08 jun 2016

Tupi quer treinador que já comande a equipe em Pelotas. Drubscky elogia caráter do elenco e diretoria



“Mesmo que ele não tenha tempo para treinar, vai dirigir o time.” Assim o Gerente de Futebol do Tupi, Gustavo Mendes, definiu, na tarde desta quarta, em Santa Terezinha,  a urgência do clube na contratação do treinador que irá substituir Ricardo Drubscky, que deixou o comando da equipe oficialmente na manhã desta quarta-feira, 8, após seis derrotas nos sete primeiros jogos na Série B.

O dirigente, que na véspera, na coletiva, havia negado categoricamente a possibilidade de mudança na Comissão Técnica, relatou: “Não houve negociação, foi uma conversa. Ontem (terça) a gente estava muito abatido, conversamos um pouco ainda no vestiário e ficamos de tomar um café hoje. Toda direção foi ao hotel hoje (quarta)e conversamos. Entrou-se em consenso de que era o momento de se encerrar o vínculo. Não sem tristeza, de todas as partes. Drubscky é um símbolo do Tupi, um cara que tem uma identificação com a história do clube, íntegro, ótimo profissional, boa pessoa. É sempre traumático e ruim. Tenho certeza de que todos estão sentidos e ele mais ainda.”

Sobre a data da chegada do novo profissional, o clube quer vê-lo á beira do campo na tarde de sábado, na partida contra o Brasil (RS), em Pelotas: “Alguém tem que assumir. Se temos o auxiliar técnico (Júlio Cirico), ele assume, caso a gente não consiga [trazer um treinador a tempo]. A ideia não é essa. Queremos trazer um nome e mesmo que ele não tenha tempo para treinar, vai dirigir o time. A ideia é essa porque senão vamos empurrar com a barriga. Daqui a pouco é segunda e também não tem tempo, porque vamos viajar no domingo. Na verdade é uma questão conceitual: se o treinador está aqui, tem que dirigir o time, ponto”.

Mendes revelou que só nesta quarta-feira “me foram oferecidos 35, 40 treinadores. Se estivéssemos com pressa e sem pensar, traríamos qualquer um. Temos que pensar, conversar, negociar, ouvir pessoas e é isso que estamos fazendo. Da mesmo forma, no dia em que cheguei, que falei de reforços, sempre digo que quero saber da pessoa, conhecer como é o cara dentro e fora de campo, porque nem sempre trabalhei com quem estamos contratando. Ouvi bastante gente sobre os nomes que pensamos e contatamos e ouvi ‘não’ também. Acho que estamos num caminho bom e perto de um desfecho positivo.”

Drubscky comandou Tupi pela última vez diante do Oeste em sua segunda passagem pelo clube

Drubscky comandou Tupi pela última vez diante do Oeste em sua segunda passagem pelo clube

  A coletiva de Drubscky no pós-jogo

Mesmo ciente que a pressão por resultados aumentou muito depois de novo tropeço, desta vez para o Oeste, o então treinador carijó não falou – pelo menos publicamente – em deixar o clube em um instante sequer durante a entrevista coletiva concedida ainda no vestiário. Até se incomodou com as perguntas sobre essa possibilidade. Elogiou o caráter do grupo de jogadores e dos dirigentes do Tupi e mostrou-se novamente muito aborrecido com o comportamento de torcedores que começam a vaiar a equipe de forma sistemática: “Não conhecia isso em Juiz de Fora”.

AVALIAÇÃO DO JOGO

Drubscky: É uma situação chata. O time fez por onde e criou oportunidades de fazer o gol. No primeiro tempo houve duas ou três chances boas, saímos com número de chutes a gol maior do que o Oeste. Eles tiveram mais posse de bola e a gente já sabia disso. Entramos com uma estratégia de não confrontar a posse de bola deles, filtrar o jogo deles e sair no contra-ataque. Fizemos algumas boas investidas no primeiro tempo e, infelizmente, não fizemos.

No segundo tempo fizemos algumas mexidas e começou a desenhar como o primeiro tempo, até que saiu o gol. Foi um lance de bola parada e a gente chegou a desenhar essa jogada deles. Vimos no vídeo essa jogada e infelizmente não tivemos a atenção devida.

Depois do gol as coisas se inverteram. Criamos, pelo menos, quatro ou cinco chances de gol muito claras. Apesar de não termos tido volume de jogo, com exceção dos últimos 20 minutos, acho que o time do Tupi merecia a vitoria.

Falar que o Oeste teve mais posse de bola que o Tupi não é novidade. Eles tiveram mais posse de bola que o Vasco e Criciúma porque e’ uma ferramenta que eles usam muito. Isso não e’ demérito do Tupi. O que lamentamos são os gols que perdemos.

PRESSÃO

Drubscky: Serei alienado se dissesse que não me sinto pressionado. A gente vê o comportamento da torcida, desde os primeiro minutos de jogo, se manifestando, uma torcida pequena, mas ali. Há uma conjuntura que obriga os profissionais de futebol a trabalhar com vitoria e nada mais, no futebol brasileiro.

Não sofro consequências da pressão, mas somos constantemente pressionados: dentro de casa, conosco mesmos, dentro do clube, na rua, na beirada do campo, pela imprensa. Há uma expectativa para saber se o treinador continua ou não, só que a gente tem que reverter isso e dar a volta. Não podemos considerar isso correto e considerar que as coisas tem que caminhar por ai. Vamos tocando o barco e ver o que acontece mais para frente.

