07 out 2013

Tupi troca de letra: 3 a 2 no Mixto



Com requintes de drama, o Tupi, com uma história centenária, jogou em 93 minutos toda uma temporada de dificuldades financeiras, cortes de energia, invasões de massagista, duas vitórias de gravata em “partidas-extras” nos Tribunais e muito mais.

Resultado: Tupi 3 a 2 sobre o Mixto (MT), diante de cerca de 6500 torcedores no ensolarado Estádio Municipal Radialista Mário Helênio, público inédito na Série D em Juiz de Fora este ano.

A equipe está classificada para as semifinais da competição, para enfrentar o Juventude (RS), que já tem um título de Copa do Brasil e várias temporadas na Série A em seu currículo. Caso passe pelo time gaúcho – o jogo de ida está marcado para dia 12, às 15h30, em Lajeado (RS), uma vez que o adversário perdeu dois mandos de campo, o Tupi decidirá o caneco diante do Botafogo, da Paraíba.

O jogo da volta, que seria dia 20, um domingo, foi antecipado para sábado, 19, às 16h, no Estádio Municipal Radialista Mário Helênio.

A partida foi transmitida ao vivo pela rádio web do Toque de Bola, novamente com excelente índice de audiência.

A segurança do empate sem gols que classificaria o carijó foi quebrada com um gol incomum e maravilhoso. Jonatan Obina, que o torcedor alvinegro conhecia dosa tempos em que defendia o América, de Teófilo Otoni, acertou, aos 32, um chutão no ângulo superior direito do goleiro Victor Souza: Mixto 1 a 0. “Eu nem vi por onde a bola passou”, confessou o goleiro, elogiando a felicidade do arremate.

Enquanto o torcedor da casa olhava incrédulo para o campo, Obina foi até perto da arquibancada e fez aquele gesto tradicional, querendo ouvir aplausos. Atrás do gol de Victor, 12 integrantes da torcida Boca Suja, de Cuiabá (MT), pulavam de felicidade. Um grupo de alvinegros juiz-foranos, na arquibancada, bateu boca com o técnico Felipe Surian, que precisou ser contido por dirigentes, membros da Comissão Técnica e atletas para não elevar ainda mais a temperatura da discussão. “Não trabalho mais aqui”, chegou a dizer o treinador.

As principais oportunidades de gol do Tupi, que não se expunha ao contra-ataque, surgiam quando o veloz Núbio dominava e arrancava em velocidade. Depois de não ter um pênalti assinalado, quando o jogo ainda estava em 0 a 0, outro lance na área com o mesmo atacante, e desta vez o árbitro marcou, para desespero e protestos dos jogadores visitantes.

Ademilson pegou a bola, colocou na marca e não se importou com a “guerra fria” do adversário, especialmente do veterano zagueiro Kal, que ficou ao pé do ouvido tentando tirar a concentração do artilheiro e ídolo carijó. Ademilson caminhou para a bola passo a passo, esperando a definição do goleiro. Bateu no canto direito, sem qualquer chance de defesa. “Nada tira minha concentração no pênalti”, destacou, depois, Adê. “Vou caminhando e esperando a definição do goleiro para escolher o canto e bater”.

Pronto. Na mesma meta do famoso “caso Esquerdinha” ou “Vexame Aparecidense”, Ademilson repetiu o gesto da comemoração, batendo no peito. Desta vez, sem pesadelo. Sem ter que olhar para trás.

Ademilson comemora da forma tradicional: ídolo deixa a sua marca em mais um jogo decisivo para o carijó

Ademilson comemora da forma tradicional: ídolo deixa a sua marca em mais um jogo decisivo para o carijó

Ainda no primeiro tempo, o religioso Victor Souza passou por nova provação. Falta para Kal cobrar. O zagueiro, que marcara o gol de ida em Cuiabá, acertou o ângulo, mas o arqueiro espalmou para escanteio. “Estava atento, ele bate muito bem na bola”, afirmou Victor, no intervalo.

Veio o segundo tempo e o Tupi era outro. Postura, atitude, intensidade. O termo exato o torcedor não sabe – é mais tratado nos bastidores. O fato concreto é que em oito minutos o placar já apontava 3 a 1.

No segundo gol, Henrique, que desperdiçou alguns lances na etapa inicial por adiantar demais a bola, lançou na medida para Michel, no segundo pau. Michel não titubeou, como também ocorrera na etapa inicial, em que fez várias jogadas bonitas, como dribles desconcertantes, mas não conseguiu ser efetivo para concluir.

