29 jan 2014

Vôlei UFJF: comentaristas apontam falta de equilíbrio emocional



  O nervosismo pela falta de vitórias, dificuldade para reagir e queda de rendimento de alguns jogadores no decorrer da competição. Esses foram alguns dos fatores apontados por Zé Eduardo Bara e Gilze Bara, comentaristas das transmissões ao vivo do voleibol na rádio web do Toque de Bola.

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  Zé Eduardo foi atleta profissional, tendo conquistado, entre outros títulos, o tricampeonato brasileiro e sul-americano pelo Minas Tênis Clube. Defendeu grandes  equipes do voleibol brasileiro e a seleção do País. É comentarista nas transmissões ao vivo dos jogos da UFJF pela rádio web do Toque de Bola na Superliga desde a primeira participação da equipe, na temporada 2011/12. É treinador das equipes de base do Sesi Juiz de Fora.

   Gilze é jornalista e professora. Também já atuou em quadra, embora não profissionalmente. Comentou alguns jogos desta temporada na rádio web do Toque de Bola e é presença frequente na arquibancada.

    Ambos concordam que a equipe apresentada no inicio da temporada era algo que empolgava pelas boas atuações, mas que o rendimento dentro de quadra foi caindo drasticamente.

  “No início desta temporada, quando o elenco foi apresentado eu fiquei bem esperançosa. Eu achei que a qualidade técnica do time estava superior aos anos anteriores. Gostei do rendimento dos jogadores naqueles jogos de apresentação, mas infelizmente essa expectativa não foi correspondida. O que a gente pode observar em quadra é que apesar de o time parecer tecnicamente superior, o resultado não dos jogos em si apenas, mas do próprio rendimento não corresponde a isso”, disse Gilze.

Para Zé Eduardo, a equipe não tem tido equilíbrio emocional durante os jogos, principalmente nos momentos de definição dos sets.

“A equipe começou em alguns jogos brilhantemente, como contra o Sesi, por exemplo, e nos amistosos antes da Superliga e comentamos que a equipe tinha jogadores experientes e habilidosos, mas que não tem colocado isso em prática, principalmente nos momentos decisivos dos sets. Acho que o equilíbrio emocional é o que está pegando para a UFJF por vários fatores”, falou Zé Eduardo.

Tem que ter garra

O que sempre foi marca da Federal em temporadas anteriores era que o time não costumava se entregar. Jogadores, como Clinty e Luan, eram conhecidos pela garra dentro de quadra. Para Gilze, além de faltar conjunto para a UFJF em alguns momentos falta mais vibração.

“Eu tenho a impressão de que o time não se acertou. Falta conjunto, falta o entrosamento, o rendimento individual, alguns jogadores estão abaixo, principalmente aqueles que já conhecíamos. E eu acho que falta garra, eu sei que é difícil fazer esse tipo de comentário já que eu não acompanho o dia a dia e só quem vive a realidade todo dia sabe o que acontece com uma equipe, mas nos jogos dá uma vontade de entrar e dar uma sacudida e falar vamos lá, vamos pôr sangue nisso”, comentou.

Tamirys Gonçalves é torcedora e sempre acompanha o time quando pode. Ela diz que tem sentido o time apático essa temporada, mas nem por isso a torcida deixa de apoiar.

“Temos visto um rendimento abaixo deles que parecem apáticos em alguns sets e isso tem desestimulado a torcida, mas nem por isso deixamos de ir aos jogos ou de torcer em casa na frente da TV ou pela internet”.

Problemas com os opostos

Chiquita continua tendo problemas com os opostos,  Daniel Maciel e De Paula, que ainda não corresponderam as expectativas. Segundo Gilze, o ponteiro Daivisson entrou bem na posição quando foi improvisado, mas que um oposto em boa condição faz muita falta no desempenho de um time.

“Os nossos opostos têm nos jogos deixado a desejar. O De Paula começou bem a temporada, e de repente o rendimento dele caiu. E às vezes que o Daniel também entrou não conseguiu ter um rendimento melhor não. Acho que o Chiquita está tentando, ele utilizou o Daivisson na saída de rede, acho que ele foi bem, não é um jogador especializado nessa posição, então isso é muito difícil. E agora quando o Daivisson assumiu a posição de ponta como titular, o Chiquita tem tentado outros jogadores na saída. Enfim, tem que tentar mesmo, mas é uma pena, porque o oposto é uma posição fundamental para qualquer equipe de vôlei da atualidade e eles são os grandes jogadores de uma equipe, recebem bola de segurança e é fundamental um oposto com bom rendimento”.

Zé Eduardo disse que muitas vezes o treinador faz apostas que não dão certo, mas que inicialmente a melhor alternativa é jogar com os três ponteiros em quadra.

