20 dez 2017

Ribeiro Junqueira x Flamengo: saudade, emoção e solidariedade em Leopoldina



Jogadores do Master do Flamengo doam camisas para a APAE

  Os leopoldinenses atenderam ao apelo à solidariedade e lotaram as arquibancadas do Estádio Guanahyro Fraga Mota para a partida amistosa entre os times masters do Flamengo e do E.C Ribeiro Junqueira, disputada no domingo, dia 17, em Leopoldina.

  Em troca, foram recompensados por um show de bola, que terminou 5 a 0 para o Fla Master e proporcionou aos fãs do futebol, especialmente aos rubro-negros presentes no estádio, uma bela viagem no tempo. Além do lucro com a venda de 1.050 ingressos, o evento promovido pela APAE-Leopoldina arrecadou 550 quilos de alimentos para a instituição, que atende hoje 290 famílias nas áreas clínica, escolar e de assistência social.

  Casa cheia 

Andrade e o presidente da Apae de Leopoldina, José do Carmo Fófano, com o filho

  Cerca de 1.400 pessoas prestigiaram o evento e muitas delas sequer conheciam os craques do passado. “Muitos não nos viram jogar, mas os pais, avós e amigos contam para a nova geração quem fomos nós. Esse carinho é importante, até porque a história não se apaga”, ressaltou o meia Andrade, que conquistou importantes títulos para o Flamengo como jogador (campeão Mundial Interclubes em 1981 e tetracampeão Brasileiro em 1980,1982, 1983 e 1987) e como técnico (campeão Brasileiro em 2009).

 Formações das equipes

  Além de Andrade, o master do Flamengo foi a Leopoldina com os goleiros País e Adriano, Rondinelli, Piá, Marquinhos, Jorginho, Léo Medeiros, Nélio, Renato Carioca, Gilmar Popoca, Douglas Silva, Carlinhos e Delacir. 

  O Ribeiro Junqueira contou no seu elenco com: Paulão e Lucas (goleiros), Ernandes, Nando, Macarrão, Batata, Miguel, Dendê, Caio, Telo, Bruno, Fabrício, entre outros craques que vestiram a camisa do dragão da Zona da Mata. 

        APAE vê “gol de placa”    

Alunos e funcionários da APAE de Leopoldina no estádio

      Para o presidente da APAE-Leopoldina, José do Carmo Fófano, a resposta do público ao chamamento da instituição foi um verdadeiro gol de placa. “Muito mais do que estar satisfeito com os resultados, estou feliz e agradecido pela forma carinhosa com que a população leopoldinense atendeu ao nosso apelo. Nosso objetivo é mostrar como a APAE tem o poder de mudar a vida das famílias atendidas e como a sociedade pode e deve engajar nesta causa. Independentemente do valor financeiro, ter oferecido aos nossos assistidos a chance de irem pela primeira vez a um estádio de futebol e estar perto de ídolos já foi uma bela conquista”.

    Em meio à festa nas arquibancadas, belos gols e nostalgia, no final das contas o que menos importou foi o placar. Fora das quatro linhas, várias camisas do Flamengo autografadas foram sorteadas e o público, que cumpriu tão bem o seu papel de cidadão solidário, ainda recebeu o carinho dos ídolos rubro-negros. Além de doarem seus uniformes para a APAE, eles gentilmente atenderam aos torcedores com autógrafos, abraços e muitas fotos. Um dia para ficar na história do esporte de Leopoldina.

  Dirceu Pantera: “Nunca me esqueci do Ribeiro”

Dirceu Pantera, ex-Ribeiro Junqueira,, Botafogo e Cruzeiro

  Com o estádio colorido de vermelho e preto, a partida foi marcada também por homenagens aos ex-jogadores do Ribeiro Junqueira da década de 50, entre eles, Dirceu Francisco, mais conhecido como Dirceu Pantera. O centroavante, que levou o nome de Leopoldina ao exterior, deu seus primeiros passos no futebol aos 17 anos, no time da Liga Esportiva Leopoldinense, do antigo Colégio Leopoldinense. Sua estreia no juvenil do E.C Ribeiro Junqueira foi em 1954 e em menos de um ano Dirceu já havia sido promovido ao profissional, time que o levaria à inédita conquista do tetracampeonato da Zona da Mata (1954, 55, 56 e 57), uns dos maiores importantes títulos da história do clube.

