31 dez 2011

Entrevista exclusiva: Alves, ex-Atlético, explica obras no gramado do Estádio Mário Helênio e faz um alerta



Juiz de Fora (MG), 30 de dezembro de 2011

O Toque de Bola conversou no final da manhã desta sexta-feira, 30, com Alves, ex-lateral direito do Atlético Mineiro e hoje gestor da Arena do Jacaré, estádio de Sete Lagoas que tem sido utilizado por Cruzeiro e Atlético enquanto o Mineirão passa por obras para a Copa das Confederações e a Copa do Mundo.

Alves explicou com detalhes o trabalho que está sendo feito no gramado do Estádio Mário Helênio às vésperas do Campeonato Mineiro, alertou para a necessidade de obras de manutenção e aproveitou para mostrar preocupação com os destinos do futebol brasileiro, engrossando o coro dos que se mostraram alarmados depois da goleada do Barcelona sobre o Santos (4 a 0) na final do Mundial de Clubes.

De acordo com a assessoria de comunicação da Prefeitura, além de contratar a empresa dirigida por Alves, “a Empav cedeu funcionários e parte do material utilizado no processo de revitalização da grama, no qual a PJF investiu R$ 40 mil.”

“O trabalho de revitalização consiste em cortar toda a grama do campo, tirar as ondulações e nivelar o terreno. Depois é feito um processo para eliminar e prevenir pragas. Por fim, é realizado o que se chama de ‘areação’, para que o solo possa receber os adubos. Em seguida, é só manutenção”, afirmou o secretário de Obras, Jefferson Rodrigues Júnior.

“Nenhum trabalho de revitalização do gramado foi feito desde que o Estádio Municipal foi inaugurado, em 1988. Isso que estamos fazendo agora é fundamental para resguardar a vida útil da grama, que é muito antiga e já deveria ter sido trocada”, ressaltou o prefeito Custódio Mattos. Segundo o secretário de Esporte e Lazer, Renato Miranda, o Estádio estará apto a sediar o primeiro jogo oficial na temporada 2012, no dia 4 de fevereiro, entre Tupi e Nacional de Nova Serrana, pela segunda rodada do Campeonato Mineiro.

Além da recuperação do gramado, a PJF também comprou mobiliário novo para os dois vestiários do Estádio e está concluindo o trabalho de impermeabilização de toda a parte administrativa e dos vestiários. Cerca de 80% do serviço já foram concluídos.

  Veja, abaixo, a entrevista completa e exclusiva com Alves.

  Toque de Bola: Como está sendo feito o trabalho no gramado do Estádio Mário Helênio?

Alves: Tivemos que fazer uma ação emergencial para que no começo de fevereiro o Tupi tenha condições melhores para jogar futebol. O plano de ação foi estudado pelo Secretário de Obras da Prefeitura, Jefferson Rodrigues Júnior, que, consciente, viu a necessidade. Tivemos que operar com máquinas que só têm em São Paulo, é um trabalho emergencial de uma semana, é o início para se fazer tudo que é necessário. Precisamos ainda de ações mais lentas para que no primeiro jogo em casa no Estadual do Tupi (4 de fevereiro contra o Nacional, de Nova Serrana) o gramado já esteja em condições melhores.

Toque de Bola: Não é um gramado novo. É um gramado recuperado. Explique com detalhes, por favor, para o torcedor:

Alves: Vimos fungos, desnível… O projeto era fazer um corte vertical bem profundo, o que foi feito, com máquina especializada, uma descompactação mecânica, jogar um calcário para tirar a acidez que existe dentro do solo, fazer adubação. Depois disso, foram jogados quase 80 metros cúbicos de areia, em todos os sentidos, para aumentar a maciez. Os tabletes retirados substituídos por areia. Daí, serem jogados defensivos e insumos agrícolas para se evitar as pragas, buscando um gramado mais forte e capaz. Agora é estudar junto à Secretaria de Obras equipamentos que façam com que os funcionários tenham a capacidade de trabalhar bem, com rapidez e eficiência. Equipamentos como uma irrigação escamoteável, que é mais que necessária, é obrigatória, uma adubadeira , são vários equipamentos que poderiam facilitar a vida de todo mundo, mantendo a tradição e a beleza do estádio, que realmente é muito bonito.

 Toque de Bola: Falando um pouco de futebol. Há uma preocupação entre jogadores, ex-jogadores e cronistas com o futebol brasileiro, depois dos 4 a 0 do Barcelona sobre o Santos. Você concorda com essa corrente, que também se preocupa com a sexta posição hoje ocupada pelo Brasil no ranking da Fifa?

Alves: Me preocupo sim. O futebol brasileiro infelizmente está andando para trás. Eu represento vários clubes e participo como gestor da Arena do Jacaré, em todos os jogos que são realizados lá, em Sete Lagoas. O grande problema que tenho visto é a ação de empresários e pessoas pensando apenas em dinheiro. Hoje você não tem um atleta de 12 anos que não tenha um empresário. Esses empresários manipulam, isso é a minha opinião, toda a trajetória dos times e dos atletas. A preocupação é  fazer com que o atleta renda dinheiro. Os clubes estão cada vez mais estão falindo e essas pessoas físicas, que representam os jogadores, estão mandando no futebol. Houve uma convocação recente da seleção brasileira em que noventa por cento dos convocados eram de empresários. Era a satisfação que a CBF tinha que dar aos empresários de jogadores. No momento em que estamos preocupados com isso, a aprendizagem do europeu e do novo continente evoluiu, eles se preocuparam com aquilo que o futebol brasileiro tinha de melhor, captaram e melhoraram em outros aspectos. E o Brasil continua com aquele jeitinho brasileiro, achando que quando a gente quiser a gente ganha, e no entanto é evidente que esse sexto lugar no ranking deve piorar ainda mais, se não mudarmos a filosofia, se não colocarmos realmente profissionalismo no futebol em todos os sentidos. Não tenho nada contra empresários, mas temos que separar as coisas para que se volte ao trabalho. O time que o Atlétco teve na minha época com Reinaldo, Toninho Cerezo, Marcelo, Paulo Isidoro, Angelo, João Leite, todos saíram da base, todos jogavam por amor, não tinha dinheiro, não ganhávamos praticamente nada. Coincidentemente, na mesma época havia times como Flamengo, um dos maiores da história, com Zico, Júnior, Júlio César, e por aí vai, todos jogavam por amor, por gostar, não tinham empresário, não havia aquela figura que luta por interesses pessoais contra interesses do próprio clube. Se mantivermos essa filosofia, a tendência é futebol brasileiro é só cair, cair, cair. Se as pessoas que tomam conta disso realmente não derem um alerta, a situação vai ficar pior.

 Clique no ícone abaixo para ouvir a íntegra da entrevista:

 


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