“O treinador às vezes aposta em um atleta e nem sempre ele rende, então fica difícil para o Chiquita contar com os jogadores que não estão rendendo como ele esperava.  Eu bato na tecla de que precisa colocar um equilíbrio emocional, uma motivação a mais, que mexa com o brio deles. Que eles percebam que o projeto, de ter uma equipe na primeira divisão é de fundamental importância. O que o Chiquita pode fazer é colocar um ponteiro jogando como oposto e ficar com três ponteiros na quadra, e pode resgatar o De Paula e o Daniel que já fizeram partidas brilhantes, ou momentos brilhantes em uma partida”, contou.

Para a torcedora da Federal, Thamirys, o time empolgava no inicio e que o central Victor Hugo foi o que mais tem surpreendido.

“Dos jogadores que chegaram nessa temporada eu particularmente gostei muito de vê-los jogar. Pelo menos inicialmente demonstraram vontade e bom desempenho e jogadores que já pertenciam ao elenco como Danilo, Victor Hugo, Hugo sabíamos do potencial deles. E o Victor Hugo surpreendeu muito nessa temporada tem sido muito guerreiro, tem levantado o time em quadra”, disse.

Falta conjunto e liderança

Em entrevista exclusiva ao Toque de Bola, o diretor técnico da Federal, Maurício Bara Filho disse que tentou trazer jogadores com mais experiencia no mercado para o time, porém financeiramente ficou complicado.

Tamirys disse que a torcida queria sim um jogador mais rodado no elenco, mas que entende a dificuldade em trazer.

“A torcida gostaria muito que tivesse um nome de peso nas contratações, porém acredito que essas contratações de peso são financeiramente inviáveis, até por sabermos quem são nossos patrocinadores”, disse Thamirys.

Para Gilze, é fundamental que a equipe tenha um líder dentro de quadra, mesmo que não seja um jogador experiente, mas que pelo menos chame a responsabilidade.

“O vôlei é conjunto, nós sabemos que não é um jogador que resolve tudo, mas falta um líder, que pode ser sim uma pessoa mais experiente ou não. Às vezes não precisa ser uma pessoa com tanta experiência, mas que exerça a função de liderança dentro de quadra. Alguém que vibre, que chame para si a responsabilidade. Quem dera se pudesse ser uma pessoa com experiência, com nome no mercado, acho que seria bom isso realmente, seria ótimo, mas se não puder que seja outro, como o Luan foi na temporada passada. O Luan era um jogador novo mas que chamava para si, se não a liderança, pelo menos a responsabilidade na hora de pontuar”, afirmou.

Zé Eduardo comentou que a equipe está pecando em vários fundamentos nas estatísticas e que um fundamento acaba por prejudicar o outro.

“A UFJF está com um problema muito sério, pelas estatísticas a gente observa que ela tem um saque em sexto lugar, porém um bloqueio em 12º. Então, ela consegue tirar o passe das outras equipes, mas o bloqueio não está sendo tão efetivo, não só o bloqueio em si, mas como a orientação da defesa. A Federal também tem problemas na recepção, é a última colocada também nesse fundamento, conseqüentemente o ataque também fica prejudicado e aparece em último. O voleibol é uma coisa muito interligada, você saca bem, para ter um bom bloqueio, e recebe bem para ter um bom ataque.”.

Ainda dá para acreditar

O time tem pela frente sete jogos e dois deles são confrontos diretos em casa, contra Funvic Taubaté e Volta Redonda. Por isso Zé Eduardo acredita que o time tem condições de reagir e subir na tabela nesses jogos finais.

“Acho que a Federal tem um time bom, um time competitivo que dá para brigar entre os oito, não vai brigar com Cruzeiro e Sesi que estão em um patamar acima, mas em comparação com as outras equipes não é tão diferente. Acho que a Federal está na hora de ganhar um jogo importante também. O voleibol hoje não tem equipes fracas, até pelos sets com 21 pontos, são sempre partidas difíceis. Eles tiveram um tempo agora maior para treinamento e é a hora da virada. Tem que ter otimismo, não é porque está em último que vai entregar os pontos, existem sete partidas, acho que ainda tem chance e tem que acreditar nisso”, comentou.

Thamirys disse que não é hora de procurar culpados pelo momento vivido e que o time pode reagir, mas precisa controlar a ansiedade.

“Os jogadores e a comissão técnica enquanto profissionais que são, têm potencial para reagir, porém dependem de um esforço e entrega maior em quadra. Precisam controlar a ansiedade, que tem atrapalhado nos momentos decisivos dos sets, até mesmo na definição dos jogos. Acredito que o momento não seja de levantar culpados e sim trabalhar com dedicação ainda maior para produzir resultados favoráveis no campeonato”, falou.

Gilze disse que como torcedora ainda acredita, mas o desempenho dentro de quadra faz ela ter menos esperanças.

“Como torcedora, eu torço, mas acho que está bem complicado. Nos playoffs eu acho que é praticamente impossível. Agora temos que torcer por uma melhoria no desempenho para não ser rebaixado, mas está muito difícil. Eu acredito que seja um misto, é a colocação na tabela, os números e o que a gente tem visto dentro de quadra que infelizmente me fazem ter menos esperanças”, finalizou.

Texto: Mari Sequeto

 

 

 

 

 

 

 


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