FRUSTRAÇÃO

Drubscky: Acredito que posso tirar mais desse time. É um time modesto em termos de investimentos, mas em termos de caráter, homens e qualidade, isso tudo eles tem muito. Eu não ficar falando potoca e vomitando chavões de motivação. O momento é de tristeza, de chateação. Tivemos, pelo menos, três oportunidades sem goleiro para fazer o gol. Infelizmente a bola não entrou. Sabemos como esse grupo trabalha, as dificuldades das pessoas que estão em volta: a presidente, o Gustavo (Mendes), o (médico e dirigente José Roberto) Maranhas, o Jarbas (diretor financeiro), todo o pessoal de apoio. É uma galera que trabalha muito honestamente e a gente fica chateado. Não sou treinador formado no meio da rua, sei conviver e sinto a conjuntura do clube.

NERVOSISMO

Drubscky: Em campo tem 11 atletas que, alem do físico, da habilidade técnica e daquilo que eles mostram em campo, tem também uma cabeça. Pensam como nós pensamos e sofrem esses momentos como nós sofremos. Lógico que o artista tem que ter tranquilidade. A ansiedade de querer fazer as coisas e ver que não estão se encaixando gera uma velocidade prejudicial ao jogo e acabamos não fazendo como devíamos fazer. O Tupi, nesses sete jogos, mostrou muitos momentos bons. No jogo de hoje tivemos domínio no final do jogo: criamos jogadas, triangulamos, mas não concluímos.

FALTA DE TREINO (a falta de texto em Londrina forçou a delegação a voltar de Londrina de ônibus a Juiz de Fora entre domingo e segunda-feira, véspera da partida contra o Oeste)

Drubscky: Os atletas são muito guerreiros, parceiros no trabalho. Eles compram a briga conosco de maneira muito fiel e comprometida. Não diria isso [falta de treino atrapalhou] porque dentro de campo nós é que acabamos o jogo em cima do Oeste. Não diria que pesou. Lógico que não estou dizendo que temos que fazer viagens de 15, 16 horas, de ônibus. Fizemos o achamos que dava pra fazer. Nosso time não está fisicamente pior que o Oeste, pelo contrario.

GLAYSSON x RAFAEL SANTOS

Drubscky: O Tupi tem dois grandes goleiros, não há como questionar. No jogo contra o Londrina, o Rafael se saiu muito bem, em um gramado muito difícil. Hoje ele deu razão a gente por ter trazido um goleiro assim. A gente não tendo o Glaysson, temos um goleiro do nível dele. Vamos pensar com a cabeça fria, a partir de amanha. Considero os dois goleiros em ótimo nível para serem titular.

Torcedores protestam atrás do banco de reservas no alambrado: treinador disse que ainda não conhecia esse comportamento do público em Juiz de Fora

Torcedores protestam atrás do banco de reservas no alambrado: treinador disse que ainda não conhecia esse comportamento do público em Juiz de Fora

RESPALDO DA DIRETORIA

Drubscky: Acho que a pergunta deve ser feita diretamente a eles. O dia-a-dia é muito profissional, sério. O que, particularmente, não concordo é com alguns torcedores, que com três minutos de jogo já gritavam impropérios, palavras de baixo calão. O jogo todo foi assim. Parece uma orquestra destinada a isso. Esses caras não gostam do Tupi. Não ajudam em nada. Vem, num dia frio como esse, simplesmente para perturbar. Percebemos os camaradas perto do banco, quem esta torcendo para o Tupi está mais para trás. Eles querem que o time perca. E’ uma coisa chata. Não conhecia isso em Juiz de Fora e estou conhecendo agora, infelizmente. Esses camaradas que xingam, a maneira como fazem, xingam família… eles devem estar revoltados, mas isso e’ Brasil. Enquanto tivermos os governantes que temos, vamos deixar a educação do nosso povo ir pela enxurrada. Isso nos chateia, mas a convivência no clube é’ fantástica. O que tem de gente boa nesse clube… gente trabalhando. E esses infelizes, que não dão um centavo para o Tupi, com cinco minutos de jogo já estão xingando treinador, jogador, presidente. O Tupi está em uma divisão que chegou agora e eles não têm sensibilidade nenhuma.

ANO DE ELEIÇÃO: PROTESTOS PODEM SER A OPOSIÇÃO?

Drubscky: Não me envolvo com política no clube. Acho que esses camaradas [torcedores que xingam] deveriam se candidatar a presidente, para assumirem o clube. Seria interessante ver, mas isso não vai acontecer. Só tenho a louvar os dirigentes do clube. Eles trabalham de manha, de tarde, de noite, em prol de dar condições do Tupi estar representando. Quem estava xingando, falando que o time não estava encarando o Oeste, não assiste jogos do Oeste. Se assistisse, veria que o Oeste esta’ com 10, 12 pontos, fazendo frente com todo mundo, com uma ideia de jogo diferenciada. O cara vai para beira de campo porque não dá para ficar em casa, ai vai para atrapalhar o trabalho.”

Divulgação no site

Assim que a diretoria acertou os detalhes da rescisão contratual com o treinador, o site do clube divulgou a informação com o título: “Obrigado, professor!Técnico Ricardo Drubscky deixa o comando do Tupi”. O texto do site, curto, é o seguinte: “Em uma conversa manhã desta quarta-feira, 8, Ricardo Drubscky, em comum acordo com a diretoria do Tupi, decidiu não mais continuar como treinador da equipe. O Tupi Foot Ball Club agradece a chance de ter contato pela segunda vez com este técnico tão qualificado, um dos mais vitoriosos da centenária história do Galo Carijó.”

O vice-presidente do clube, José Roberto Maranhas, elogiou a conduta profissional do treinador em todo o período que comandou a equipe e também no momento de acertar os detalhes da rescisão: “É uma pessoa muito correta e sempre com uma conduta impressionante”, destacou.

 

Texto: Toque de Bola, com reportagem de Cérix Ramon e informações da assessoria e do site do Tupi

Foto: Toque de Bola

Edição: Toque de Bola

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