Se era  segundo tempo e vida nova, então tinha que ser tudo diferente. Henrique lançou com perfeição e Michel emendou de primeira: Tupi 2 a 1, de virada. Mais um pouco, escanteio pela direita. Cobrança para Fabrício Soares desviar. A bola ainda tocou na zaga antes de ganhar as redes. Tupi 3 a 1. Olho no relógio.  Oito minutos do segundo tempo.

Opa. Vitória tranquila? Será que vem até goleada? Mais oito minutos e o torcedor que cantava no estádio sente que “vitória tranquila” não faz parte do roteiro carijó. Seja neste domingo ensolarado, de 6 de outubro, seja em grande parte da “saga carijó” e  centenária, como costuma definir o jornalista Ailton Alves as muitas histórias de superação da “fênix” de Santa Terezinha.

Aos 16 minutos, o zagueiro Silvio tem a bola dominada, mas Geilson toma a sua frente. Silvio tenta recuperar, mas  o árbitro vê falta no lance. Geilson cobra rapidamente, a defesa está desarrumada e Obina aproveita para descontar: 3 a 2. Adeus, folga no placar.

A mistura de torcedores – aos tradicionais de todo jogo somavam-se pelo menos mais 4.500 – começa a temer aquela conversa do dia seguinte: “Poxa vida, depois de tanto sacrifício, será que vamos tomar um golzinho no final e todos vão dizer que o Tupi não tem jeito mesmo, que tem vocação para o sofrimento?”.

Dos  16 aos 47, o desenho do jogo não se altera. O Mixto vai lançando as bolas na área, e o Tupi quase não consegue encaixar bons contra-ataques. As melhores oportunidades do Mixto são uma bola cruzada da direita, em que Victor Souza pratica duas defesas e manda a escanteio, e uma falta para o temido Kal, aos 42, que cobra na barreira. O Galo poderia “matar” o Mixto quando Ademilson desceu sozinho pela esquerda, com o fôlego de 40 anos que já não impressiona mais, e rola para Henrique chutar por cima do gol.

Tranquilidade mesmo só aos 47, quando Ademilson invade a área e é derrubado. Tupi pede pênalti, arbitragem marca falta. Irritados e de cabeça quente, três jogadores do Mixto são expulsos após a marcação de Marcelo Aparecido e Souza: Kal, Vevé e Kiko – pouco antes, o capitão Felipe Blau havia recebido segundo cartão amarelo e também deixou o campo mais cedo.

Como a mente do torcedor resgata situações para vibrar ou sofrer, alguém se lembra da Batalha dos Aflitos, quando o Grêmio tinha um pênalti contra si e vários jogadores expulsos. Depois do pênalti perdido pelo Náutico, o Grêmio contra-ataca e faz o gol da vitória.

De volta à realidade, a cobrança de falta do Tupi não dá em nada. O árbitro acrescenta um minuto de crueldade. O Mixto ainda reclama de uma falta na intermediária. Opa, bola em direção ao árbitro. Ele coloca as mãos sobre ela.

Terminou o jogo. Os atletas, enlouquecidos, vão até a torcida agradecer, se abraçam. Unem-se na corrente ainda em campo para uma oração. Adriano Felício, experiente, pede a palavra antes da reza gritada e diz: “Este foi o melhor  grupo com o qual eu já trabalhei”, referindo-se às dificuldades vividas no dia-a-dia, como a falta de energia elétrica.

Tupi F.C. 3X2 Mixto EC

Radialista Mário Helênio – Juiz de Fora – 16h

A: Marcelo Aparecido Souza

A1: Daniel Paulo Zioli

A2: Gustavo Rodrigues de Oliveira

4A: Rodrigo Guarizo

Tupi: 1-Victor Souza, 2-Henrique, 3-Silvio, 4-Rafael Estevam, 5-Felipe Lima, 6-Fabrício, 7-Núbio (18- Wesley), 8-Genalvo (14-Rafael Vítor), 9-Ademilson, 10-Adriano Felício (16- Toledo) e 11-Michel. Técnico: Felipe Souza.

Mixto EC: 1-Bruno, 2-Lucas Newton (18-Rafael Paty), 3-Wellington, 4-Kal, 5-Jamba (17- Felipe Tchelé), 6-Robinho (16 – Vevé), 7-Kiko, 8-Felipe Blau, 9-Jonatas Obina, 10-Geovani e 11-Geilson.

Gols: 9-Ademilson, aos 40’1T, 11-Michel, aos 3’2T e 4-Kal, contra aos 8’2T (Tupi); 9-Jonatas Obina, aos 33’1T e 15’2T (Mixto).

Público: 5.545

Renda: 72.160,00

Texto: Ivan Elias -Toque de Bola

Ficha Técnica: Portal da FMF

Fotos: Benito Maddalena/Tupi

 

 


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