18 jun 2012

Jogos de MG: qualidade ainda não saiu do papel



Por enquanto, a mudança dos tradicionais Jogos do Interior de Minas (Jimi) para Jogos de Minas ficou apenas na alteração do nome. Juiz de Fora participou, entre os dias 6 e 10 de junho, da Etapa Microrregional – Sudeste B, realizada em Rio Pomba. Foi a primeira participação das equipes locais desde que a Secretaria de Estado de Esportes e da Juventude (SEEJ) anunciou a mudança argumentando ganho de qualidade. Para isso, a SEEJ optou pela diminuição de uma etapa, alteração no número de equipes classificadas para a Etapa Estadual e exigiu que todos os atletas participantes fossem federados. Mas será que realmente houve ganho em qualidade?

JF é primeiro lugar geral na etapa dos Jogos de Minas, em Rio Pomba
Divulgada a tabela da Etapa Microrregional dos Jogos de Minas
Tudo sobre a participação juiz-forana nos JIMI. Não deixe de ler

O coordenador de Eventos de Rendimento Esportivo da Secretaria de Esporte e Lazer, Jarbas Duque, que acompanhou a delegação juiz-forana em Rio Pomba, acredita que uma avaliação mais precisa da mudança só será possível após a Etapa Estadual que, nas modalidades coletivas, será realizada em novembro, em local ainda a ser definido. Apesar disso, revela que não foi possível notar grande mudança.

“Até aqui, somente a mudança do nome, não houve nenhuma evolução significativa. Em conversas com vários representantes de outros municípios, ainda não vi nenhum elogio da nova competição, mas sim muitas reclamações, algumas com fundamentos, outras infundadas. Talvez, se as mudanças fossem gradativas, ano a ano, poderia surgir uma evolução com o passar dos anos. Porém, como eu disse, quero aguardar o final do ano para avaliar friamente e com mais detalhes. Mas, se não repensarem alguns pontos, a competição pode perder sua importância”, avalia Duque.

Algumas modificações propostas pela SEEJ foram bem vistas pelo coordenador de Eventos de Rendimento Esportivo. Exemplo disso é a diminuição de uma etapa da competição. “Em relação a diminuição de uma etapa, acho plausível. As equipes têm muitas dificuldades com viagens, pois quase todos os atletas são amadores, têm seus trabalhos, estudos, e fica difícil conseguir liberação três semanas por ano. Além disso, é  uma diminuição considerável nos gastos. Porém, deveriam ter acabado com as Microrregionais e não com as Regionais. Em nossa micro, por exemplo, das oito competições, tivemos quatro com apenas duas equipes: basquete feminino, basquete masculino, vôlei feminino e vôlei masculino”, argumenta Duque. 

Posição mais crítica é a do responsável técnico da ADJF/Vianna Júnior, Carlos Dias, que chega ao ponto de classificar os Jogos de Minas como “um fracasso”. “A mudança não surtiu efeito. Foi uma imposição da Secretaria de Estado de Esportes e da Juventude. Diminuíram uma fase, mas não criaram a Etapa Regional. A qualidade do evento não existe. Muitas equipes que vão chegar à Estadual são muito fracas. As Microrregionais deveriam se cruzar. Pedimos isso à SEEJ, mas eles não aceitaram. Este será um ano perdido para o desenvolvimento do esporte em todas as modalidades. As pessoas responsáveis pelo esporte no Estado não conhecem a realidade”, afirma.

O coordenador de Basquete Masculino do Vianna Júnior, Guilherme Facio, mantém o tom crítico. “Em minha opinião, os Jogos de Minas foram um retrocesso, marcado por imposições por parte do Estado, desorganização, desinformação e despreparo de quem criou o novo regulamento. Tivemos uma competição esvaziada, basta comparar a quantidade de equipes nos anos anteriores e neste ano. Caiu muito.
Além disso, chegamos a ter um de nossos jogos com seu início atrasado devido à ausência de um responsável pela coordenação dos jogos, estando presentes a arbitragem e as duas equipes”, revela, prevendo nível técnico mais baixo na Estadual que em anos anteriores.

Facio questiona, ainda, a obrigatoriedade de federação de todos os atletas. “O Basquete Masculino, assim como outras modalidades, nesta fase não contou com várias equipes que participavam em anos anteriores, devido às mudanças de regulamento impostas pela Secretaria de Esportes do Estado de Minas, que oneraram os municípios, obrigando-os, para jogar, a se federarem, e, obviamente, a pagar as taxas de inscrição, transferência… Isto acabou inviabilizando a participação de equipes que, com muito esforço e pouco dinheiro, praticamente tinham os antigos Jimi, atuais Jogos de Minas, como sua competição mais relevante”, expõe.

Mas, questionado onde é preciso melhorar, Jarbas Duque destacou um problema que é anterior à criação dos Jogos de Minas. “Primeiramente, nas estruturas dos locais de competições. Esse é um dos principais problemas de anos. Uma competição que quer evoluir, não pode ainda ter quadras de Handebol, por exemplo, que não sejam com medidas oficiais (40×20). Até se aceita nas etapas iniciais um pouco menores, mas com uma boa estrutura. Ginásios sem vestiários adequados, sem arquibancadas para o público, sem placares, com goteiras imensas, espectadores passando dentro de quadra… Isso não pode mais fazer parte dos jogos. Sabemos que nosso estado tem poucas cidades com uma boa estrutura para esse tipo de competição, mas que sejam reformados e construídos locais adequados. Seria ótimo para as cidades sedes. Seria o principal legado dos Jogos”, afirma.

Texto: Thiago Stephan


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