  Em 1957, ano do tetra, Dirceu transferiu-se para o Cruzeiro, onde jogou até 1964. Entre idas e vindas, tornou-se ídolo e figura hoje na galeria de grandes craques do clube mineiro. Em 1961, teve uma rápida passagem pelo Botafogo, onde atuou por uma temporada ao lado de ninguém menos que Garrincha, Nilton Santos e Zagalo.

No ano seguinte, o craque leopoldinense retornou ao Cruzeiro. Em seguida, passou pelo Nova Lima, foi vice-campeão mineiro pelo América em 65. No mesmo ano, transferiu-se para a Venezuela, onde sagrou-se campeão venezuelano pelo Deportivo Itália, em 66. No ano seguinte, aos 32 anos, Dirceu pendurou as chuteiras e, desde então, longe dos gramados, vive com a família em Belo Horizonte.

  Aos 82 anos, casado e com cinco filhos, o ex-atacante diz que jamais esqueceu suas raízes. “Fico muito feliz todas as vezes que tenho a oportunidade de vir a Leopoldina, especialmente para participar de uma festa como esta. Sempre que posso, venho rever os velhos amigos e relembrar os bons tempos de Ribeiro Junqueira. Joguei em grandes clubes, inclusive ao lado de craques como Garrincha, Nilton Santos e Zagallo, mas nunca me esqueci do Ribeiro Junqueira, clube que me revelou e onde vivi alguns dos melhores momentos da minha vida. Aqui tenho ótimas recordações”, disse Dirceu.   

 Dragão da Zona da Mata

Ribeiro Junqueira x Flamengo: amistoso Master levou grande público ao tradicional Estádio Guanahyro Fraga Mota

Considerado um dos times mais tradicionais do interior de Minas, o Esporte Clube Ribeiro Junqueira, também conhecido como Dragão da Zona da Mata, foi fundado em 27 de agosto de 1911 e mostrou sua força no interior do estado ao sagrar-se tetracampeão da Zona da Mata na década de 50 (1954, 55, 56 e 57). A partir daí, foi campeão mineiro do Interior em 1969, campeão Regional da Liga de Cataguases em 1984, campeão Regional da Liga de Juiz de Fora em 1985 e tetracampeão da Liga Esportiva Leopoldinense ( entre 1983 e 1986).

 No Estado, seu título mais importante foi o de campeão da Terceira  Divisão de Profissionais do Campeonato Mineiro, em 1989. No ano seguinte, consagrou-se vice-campeão da Segunda Divisão, posição que lhe rendeu acesso à elite do futebol mineiro, em 1991. Jogando na mesma chave de Atlético Mineiro e Democrata de Governador Valadares, não fez uma boa campanha, foi rebaixado para o Módulo II do Campeonato Mineiro em 1992 e desde então está licenciado do profissionalismo.

Ribeiro Junqueira x Flamengo: amistoso Master levou grande público ao tradicional Estádio Guanahyro Fraga Mota

  Entre diversas revelações, o Ribeiro Junqueira lançou jogadores como Zequinha (ex-Flamengo e Seleção Brasileira), Othon Valentim (ex-Botafogo e Seleção Brasileira), Dirceu Pantera (ex-Cruzeiro e Botafogo), Elmo (também ex-Cruzeiro) e Elair (ex-Atlético-MG).

 Frutos da base

  Mesmo afastado das grandes competições, o clube não deixou de investir nas categorias de base e o mais recente talento revelado no cenário nacional é o volante Lucas Ventura, o Nonoca. Com apenas 19 anos, ele herdou o apelido do pai já falecido e ex-jogador do Ribeiro Junqueira na década de 80.

  Nonoca chegou ao Cruzeiro em agosto de 2013, após grande atuação em jogo pela equipe leopoldinense, e já está integrado ao elenco profissional. Enquanto esteve na base Celeste, também teve passagens pela seleção sub-17. Atualmente, Nonoca figura na lista dos 100 melhores jogadores do mundo, abaixo dos 20 anos, eleita pela revista inglesa FourFourTwo.  Na relação, o leopoldinense ocupa a posição 72. O meia-atacante Vinícius Júnior, do Flamengo, já negociado com o Real Madrid, ficou um pouco à frente, no 67º lugar.

 

Texto e fotos: Fernanda Espíndola e Márcia Vaz Barbosa, especial para o Toque de Bola

Edição: Ivan Elias – Toque de Bola

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 


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