17 jan 2014

Juiz-forano quer Haiti reconhecido pelo futebol



  País mais pobre das Américas, o Haiti é marcado até hoje pela ocorrência de terremotos, violência e pobreza. Por meio do incentivo à prática do futebol de meninos e meninas, o juiz-forano Rafael Novaes vem há dois anos e meio comandando, na Academia de Futebol Pérolas Negras, um projeto de educação e treinamentos com crianças, pela Vivo Rio, já tendo conquistado o segundo lugar na Copa Noruega, torneio composto por 208 equipes do mundo inteiro.

“Não visamos muito o título, sempre foi um trabalho de formação, mas quando você trabalha, as conquistas vêm. Na Noruega foi uma coisa fenomenal. A imprensa não conhecia o Haiti ou só sabia pelas tragédias e ficou conhecendo pelo futebol também. Esse feito foi muito grande. Mês passado ainda fomos campeões nacionais Sub 15. Não é nosso objetivo ser campeão no País, porque sabemos que estamos à frente pelo trabalho e estrutura que oferecemos. Fomos campeões invictos, estamos bem superiores em relação ao nível nacional. Mas quando a gente sai, nosso objetivo é sempre levar o nome do Haiti e mostrar para todos que não é só pobreza, terremotos, dificuldades. Também tem o lado do futebol e eles são apaixonados e sabem jogar”, contou Rafael.

A Seleção do Haiti Sub 17 passou por grandes clubes na competição. O juiz-forano ressaltou ao Toque de Bola a vitória sobre o América do México, um dos maiores clubes do país e das Américas. “Nós ficamos felizes pela oportunidade de enfrentar o América do México e conseguimos tirá-los do campeonato. Essa vitória foi uma coisa muito satisfatória”, relembrou.

  Preparação em JF visa amistoso contra seleção

O próximo passo do treinador, que conta no staff técnico com o também juiz-forano Luiz Carlos Laudiosa, preparador de goleiros, é uma partida amistosa, no dia 8 de fevereiro, contra a Seleção da Taça das Favelas, maior campeonato entre favelas do Brasil, organizada pela CUFA (Central Única das Favelas). Visando esta partida, a equipe de Rafael Novaes veio à Juiz de Fora com um amistoso marcado para sábado, 18, contra o Sport, time presente na história do treinador, que no início de sua carreira comandou a equipe júnior do tradicional clube alviverde. Os haitianos venceram a partida, placar de 1 a 0, com gol no início da segunda etapa de Millort.

“Dos cinco integrantes do staff técnico, quatro já passaram pelo Sport, fomos criados aqui, jogamos e depois tivemos a oportunidade de trabalhar e foi aqui que tudo começou. Então quando pintou a oportunidade da gente jogar contra a Seleção da Taça das Favelas, dia 8 de fevereiro, falei para passarmos em Juiz de Fora e fazermos a pré-temporada, já que conhecemos o futebol aqui”, comentou a escolha.

Para o zagueiro haitiano Ogonal, a experiência tem sido gratificante. “Estou gostando muito do Brasil e aprendendo bastante com os brasileiros”, afirmou, satisfeito.

Seleção sub-17 do Haiti: uma escola em todos os sentidos, não só esportiva

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Evolução do trabalho desenvolvido no Haiti

O projeto conta atualmente com uma média de 70 meninos e meninas, que ficam em sistema de internato de segunda a sábado e têm, fornecido pela Academia, profissionais qualificados, escola, quatro campos de futebol, academia, piscina, uma estrutura invejável para clubes no Brasil, inclusive.

Há dois anos e meio no projeto do Viva Rio, o técnico juiz-forano que contribui na formação de jovens atletas para o mercado do futebol mundial também assume o papel de pai, quando necessário. Junto ao staff e integrantes do projeto no Haiti, Rafael prioriza ainda o conhecimento do passado de todas as crianças que chegam à Academia e recebem seus ensinamentos.

“Lá nós trabalhamos com futebol, mas também somos psicólogos, um pai, uma mãe que muitos meninos não têm. Dos 70 meninos e meninas, nós conhecemos 100 por cento da história de cada um. Nós que estamos trabalhando ali precisamos saber de onde vieram, o que passam, se são locais de muito risco. Muitos meninos que nem em casa vão, porque ficar em um lugar muito perigoso, tem tiroteio, então ficam direto lá”, disse.

Rafael Novaes: de volta ao Sport, clube em que já foi treinador da base

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Objetivo e gratificação

Mesmo com os resultados já obtidos, Rafael garantiu não estar satisfeito por completo. O técnico ainda possui uma meta com o trabalho desenvolvido em um período maior de tempo. “O trabalho nosso dentro do Haiti é capacitar atletas para futuramente serem a base da seleção principal. O sonho nosso é ter daqui a quatro, cinco anos uma base da seleção que já passou pela Academia”, projetou.

A participação de Rafael no projeto, segundo o técnico, é recompensador de muitas formas. “Gratificante é você ter um retorno não só profissional, mas você crescer como pessoa. Todas as dificuldades que a gente vê e passa lá, crescemos como seres humanos. E profissionalmente, toda oportunidade que vem aparecendo é muito satisfatória. Enquanto houver essas possibilidades e o projeto ir crescendo, a gente tem motivação para continuar trabalhando lá”, finalizou Rafael.

Texto de Bruno Kaehler

Fotos: Toque de Bola

 

 

 


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