve um estreitamento entre aqueles times considerados favoritos para aqueles de menor qualidade técnica, que iam apenas fazer o papel de coadjuvantes, ou seja, o nível competitivo parece que aumentou e todos os jogos praticamente têm gerado emoção. Tem muito jogador bom nesta Copa do Mundo, atletas inteligentes, que sabem jogar coletivamente. A democratização das informações proporcionou uma melhora dos coadjuvantes. Acho também que o fair play está sendo muito bacana, a arbitragem vem errando, mas a que vem tendo a melhor atuação é a brasileira, apesar de a criticarmos nos campeonatos do País”, analisa Matta.

Jogos da Copa do Mundo vem sendo elogiada por dirigentes da Fifa e torcedores de todo o mundo

Jogos da Copa do Mundo vêm sendo elogiada por dirigentes da Fifa e torcedores de todo o mundo

Especializado em futebol, o professor acredita que a mentalidade tática das equipes também ocasiona a evolução técnica da maioria das partidas durante o Mundial.

“Taticamente, o que tem me chamado atenção, principalmente no Brasil, é o reconhecimento da parte defensiva. Parece um paradoxo, pois a Copa do Mundo está para bater o recorde de gols marcados, mas as equipes estão marcando muito bem. É possível marcar forte e sair para o ataque, procurar o equilíbrio, que é o conceito do futebol moderno”, opina.

Matta acredita que a maior objetividade das equipes com a bola também ocorre por conta de uma mudança tática que vem sendo utilizada há alguns anos, voltada a uma melhor transição ofensiva.

“O sistema tático é composto pela fase ofensiva, defensiva e as transições, tanto da defesa para o ataque, como sem a bola, na ordem inversa. Para atender isto, você tem que ter uma disposição em campo que encontre um equilíbrio entre estas fases. Antigamente as pessoas falavam 3-5-2, 4-4-2, 4-3-3, mas penso que hoje, quando a equipe tem a bola, aumenta estas linhas no campo e você vê times em um 4-2-3-1, por exemplo. Na defesa não tem mudado muito, as equipes têm defendido basicamente em um 4-4-2 ou 4-5-1. Vejo isto também como uma forma de melhorar a transição ofensiva, a saída da defesa para o ataque. Quando você está se defendendo, tenta criar um bloco para distanciar o adversário do seu gol. Quando está no ataque, um antídoto que você possui para evitar este bloco é abrir a equipe e gerar mais distância nos jogadores, na expectativa que a defesa adversária também gere mais espaços”, explica Matta.

Professor Marcelo Matta (de azul, ao centro) em treino do  projeto de extensão de futebol da UFJF

Professor Marcelo Matta (de azul, ao centro) em treino do projeto de extensão de futebol da UFJF

Seleção Brasileira

Mesmo com a vaga nas quartas de final e tendo elogiado a equipe anfitriã da competição, Matta acredita que houve uma mudança precoce na forma dos brasileiros atuarem em comparação com o sistema utilizado na vitoriosa campanha da Copa das Confederações em 2013.

“Uma questão que tem gerado um espanto na Seleção Brasileira foi a maneira com que houve a mudança no modelo de jogo. No ano passado, na Copa das Confederações, o Brasil fazia uma dobra no lado esquerdo com Marcelo e Neymar e no lado direito com Daniel Alves e Hulk. Era como no handebol, traziam a bola para um lado e, de repente, viravam o jogo muito rapidamente. Na hora que a equipe adversária tentava levar a marcação para o outro lado, já havia um corredor aberto para poder finalizar. Já neste ano, na minha opinião, o Felipão tem achado que marcaram o Brasil da Copa das Confederações e criou um fantasma em sua cabeça ou tentou mesmo mudar e a Seleção alterou a forma de atuar talvez nesta expectativa que os adversários já soubessem como anular. É uma especulação, porque como você justifica a mudança de um modelo de sucesso em menos de um ano? Começou a utilizar o passe longo, da defesa para o ataque, evitando jogar pelo meio e beiradas”.

Seleção Brasileira enfrenta a Colômbia nesta sexta-feira em partida das quartas de final da competição

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“Tic-taca” espanhol

A precoce eliminação da atual campeã do mundo gera dúvidas sobre um possível fim da forma envolvente dos espanhóis jogarem, com o controle da posse de bola. Para o professor da Faefid, no entanto, o erro não deve ser apontado apenas para o fato de o modelo de jogo já ser conhecido pelo mundo inteiro.

“O futebol hoje é tão visto, a área da Comunicação Social permite que o mundo inteiro veja as partidas e detalhes das equipes, o que possibilita que você passe a estudar e criar antídotos contra seus adversários. A Espanha passou a ser uma equipe muito observada, o que explica um pouco de sua eliminação, mas não é só isto. A derrota não vem ao acaso. A Espanha é bicampeã européia, campeã do mundo, teve os dois clubes da final da Champions League… Eles erraram na preparação, no meu modo de ver”.

Tic-tac foi derrotado logo na primeira partida com um avassalador 5 a 1 imposto pelos holandeses

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Equipes com menor posse de bola vem passando de fase

Segundo o professor Matta, outro dado curioso nesta edição da Copa do Mundo é o de que as equipes com maior posse de bola, matematicamente, têm obtido menos sucesso que as outras, o que leva a outra conclusão.

“Esta informação não é minha, ouvi do Paulo Vinícius Coelho, um cara que admiro, que afirmou que 58 por cento das equipes que venceram não tiveram o maior percentual de posse de bola durante o jogo. Quer dizer, você tem que ser objetivo. Isso valoriza muito também a transição, a saída rápida para o ataque, que foi realizada pela Argélia contra a Alemanha, por exemplo, e foi muito bem efetuada”.

Sem favoritos

Mesmo acreditando que o “fator casa” pode fazer a diferença, Marcelo Matta não vê uma seleção com um futebol mais convincente que outra nesta Copa do Mundo.

“Há muitos anos não vejo uma seleção que chegue na Copa do Mundo e que eu fale ‘esta vai ser campeã’, porque todas estão tendo dificuldades para vencer e não há, para mim, uma favorita. Acho que o Brasil chega na final e estou na expectativa de que a equipe melhore. Ao contrário de muitos, acho que o Brasil esteve bem contra o Chile. No primeiro tempo, principalmente até os 30 minutos, a Seleção Brasileira comandou a partida e levou o empate em uma bobeira de uma cobrança de lateral. Espero que seja campeão e que retome a maneira de jogar do ano passado, na Copa das Confederações. Contra a Colômbia, não acredito que o Brasil passe tantas dificuldades como contra o Chile e depois é só clássico, podendo jogar contra a Alemanha, Argentina”, projeta o professor.

Com prorrogações, disputas de pênaltis, muitos gols e equilíbrio, a “Copa das Copas” ainda parece reservar mais surpresas, estudos e emoções.

 

Texto: Bruno Kaehler

Fotos: Fifa e Secom UFJF

 


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