12 jun 2018

Adeus a Zé Carlos: histórias do craque celeste em seus tempos de JF



Zé Carlos era um dos ex-jogadores mais identificados com o Cruzeiro

  Uma das referências quando se fala em jogador de futebol profissional de Juiz de Fora e do Cruzeiro, o meio-campo Zé Carlos, faleceu na terça, dia 12, aos 73 anos.

  A causa da morte do ex-atleta não foi divulgada, mas o juiz-forano que vivia em Belo Horizonte lidava com as sequelas de um acidente vascular cerebral (AVC) isquêmico desde 2016.

   Zé Carlos, que jogou na equipe celeste de 1966 a 1978, é o segundo jogador que mais vestiu a camisa do Cruzeiro em todos os tempos, tendo atuado 633 vezes pela Raposa.

  Somente o goleiro Fábio – ainda em atividade, com 775 partidas e devendo completar mais uma na quarta, dia 13 – supera o juiz-forano em número de aparições pelo time belorizontino.

 “Solta ela, se não eu te tomo”

  Contemporâneo de Zé Carlos nos gramados locais, o atual secretário de Esporte e Lazer, Júlio Gasparette, tem lembranças ternas do jogador, e de suas lições aos garotos do Verdão. “Como homem era um grande caráter, amigo e um exemplo. Como atleta, excepcional. Nós do infanto-juvenil que íamos treinar contra os profissionais sempre ouvíamos dele: ‘solta a bola, se não eu te tomo’. Parecia que tinha um imã no pé que atraia a bola. Foi um dos maiores que vi jogar. É uma perda que não há palavras para definir para o esporte de Juiz de Fora”, destaca.

  Gasparette acompanhou de perto a trajetória do meio-campo em Juiz de Fora. “Ele era do bairro Francisco Bernardino, onde começou em times como o Bonsucesso, por lá. Jogou também no time da Picorelli e foi para o Sport já na época do Exército, com 17 para 18 anos, no juvenil. Naquela época existiam os aspirantes, mas ele foi direto para os profissionais. E naquele tampo se jogava, estudava e trabalhava. Ele foi estofador e depois trabalhou na fábrica do Seu Zé Simão”, conta. “No Sport, ficou uns quatro ou cinco anos. Era o maior salário, merecidamente. Depois foi estourar lá no Cruzeiro”, relembra.     

O juiz-forano ficou marcado com o eterno camisa 8

‘Manta’ histórica

  Não só pelos grandes títulos no Cruzeiro ficou marcada a carreira de Zé Carlos, principalmente para os torcedores do Sport Club Juiz de Fora, onde o meio-campo iniciou sua carreira. A transferência para a capital mineira já gerou um bom “causo”, como conta o jornalista e atual diretor de comunicação do Verdão da Avenida, Márcio Guerra.

  Segundo Guerra, a transação de compra e venda do jogador nunca foi, em todos os seus termos, concluída. “A história que mais me lembro dele era a da ‘manta’ dada pelo Cruzeiro no Sport na venda do jogador. Contava o Seu Caputo (Francisco Queiroz Caputo, ex-presidente histórico do Sport) que, quando da venda do Zé Carlos, ficou acertada a parte financeira e a realização de dois amistosos entre Cruzeiro e Sport. O primeiro deles foi feito em Belo Horizonte, mas a volta, em Juiz de Fora, nunca se realizou”, conta.

Zé Carlos (em pé à esq) fez parte de um time que tinha, entre outros, Raul, Procópio e Tostão

Nunca esquecido

  Márcio destaca a importância da perda e que o assunto da transferência nunca foi esquecido pelos torcedores do Sport. “Não cheguei a ver o Zé Carlos jogar pelo Sport. Quando ele saiu do clube, tinha 6 para 7 anos. Mas ele era uma referência de futebol para todos os periquitos. É uma grande perda”, lamenta. “Mas todas as vezes que o Cruzeiro vinha jogar contra o Sport, o assunto da venda ressurgia. E sempre se cobrava a realização daquele segundo amistoso em Juiz de Fora”, lembra.

Títulos importantes

  Pela Raposa, pode-se dizer que Zé Carlos cansou de comemorar estaduais e esteve presente em alguns dos mais importantes títulos da história do clube. Ao todo, o juiz-forano venceu nove edições do Campeonato Mineiro (1966,1967, 1968, 1969, 1972, 1973, 1974, 1975 e 1977) em seus 12 anos celestes.   

  Além dos estaduais, Zé Carlos, autor de 19 gols pelo Cruzeiro, ajudou o time de Belo Horizonte a ganha a Taça Brasil – equivalente ao Campeonato Brasileiro – de 1966 e a Copa Libertadores da América em 1976. Após deixar a Raposa, foi campeão brasileiro pelo Guarani, de Campinas, em 1978.

 O historiador do Villa Nova, Wagner Freitas, informa que, pelo clube de Nova Lima,  em 1982 e 1983, foram 67 jogos e cinco gols marcados por Zé Carlos.

Texto: Toque de Bola – Wallace Mattos, com informações do site oficial do Cruzeiro

Fotos: Bruno Senna/Cruzeiro e divulgação Cruzeiro


Voltar

Deixe uma resposta

Notícias


15 ago 2018
Calvário carijó! Entenda qual Série D o Tupi vai encontrar em 2019

14 ago 2018
Vídeo! Tupi: presidente chora e dirigente vê “elenco muito pouco comprometido”

14 ago 2018
Copa JF de Natação AABB-Panathlon une todas as idades. Veja fotos

10 ago 2018
Copa Juiz de Fora de Natação AABB – Panathlon tem nova etapa sábado

+ notícias

Toque de Bola

O primeiro portal exclusivo de esportes de Juiz de Fora cresceu rápido! Lançado oficialmente em janeiro de 2011, o Toque de Bola conquistou milhares de seguidores também nas redes sociais. Estamos no Instagram, no face, no Twitter. Informação dinâmica, com credibilidade e agilidade.


Acesse